Meu celular havia descarregado enquanto falava com Oliver, nem deu tempo de avisar que estava na casa da Lúcia, mas tudo bem, eu não acordaria ninguém nesse horário, para pedir um carregador emprestado. Amanhã eu falaria, além disso, não preciso dar nenhuma explicação. Ele não havia me dado folga? Então, o que tinha a ver com a minha vida?
Me ignorou esse tempo todo, me fazendo de besta.
O resto da madrugada passou voando, logo pela manhã acordei bem cedo para pegar carona com Joaquim, ele me deixou na casa grande e foi para a capital. Tirei meus saltos e carreguei nas mãos, meus pés doíam um pouco e também não queria fazer nenhum barulho àquele horário. Ainda estava com a roupa da festa e havia dormido maquiada, entrei em meu quarto, que ainda estava escuro, acendi a luz, me assustando com o homem sentado na cama.
— Espero que tenha se divertido muito.
Oliver estava sentado na minha cama, ainda vestia a roupa de ontem. Sua cara estava terrivelmente assustadora, tentei disfarçar.
— Bom dia, senhor!
Dei um sorriso bem largo para ele, que se levantou como um raio e veio inacreditavelmente rápido em minha direção.
— Olha para a minha cara e vê se estou tendo um dia bom.
Oliver estava ignorante e nervoso, seja lá o que tivesse acontecido com ele, com certeza não era problema meu. Então, por que queria descontar em mim?
— Precisa de algo?
— Por que chegou agora?
— Se esqueceu de que me deu folga até às nove de hoje?
— Onde você estava? Onde dormiu?
O interrogatório começou, então percebi que seu estresse era por minha culpa.
— Senhor Oliver, por acaso aconteceu algo? Porque, se me lembro bem, não tenho nenhuma satisfação para lhe dar.
— Como não? Por que desligou o telefone na minha cara?
— Ah… Foi isso? — Entendi agora sua irritação. — Na verdade, meu celular descarregou.
— Por que não dormiu em casa?
— Fui convidada para dormir em outro lugar, já que não sabia como voltar para casa.
— Como não sabia? Eu me ofereci para trazê-la!
— Isso foi depois, só se ofereceu, por ter me dado carona antes. Se você não tivesse me visto, nem se lembraria de mim.
— Como assim, Aurora? Você havia me falado que não iria. — Tentava se justificar.
— Olha, quer saber? Deixa quieto tudo isso. — Respondi cansada. — Me desculpa pela ligação, meu celular estava descarregado e não tive como ligar para você. Agora, por favor, se não tiver mais nada para falar, pode me deixar sozinha.
— Não, eu não vou sair daqui! — Eu não estava entendendo nada. — Escuta, me fala onde dormiu.
— Num motel. — Brinquei.
— O quê? — Se desesperou.
— Estou brincando, foi na casa da Lúcia e do Joaquim. — Respondi, e sua feição mudou.
— Por que não veio para casa?
— Porque já havia combinado com eles e não sabia como iria voltar para casa, antes de você ter falado que me traria de volta.
— Mas eu te liguei para vir comigo.
— Eu já estava na casa deles, além disso, não precisava se incomodar, o senhor estava muito ocupado com sua hóspede.
Não resisti, Oliver achava que tinha direito de se meter em minha vida, então me achei no direito de alfinetá-lo.

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