Odeio que as pessoas forcem as coisas. Essa Jade Parker estava me dando nos nervos, eu tentava ser o mais educado possível, em respeito ao pai, é claro, mas a mulher era oferecida ao nível máximo. Mesmo explicando que havia dado folga aos trabalhadores e que não haveria funcionários na casa, ela insistiu em ficar.
No dia em que o pai estava, levei-os para conhecerem toda a fazenda, mas após o pai ir embora, ela ficou só.
Como a feira estava indo muito bem, não tinha muito tempo para ficar em casa, acabei pedindo à Denise que ficasse pelo menos responsável pelo almoço, para que a filha do patrocinador não ficasse totalmente à míngua. Estava levando algumas roupas sujas para a lavanderia e acabei encontrando Denise.
— O que é isso? — Denise olhava para a camisa que Jade Parker esbarrou e manchou.
— Ah, senhor, vim lavar algumas roupas, aproveitando que as coisas estão no forno.
Tomei a camisa de sua mão.
— Não precisa, apenas cuide do almoço e pode ir descansar.
— Tudo bem.
Ela ia saindo, quando chamei sua atenção.
— Denise, isso aqui. — Me referi à mancha na blusa. — Foi um acidente.
Ela simplesmente balançou a cabeça e saiu. Não sei o que estava pensando e não sei o que ela poderia dizer à Aurora.
[…]
O último dia de festa havia chegado, como prometido, dei folga para Aurora, mesmo sabendo que ela não iria para a vila.
Era noite e eu já havia chegado na feira, tive uma pequena reunião com os patrocinadores, o que me lembrou haver esquecido um documento no escritório. Como não podia chamar o Joaquim para buscar, dirigi de volta para casa. Estava com pressa, a reunião devia continuar com minha presença. Olhei no relógio e já eram quase 8 da noite, quando me esbarrei nela.
Aurora estava deslumbrante, nunca a vi tão linda e em toda a minha vida, jamais havia imaginado-a vestida de um modo tão sexy, não tive palavras para descrevê-la.
Então ela iria sair?
Mas ela havia dito que não teria roupa, nem que queria ir. Por acaso, estava tentando me enganar, Aurora?
Fiquei nervoso, ainda mais, quando ela me ignorou e passou por mim, jogando seus cabelos longos e passando direto, deixando seu perfume no ar.
— Que desaforada!
Fui atrás dela, que já ia entrando no carro do Saulo.
Então, meu amigo estava conspirando contra mim.
Além disso, jogou na minha cara algo que eu disse naquele dia na feira sobre Aurora. Tudo bem que fui um idiota, mas Saulo deveria estar do meu lado. Após conseguir levá-la comigo, não conseguia manter meus olhos na estrada. Aurora parecia me ignorar, no fundo, eu não tirava a sua razão, eu queria consertar as coisas e iria fazer isto esta noite. Após a reunião acabar, a levaria para o camarote comigo e lá conversaríamos, mas ela me recusou, saindo do carro e batendo a porta.
— Isso não vai ficar assim.
Desci do carro e fui atrás dela, até meu telefone tocar.
— Fala.
— Senhor, estão te esperando para dar continuidade à reunião.
— Mas que droga!
Voltei para o escritório que estava atrás do camarote e continuamos falando de negócios. Meu corpo estava lá, mas minha cabeça só pensava nela e no que poderia estar fazendo. Queria que aquela maldita reunião acabasse logo, mas quanto mais desejava, mais pautas apareciam.
Após a falha de não ter a encontrado, entrei no carro e tentei respirar fundo.
— Não vá surtar, Oliver, foi você que provocou tudo isso.
Eu batia no volante do carro, queria encontrá-la, iria tirá-la dos braços de quem quer que fosse. Após pegar o celular, vi que ela acabara de postar uma foto. Rapidamente a liguei.
— Aurora, onde você está?
— Senhor Oliver, por que está me ligando?
— Não olhou o relógio? Já está tarde, é hora de ir para casa!
— Falei que não precisava se preocupar comigo, é meu dia de folga e me responsabilizo por mim.
Aurora não estava mais na festa, o lugar de onde falava pelo celular era silencioso, parecia estar dentro de algum lugar fechado. Pensamentos maldosos me vieram à cabeça, ela estava com aquele fedelho!
— Diga onde está agora, que irei te buscar imediatamente.
— Não precisa, eu estou bem e...
— Aurora, Aurora?—Ela havia desligado o telefone na minha cara? — Que petulância!
Como ousou fazer isso? Peguei o carro e dirigi em direção à fazenda, estava tão nervoso que atropelaria qualquer coisa que atravessasse meu caminho. Ela estava brincando comigo por acaso? Espero que já esteja em casa e em seu quarto, irei lhe dar uma lição.
— Você me paga, magrela!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: uma babá na fazenda
Que história linda e maravilhosa. 98 capítulos e li em menos de 24hs. Essa história daria uma linda novela. penas lendo conseguiu provocar em mim um turbilhão de emoções, imagina se fossem cenas de novela. Parabéns a escritora Célia pela ótima história e pela riqueza de detalhes. Consegui visualizar cada cena de cada capítulo em minha cabeça. Cenas de amor, de injustiça dos vilões, da guerreira Auruora....enfim simplesmente amei essa história. E facilmente daria uma ótima novela com certeza....