Após acordar e dar um banho bem gostoso no Noah, desci para a cozinha, para comer algo, pois estava morrendo de fome, encontrei Denise e dona Lúcia na cozinha.
— Bom dia. Ué, vocês não estavam de folga?
— Bom dia, mudanças de planos, amiga, o senhor Oliver vai receber visitas.
— Ah!
Após tomar meu café e passear com Noah, que dormia no carrinho, fui para a lavanderia lavar suas roupinhas. Havia algumas roupas de cama fora do cesto, então resolvi arrumar. Encontrei uma camisa de Oliver caída ao chão e a coloquei no cesto, mas antes, notei haver uma mancha na camisa. Percebi a marca de batom. Algumas borboletas voaram no meu estômago, não sei o que era aquilo, mas me senti mal. Joguei a roupa no cesto e voltei a meus afazeres.
Após passar as roupinhas de Noah, decidi ir para o quarto e notei haver algumas pessoas na sala. Tentei passar o mais discreta possível, mas ouvi a voz de Oliver me chamando.
— Aurora, por favor, traga o Noah até aqui.
Entrei na sala com o carrinho, Noah ainda estava dormindo e vi um senhor muito bem-vestido e uma moça com ele, que era muito bonita.
— Esta é a Aurora, ela é a babá do meu filho Noah.
— Muito prazer.
Estendi a mão para o homem que sorriu gentilmente e para a moça, que me olhou dos pés à cabeça, e apenas gesticulou, não estendendo a mão para mim, o que me deixou um pouco constrangida.
Após eles olharem Noah, pedi licença e saí da sala, entrei no quarto com o coração na mão, estava triste. Não sabia o porquê, mas me senti muito rejeitada. Como é possível que ainda existam pessoas que se achem melhores que as outras?
Passei o resto do dia no quarto, quando foi mais a tardinha, Denise entrou.
— Ei, o que aconteceu, que você não desceu para o almoço?
— Não estou com fome.
— Pelo amor de Deus, não começa de novo não, se não você vai parar no hospital.
— Não é para tanto Denise, só estou sem vontade de comer agora.
— Por que tenho a impressão de que você está diferente?
— Impressão sua, eu estou bem, só estou com um pouco de sono.
— Ah… Você sabe quem é esse pessoal que veio almoçar aqui hoje?
— Não sei não, quem são?
— É um dos patrocinadores mais importantes da feira e a moça é a filha dele, arrogante que só!
— Você também notou? — Pensei que só eu tinha percebido a aura de altivez em cima do nariz da mulher.
— Uh, até um cego sente de longe a marra dessa patricinha, e você não sabe da maior.
— O quê, Denise?
— Ela vai ficar aqui, até o último dia da feira.
— Aqui? Tipo, na casa grande? — Perguntei desacreditada.
— Sim, você acredita que ela praticamente se autoconvidou para ficar hospedada aqui?
— Como assim?
— Ela ficou jogando verde, dizendo odiar pegar a estrada da capital e vir para a fazenda diariamente, falou para o senhor Oliver que ele estava pecando em não ter um hotel aqui, nisso, ela começou a falar um monte de asneira, sabe? Aí o senhor Oliver convidou, por educação, que ela e o pai ficassem de hóspedes na casa. O pai dela, claro, recusou de imediato, mas ela disse que aceitaria e já mandou os empregados trazerem suas malas.
— E eu tenho escolha?
Sorri, mas, no fundo, não tinha escolha mesmo não. Denise saiu e eu fiquei distraindo o Noah com os brinquedos.
— Aurora. — Lúcia entrou no quarto.
— Oi, Lúcia, achei que já estivesse em casa.
— Eu já estou de saída, mas é que o senhor Oliver mandou dar um recado a você.
— O que foi?
— Ele disse que não precisaria ir com o Noah hoje para a festa, que você pudesse ficar em casa.
— Ah, que bom! O Noah é tão novinho, para ficar no meio de barulhos e aglomerações né?
— É minha filha, eu também pensei nisso.
Lucia saiu do quarto e eu fiquei com as borboletas no meu estômago outra vez. Se Oliver não queria que fossemos, era porque estaria ocupado com a filha do patrocinador. Ele já deve estar tendo algum caso com ela e, por conta disso, não quer a babá e o filho colados. Está mais que explicada a sua mudança repentina.
Me olhei no espelho e notei o quanto minha cara estava abatida.
— Ainda bem que você não foi tão tola, Aurora, ainda bem que nunca aconteceu nada de mais entre vocês.
Repetia para mim mesma, dei alguns tapas na minha cara, para ver se eu acordava desse conto de fadas que criei na mente.
— Reage Aurora, reage.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: uma babá na fazenda
Que história linda e maravilhosa. 98 capítulos e li em menos de 24hs. Essa história daria uma linda novela. penas lendo conseguiu provocar em mim um turbilhão de emoções, imagina se fossem cenas de novela. Parabéns a escritora Célia pela ótima história e pela riqueza de detalhes. Consegui visualizar cada cena de cada capítulo em minha cabeça. Cenas de amor, de injustiça dos vilões, da guerreira Auruora....enfim simplesmente amei essa história. E facilmente daria uma ótima novela com certeza....