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Casada em Segredo com o Herdeiro romance Capítulo 237

Mesmo que Edward permanecesse inerte, aquelas empresas que costumavam seguir as tendências rapidamente aproveitariam a ocasião para arruinar Oliver por completo.

Para quem assistia de fora, parecia que Edward estava enfurecido por causa do filho.

Mas, na visão de Gaz, aquilo era apenas reflexo do mau humor de seu pai por quase ter sido enganado.

Nada o alegrava mais do que ver o pai descontente.

Com um gesto distraído, Edward bagunçou uma mecha de cabelo de Gaz e perguntou com despretensão:

— Me diga, como você descobriu que a proposta vinha daquele caso de fraude internacional de 2005?

Mesmo com falhas em sua justificativa, a resposta de Gaz ainda era aceitável.

— Li sobre isso num livro, tempos atrás — respondeu ele com sinceridade.

Gaz sempre gostou de ler os mais variados tipos de livros, de astronomia e geografia até lendas urbanas e temas financeiros.

Foi em um desses livros de finanças que encontrou aquela proposta.

— Você leu e memorizou? Com tantos detalhes assim. — Edward riu, desconfiado. — Ultimamente, você não tem lido só quadrinhos?

Aquela fala acendeu imediatamente o sinal de alerta em Gaz.

Ele está tentando me pegar!

Se não tivesse invadido o sistema de segurança da mansão e visto Prez sempre com uma Bíblia em mãos, poderia ter sido pego de surpresa.

Esse Rei Demônio é mesmo traiçoeiro!

— Prefiro ler a Bíblia — respondeu Gaz calmamente, aproveitando o gancho para fazer um pedido. — E considerando a ajuda enorme que te dei, você não acha que merece me agradecer?

Como Prez e Gaz eram idênticos, Edward não tinha como saber a verdade, por mais que achasse estranho o comportamento de "Prez".

As suspeitas de Edward diminuíram levemente enquanto ele indagava:

— Já pensou no que vai pedir?

— Qualquer coisa mesmo? — perguntou Gaz com um sorriso malicioso.

— Pode pedir o que quiser — garantiu Edward.

Com brilho nos olhos, Gaz entregou a ele o livro de figuras que segurava.

— Quero todos esses vestidos! Cada um deles!

Vestidos?

Edward olhou para o livro e seu sorriso vacilou por um instante.

— Pra que você quer vestidos?

— Ué, pra usar! — respondeu Gaz com naturalidade.

A expressão de Edward ficou ilegível por alguns segundos. Sua voz soou calma, porém incisiva:

— Prez, você lembra que é um menino?

— Meninos também podem usar vestidos.

— Não podem.

Gaz então se jogou no sofá de forma exagerada.

— Não me importo! Quero esses vestidos e vou usá-los todos os dias! Se você não me der, vou fazer escândalo!

Afinal, não era a minha imagem que estava em jogo — hehe!

Ver "Prez" fazendo manha como uma criança mimada era algo inédito para Edward.

Isso só aumentava a sensação de que algo estranho estava acontecendo.

Nos seus momentos de teimosia, Prez costumava se isolar no quarto e recusava-se a falar ou comer.

Jamais havia feito birra por causa de vestidos.

Edward apertou as têmporas, pensativo.

Tudo começou a mudar depois que ele conheceu Robin...

Uma hipótese surgiu em sua mente, mas ele não deixou transparecer nada.

Apenas respondeu:

— Está bem, vou comprar.

— Sério? — Gaz parou de se jogar e seus olhos brilharam. — Também quero bonecas Barbie! Um armário inteiro!

Edward suspirou e cedeu mais uma vez:

— Está bem. Vou comprar todas.

Gaz ficou satisfeito, com um brilho malicioso no olhar.

Esperava que seu irmão gêmeo gostasse desse "presente".

O resultado, no entanto, foi o oposto.

Prez ficou indignado e não entendeu o motivo de receber aquelas coisas.

Recusou-se terminantemente a deixar a governanta levar os vestidos e bonecas para seu quarto. Assim que descobriu que o próprio Edward havia feito os pedidos, logo entendeu que era armação de Gaz.

Edward jamais compraria aquilo sem um bom motivo. Gaz havia aprontado alguma.

