Não havia desconfiança, não havia controle excessivo, nem machismo, nem abusos usando o poder que ele tinha. Ele deu a ela o respeito e a segurança que a Sra. Soares merecia.
Freya Nunes se arrumou e desceu as escadas.
O Mordomo Kauan se adiantou de forma proativa para relatar:
— Senhora, o Senhor teve uma reunião matinal importante. Ele avisou que voltará mais cedo hoje à noite.
Freya não deu muita importância. Ela não iria para a Verve durante o dia, e à noite tinha combinado de sair para jantar com Cecília Rodrigues.
— Entendido.
O mordomo trouxe um creme doce revigorante e a serviu com a máxima reverência.
— Senhora, experimente. Se o sabor não estiver do seu agrado, podemos adaptar a receita.
Freya provou uma pequena colherada. Era doce e delicioso.
— Está ótimo.
— Senhora, qualquer coisa que tiver vontade de comer, é só me avisar. Por favor, não hesite em pedir, nunca será um incômodo. — insistiu o mordomo.
O peito de Freya aqueceu levemente.
Durante todos os anos que viveu na Família Nunes, os mordomos e empregados nunca a olharam nos olhos, muito menos a trataram com respeito. Apoiados por Júlia Cardoso, eles viviam puxando o tapete dela pelas costas.
Casar-se e vir morar ali marcou o início de uma nova vida.
Os olhos de Freya brilharam com um sorriso genuíno.
— Pode deixar, eu avisarei.
*
À tarde, Isaque Dourado fez questão de ir pessoalmente à Solvra. Freya Nunes sabia se portar bem, então ele também tinha que retribuir a cortesia.
Fernando Lacerda viu quem estava chegando e avisou com um sorriso:
— Diretor Isaque, o Diretor Cesar está em reunião.
— Quanto tempo vai demorar? — perguntou Isaque.
— Cerca de meia hora. — Fernando fez um gesto convidativo. — O Diretor Isaque aceita um chá ou um café?
— Chá.
Isaque Dourado esperou mais de uma hora inteira no escritório de Cesar Soares até que ele finalmente saísse da sala de reuniões.
Cesar Soares franziu a testa assim que o viu.
— O que você veio fazer aqui?
Isaque cruzou as pernas, adotando uma postura relaxada.
— Vim convidar você e a cunhada para jantar hoje à noite.
As sobrancelhas frias de Cesar Soares relaxaram levemente. A imagem da noite anterior invadiu sua mente de repente: Freya Nunes encolhida em seus braços, frágil e despertando uma vontade incontrolável de protegê-la. As orelhas dela coravam com facilidade, e aquele tom rosado havia se espalhado por quase todo o corpo dela na noite passada.
Ele massageou as têmporas e a maçã do rosto, sentindo a garganta apertar.
— Não vou.
Aquilo não era o que Isaque Dourado estava esperando.
Parecia que o caminho para tirar a cunhadinha de casa seria longo!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Arranjado com o Magnata Frio