— Senhor Oliver, o senhor está livre.
O policial falou, abrindo as grades da cela onde estava.
Saí dali e me encontrei com o Saulo.
— Você é um ótimo advogado mesmo, hein?
— Dessa vez, não tive nada a ver com isso. Liana tirou todas as queixas.
— Como assim?
— Não sei, cara, mas isso não está me cheirando nada bom. Primeiro, a Aurora aparece com pressa e depois você é solto.
— Cadê a Aurora, você a viu?
— Não, ela chegou e foi logo falar com você, não a vi saindo.
— Ela apenas falou alguns minutos comigo, foi muito rápido.
Após assinar toda a papelada, fui de encontro a Saulo, que me esperava próximo à porta de saída.
— Será que ela continua por aqui?
— Acho que não, vou ligar para o Joaquim no caminho, ele com certeza está com ela. Temos que nos preocupar com o Noah agora, Liana está com ele.
— Como assim?
— A Aurora estava super preocupada, Liana apareceu com um oficial e uma certidão de nascimento, conseguiu levá-lo.
— Mas quando perguntei a ela sobre ele, ela apenas disse que eu não me preocupasse que o encontraria em casa.
— Bem, alguma coisa ruim deve estar acontecendo e ela não quis nos contar.
Saí da delegacia, com uma sensação ruim, como se estivesse sendo observado, entrei em meu carro e dirigi para a fazenda, no caminho liguei para o Joaquim.
— Joaquim, boa noite, onde vocês estão?
— Senhor, que bom que ligou. Tentamos sair da vila com o menino, mas a polícia nos parou e levou o Noah, prenderam nosso carro e disseram para não sairmos de casa, pois um guarda ficaria nos observando.
— O quê? Como assim?
— A Aurora estava tentando despistá-los, mas havia outro grupo, na entrada da vila. Lá, fomos parados e a Bia levou o bebê com os policiais.
— A Bia? Mas que merda, Joaquim, você tem notícias da Aurora?
— Não, senhor, a Lúcia tentou ligar para ela, mas não teve retorno.
Desliguei e liguei para a Aurora, seu celular apenas chamava, chamava e não atendia.
— Que droga, Aurora, atende logo isso!
Com todas as tentativas de ligação frustradas, dirigi o mais rápido que pude para a fazenda, chegando lá, encontrei Denise, que estava com a cara de desespero.
— O que aconteceu, Denise?
— Oliver, a Liana, tem papéis que podem tirar o Noah de você.
— Isso não vai acontecer, cadê a Aurora?
— Ela estava na vila, talvez ela conseguiu fugir com o Noah.
— Não, não conseguiu, a Liana está com ele.
— Não, não pode ser! — A voz de Denise se tornou desesperadora.
— Denise, tente ligar para a Aurora, tudo bem? Irei atrás do meu filho.
Antes de sair de casa, Liana entrou pela porta da sala com o Noah no colo.
— Boa noite a todos. — Sua voz desavergonhada ecoou pela sala.
Mais que depressa, peguei o Noah de seu colo, olhei para meu filho, que aparentemente estava bem e começava a acordar.
— Denise, pegue meu filho e cuide dele em meu quarto.
— Sim, senhor.
Denise pegou o Noah, com sua bolsa e saiu. Liana me olhava sorridente e eu juro que essa foi a primeira vez na vida que tive vontade de socar a cara dela, mas resisti.
— O que pretende com tudo isso, Liana?

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