Após o banho, vestido com roupas limpas, Edward se deparou com Prez à porta de seu quarto, visivelmente aborrecido.

— O que foi agora? — perguntou, erguendo uma sobrancelha.

— Papai, devolva aquelas coisas, por favor — murmurou Prez.

— Ué, não foi você que fez o maior escândalo de manhã por causa delas?

O rosto normalmente calmo de Prez enrubesceu ao lembrar da cena.

Ele definitivamente fez isso de propósito!

— Eu... não quero mais — disse, baixo.

Mas dessa vez Edward não cedeu.

— Você precisa ser responsável pelo que diz. Não pode fazer exigências e depois voltar atrás.

Prez hesitou por alguns instantes.

E se ele realmente gostasse daquilo e não fosse apenas brincadeira?

Talvez eu devesse deixar aqui por enquanto...

— Tá bom, papai — concordou ele.

Edward assentiu e deu ordens ao mordomo:

— Leve essas coisas para o quarto do Prez.

— Sim, senhor Edward.

Edward então se aproximou e pousou a mão gentilmente sobre a cabeça de Prez.

— Tem se sentido estranho ultimamente? Me avise se algo estiver errado.

Prez ficou em silêncio por um momento. Ainda não havia contado ao pai sobre a outra criança.

Não era o momento certo. Ele precisava entender melhor a situação primeiro.

Era sempre uma data extremamente movimentada para Robin. Casais de todos os lugares corriam para reservar vestidos de noiva, tentando tornar o noivado mais especial.

Claro, alguns noivavam pela manhã e se separavam no fim da tarde.

Hoje, o dia estava especialmente agitado.

Quando Edward apareceu na loja para buscá-la para jantar, Robin viu o banner de Dia dos Namorados na entrada e só então percebeu a ocasião.

Seu coração acelerou.

Edward tinha ido buscá-la assim que saiu do trabalho. Talvez fosse um homem mais romântico do que aparentava.

Ao chegar o jantar, o garçom colocou um buquê de rosas no centro da mesa.

Robin sorriu ao estender a mão para as flores.

— Ed, você lembrou das rosas? Achei que fosse esquecer, como das outras vezes.

Com a correria de ambos, era compreensível.

Ela não percebeu a sutil mudança no rosto de Edward, mas o garçom parecia visivelmente desconfortável.

— Ah... essas rosas são parte da decoração do restaurante. Poderia, por gentileza, devolvê-las?

O sorriso de Robin congelou.

Ela olhou para Edward, esperando uma reação. Mas ele apenas respondeu com sarcasmo:

— Ainda nem anoiteceu e você já está sonhando?

Robin bufou, frustrada, mas não desistiu.

Sem flores? Tudo bem. Talvez houvesse um presente escondido entre os pratos?

Mas o jantar terminou sem nenhuma surpresa.

No caminho de volta, ela estava abatida e nem reparou para onde estavam indo.

Seguiu Edward em silêncio até perceber que ele havia parado.

O chão sob seus pés tremeu levemente. Logo, tudo ao redor começou a subir.

Eles estavam em um balão de ar quente.

Enquanto subiam, a voz profunda de Edward soou em seu ouvido:

— Ro, olha lá embaixo.

Com o coração acelerado, Robin obedeceu.

E então viu.

Fogos de artifício explodiam no céu, formando lindas rosas e se abrindo em cascata.

Ela não sabia dizer por quanto tempo durou, nem quantos fogos foram lançados.

No final, uma rosa prateada se desdobrou no céu, revelando suas iniciais no centro.

— Gostou? — perguntou Edward, acariciando suavemente a cabeça dela. — Esse é um buquê só seu. Não precisa invejar o de ninguém.

Robin imediatamente se lembrou do olhar que lançou a outras mulheres no restaurante, desejando receber algo assim.

Edward havia percebido.

— Sim! — exclamou, eufórica. — Eu amei as rosas que você me deu... e também amo você!

Edward a puxou suavemente pela nuca e murmurou:

— Só palavras não bastam.

Naquele instante, Robin sentiu como se os fogos estivessem explodindo novamente diante de seus olhos — intensos, deslumbrantes, inesquecíveis.

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