O som intenso de seu choro — ainda mais por vir de outro homem — fez o peso no peito de Edward aumentar.
Ele a puxou contra si, soltou um suspiro profundo e falou com uma suavidade incomum:
— Para ele, morrer em seus braços pode ter sido um alívio.
Os soluços de Robin foram diminuindo até cessarem. Ela não respondeu; apenas cedeu ao cansaço e adormeceu aninhada nos braços dele.
Edward pressionou o botão oculto em seus óculos escuros. Assim que o sensor se conectou à sua rede neural, a câmera externa começou a transmitir imagens diretamente para sua mente.
A visão não era nítida — apenas contornos e formas vagas —, mas suficiente. O dispositivo identificava movimentos e obstáculos, permitindo-lhe se mover como se tivesse visão normal.
Era a tecnologia mais recente da Youthorne Tech, subsidiária do Grupo Dunn, entregue a ele naquela tarde.
Sem depender de ninguém, Edward carregou Robin, profundamente adormecida, entrou no elevador e a levou até sua residência particular.
Já tarde da noite, ele estava sentado junto à ampla janela do quarto, falando em voz baixa ao telefone.
Na cama, Robin dormia profundamente, exausta.
— Senhor Dunn, apenas duas mesas daquele restaurante receberam pratos acidentalmente contaminados com veneno de polvo-de-anel-azul. Os demais clientes envenenados foram vítimas de adulteração proposital. Um funcionário, ressentido com o dono, colocou o veneno para arruinar o negócio.
— O homem confessou quando foi detido. Chegou a se vangloriar de que, se tivesse mais veneno, teria matado mais pessoas. Afinal, só tinha uma vida para perder.
Do outro lado da linha, a repulsa era evidente no tom de voz.
— E a origem do veneno? — a pergunta de Edward soou gelada.
— Ainda não conseguimos rastrear. Mas, por ser uma neurotoxina proibida em todo o país, a única fonte plausível seria o mercado negro.
— Sigam essa pista — ordenou Edward, incisivo. — Quero notícias assim que houver qualquer avanço.
— Sim, Senhor Dunn.
Um movimento leve na cama chamou sua atenção. Ele encerrou a ligação e se virou para Robin.
Ela despertou com um suspiro, encolhendo-se ao encarar a escuridão sufocante. Os olhos ardiam, inchados e ressecados de tanto chorar. Até o contato com o travesseiro era incômodo.
— Acordou? — Edward se aproximou, sentando-se na beira da cama. Ao estender a mão, os dedos roçaram acidentalmente sua bochecha úmida.
Ele franziu o cenho. Seria mesmo que a morte de Henry a abalara tanto?
Robin raramente chorava, mas por Henry havia derramado lágrimas sem parar.
Na verdade, não era só tristeza: seus olhos latejavam, a exaustão misturava-se à confusão de sentimentos, e as lágrimas simplesmente vinham. Mas Edward não podia saber. Atrás dos óculos escuros, seu rosto era ilegível; ainda assim, o aperto firme dos lábios denunciava seu incômodo.
De repente, Robin se virou, apoiando a cabeça no colo dele e envolvendo sua cintura com os braços.
Aquela proximidade era o único alívio para o medo que restara do pesadelo.
A expressão rígida de Edward suavizou um pouco.
Tudo bem, que ela chorasse. Henry já não estava mais aqui.
— Com quem você falava ao telefone? — perguntou ela, após um longo silêncio.
Edward não hesitou e contou o que sabia sobre a investigação.
Talvez tivesse sido apenas um acidente infeliz… ou algo calculado. O verdadeiro alvo ainda era um mistério.
Robin apertou o abraço, murmurando contra ele:
— Obrigada.
Ele ergueu levemente o rosto dela.
— Está me agradecendo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casada em Segredo com o Herdeiro
O livro e ótimo, só que fiz que e gratuito mais agora estão cobrando, antes não era assim, pq mudou??...