Em frente ao aeroporto, meu coração disparava de tristeza, mas sabia que Oliver daria um jeito. Liana sumiria da vida dele, ele ficaria com a guarda do Noah e eu me apegava a isso para continuar a viver.
— Aqui está, uma passagem para você. Considere como um presente para sua nova vida e tem mais uma coisa.
— O quê?
— Me dê seu celular! Não quero o Oliver te ligando, nem ele, nem qualquer outra pessoa que seja. Vá embora, Aurora, nunca mais dê notícias. Se eu souber que você falou, ou está entrando em contato com alguém da casa grande, ou da vila, eu farei algo com o Noah, que você se arrependerá para o resto da vida, por não ter me escutado.
— Você é louca, Liana? Eu não irei te entregar o meu celular, isso não faz parte do nosso acordo, já te falei que não falarei mais com ninguém da fazenda.
— Me dá o celular, agora!
— Eu não vou dar.
— Então nosso acordo está desfeito, você quem sabe.
Liana sabia como manipular alguém. Estava com tanta raiva dela, porém tentava manter a calma, precisaria fazer as coisas sem me precipitar. Oliver está solto, ele vai saber o que fazer para lidar com essa cobra.
— Tudo bem. Você é um monstro, Liana.
— Se sou ou não, não é problema seu, agora suma! Voltarei para a fazenda e levarei meu filho para que o pai o veja. Você fez um ótimo trabalho, então cumprirei com a minha promessa.
Saí do carro, entregando meu celular à mulher e dei um último beijo em Noah. Entrei no aeroporto e vi que o voo era daqui a uma hora. Estava morrendo de angústia, mas sabia que a liberdade de Oliver dependia daquilo. Iria de algum jeito iniciar minha vida, lembrando para sempre o preço que tive que pagar para o bem de quem eu amava, mas com a esperança de que, quando ele lidasse com ela, pudesse voltar e contar toda a verdade. Eu confiava nisso, me apegava a esse pensamento, que era a única coisa boa que conseguia pensar no momento.
No avião, me senti muito mal e chorava sem cessar, estava sem telefone e tinha apenas o dinheiro que havia guardado todo esse tempo.
Havia voltado à estaca zero, não tinha casa, emprego, nem família, era como se tudo que vivi fosse de água abaixo.
Estava indo para um estado diferente, num lugar que nunca vi na minha vida. Eram três da manhã quando o avião pousou. Como não sabia para onde ir, resolvi ficar no aeroporto e esperar amanhecer para saber o que fazer.
Às seis da manhã, peguei minha bolsa e andei pelo novo lugar que estava, procuraria um hotel. Sem celular, era difícil encontrar qualquer coisa.
Enquanto caminhava sem rumo pelas ruas desconhecidas dessa cidade, me vi em frente a uma pequena loja de telefone, entrei e procurei por um.
— Bom dia, qual valor desse celular aqui? — perguntei apontando para um, no balcão de vidro.
— Bom dia, ele está por 2.110 a vista.
— Ah, você não tem um mais em conta ou um usado, talvez?
— Não trabalhamos com usados, mas temos esse aqui, mil e duzentos à vista.
— Vou querer, vocês vendem chip? Preciso de um também.
— Temos sim.
Após comprar o celular, pedi ao rapaz da loja para deixá-lo carregando um pouco, enquanto eu colocava o chip e baixava alguns aplicativos.
— Sabe me dizer se tem algum hotel aqui por perto?
— Bem… Aqui por perto há uma pousada bem simples, que fica a duas ruas após aquela loja. — Apontou para a esquina da outra rua.
— Muito obrigada!
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