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Caminho traçado: uma babá na fazenda romance Capítulo 85

Eu estava parado no acostamento da ponte, enquanto a equipe de bombeiros tentava descer para tirar o resto que sobrou do corpo de Liana. Saulo estava mais adiante no celular, acho que ele conversava com Denise para voltar para casa.

Enquanto observava a cena e os destroços do carro de Liana, me lembrei de quando o comprei para lhe dar de presente.

Ela amava carros de luxo e disse que seu sonho sempre foi ter um desses, então, no dia do seu aniversário, lhe fiz uma surpresa. Ela ficou radiante no dia, e eu, como estava perdidamente apaixonado, me hipnotizava com aquele sorriso. Sempre a tratei como uma criança mimada, dando tudo o que queria e fazendo seus gostos. Fui muito errado, mas na época só pensava nela e em sua felicidade.

Me senti mal por meu pai, ele não merecia o que aconteceu. Tantas vezes tentou me alertar sobre ela, mas eu estava cego. Ninguém naquela época poderia mudar minha mente, nem mesmo quando a peguei no flagra. A cena perturbou minha mente por tanto tempo, porém, nem assim fez o que sentia por ela acabar.

No dia em que ela fugiu e deixou o Noah no hospital, me senti um tolo, por fazer tudo por ela e não ter recebido um mínimo de consideração. Fiquei arrasado, mandei todos os funcionários para suas casas, quando cheguei na fazenda com o bebê, não sabia o que fazer, estava cego, me senti a pessoa mais rejeitada do mundo, sem meu pai e sem a mulher que eu amava loucamente.

Eu não queria mais viver, não queria ficar nenhum segundo mais nesse mundo. Só me lembro de ter mandado uma mensagem para Saulo, deixando tudo nas mãos dele e pedindo desculpas por ser um fraco e desistir.

Aquele dia foi perturbador, eu joguei fora as coisas que havia levado para o hospital, que eu havia comprado para o Noah.

Quando cheguei em casa, descobri que Liana não havia comprado nada. Ela havia me dito que ficaria encarregada de todas as coisas que se referissem ao bebê, desde as fraldas até a decoração do quarto, que nunca existiu. Quando cheguei em casa, vi que não havia nada. Estava com raiva de mim, com raiva de Liana e descontei tudo no Noah, que não tinha culpa alguma. Naquela noite, quando cheguei com ele, o coloquei na cama, fui até a garagem, pegando o carro que Liana havia deixado e saí com apenas um intuito: acabar com tudo!

Chovia bastante e estava frio, encostei o carro no acostamento da ponte, mas deixando as luzes acesas. Não havia mais choro, nem revolta, havia ficado ali por um tempo, deixando a chuva me molhar, eu só queria acabar de vez com aquele sentimento que restou. Subi na parede de proteção feita de concreto, fechei meus olhos e respirei fundo.

— Moço, por favor, não faça isso!

A voz de Aurora ainda é nítida na minha mente, mesmo com aquela chuva, eu pude escutá-la muito bem. Virei meu rosto e a vi, ela estava encharcada, com apenas uma bolsa nas costas, a pé, naquela estrada escura.

Meu primeiro pensamento foi: como aquela mulher apareceu ali do nada? Pensei estar alucinando, mas quando desci de onde estava e me aproximei dela, conseguia sentir sua respiração pesada. Ela estava com medo, seus olhos estavam desesperados, mesmo assim continuou de pé em minha frente.

“Ela é real”

Ali, eu percebi que não poderia mais dar continuidade no que queria fazer, a aparição de Aurora era um sinal divino de que as coisas poderiam se tornar diferentes, eu só precisava viver, para poder contemplar as mudanças que ocorreriam.

— Nunca mais se meta em assuntos que não são do seu interesse!

Eu só pude dizer isso a ela, entrei no carro e saí. Eu sentia que ela era um sinal enviado de algum lugar, mas estava cético, então desafiei o destino.

“Se ela for alguma predição, o destino dará um jeito de nos encontrarmos outra vez.”

Me lembro de ter falado isso, enquanto dirigia de volta para casa…

Naquela madrugada, eu não dormi, pensando no que fazer adiante, logo bem de manhã, Noah chorava, estava com fome e precisava de um banho, eu não aguentava o barulho do choro. Então, fui para o galpão atrás da casa, tentava ligar para Lúcia para vir imediatamente para casa e cuidar do menino. Eu sabia muito bem o que fazer com ele, mas estava magoado, porque ele era uma parte de Liana também e isso me enfurecia. Enquanto andava de um lado para outro, com o celular na mão, ouvi um barulho estranho.

“Aí está você, mulher da ponte!”

De dia, havia percebido o quanto ela era bem mais jovem do que imaginava, e muito sem noção também, pois estava deitada nua. Com certeza não tinha noção do perigo por ficar assim, num lugar desconhecido.

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