Freya olhou para a silhueta de Lília se afastando, fingindo ainda estar abalada.
Uma rajada de vento frio esvoaçou os longos cabelos de Freya. As pontas dos fios roçaram nas costas da mão de Cesar. Um formigamento suave, misturado a um leve aroma frutado, invadiu o ar entre eles.-
Cesar fixou o olhar nos cabelos sedosos dela. Seu pomo de adão moveu-se levemente. Quando falou, a voz saiu densa:
— Freya Nunes, não tente me manipular.
Os cílios de Freya tremeram.
O olhar dele era profundo, o rosto esculpido e austero, carregando uma irritação velada. Era um aviso silencioso. Ele estava deixando claro qual era o seu limite.
Com aquele embate, Lília não ousaria mais pressioná-la a engravidar tão cedo. Muito menos arrumaria problemas diretos no curto prazo.
O objetivo de Freya fora concluído com sucesso.
Freya abaixou a cabeça, adotando uma postura arrependida.
— Me desculpe.
Sua voz soou doce, mas firme.
— Prometo que entendi.
— Não vai se repetir.
Cesar franziu a testa. Por que ela não tentou se explicar?
Quando sua irmã, Isabela Soares, cometia um erro, inventava mil e uma desculpas esfarrapadas para se safar. Só se calava quando era encurralada por ele.
Mas Freya não era sua irmã. Ela era sua esposa.
A garota murmurou suavemente:
— Se não houver mais nada, vou voltar para fazer companhia ao vovô.
Cesar cortou suas palavras de imediato.
— E se houver?
Freya ergueu o rosto e esbarrou nos olhos sombrios e gélidos dele. Inconscientemente, mordeu os lábios e respondeu baixo:
— Então eu fico aqui e escuto.
Fora exatamente assim que ela ficara parada, ouvindo o sermão da sogra minutos antes.
Cesar sentiu como se tivesse dado um soco na água. A tensão esvaziou. Sua voz suavizou um pouco:
— Pode ir falar com o vovô.
— Tá bem.
Assim que respondeu, a garota virou-se depressa e apertou o passo para longe dali. Sua pele imaculada exibia um leve rubor visível a olho nu.
Os cabelos balançavam com o movimento, cada fio refletindo um brilho sedoso e delicado.
Seus passos eram incrivelmente leves.
Freya fez companhia ao avô por mais algum tempo. Como tinha uma reunião às três da tarde, não podia se demorar muito na mansão.
Cesar parou de caminhar e estreitou os olhos. Ele notara muito bem que Freya vinha caminhando com um sorriso no rosto. Sorriso que desapareceu magicamente no momento em que ela bateu os olhos nele.
Leandro Serra tentou intervir:
— Talvez a senhora não tenha visto o senhor.
A expressão de Cesar escureceu.
— Você consegue me ver?
Leandro engoliu em seco.
— Sim, eu consigo.
A voz de Cesar saiu gélida:
— Tem gente que morre pela boca.
Leandro trancou os dentes imediatamente.
Da sala, a voz firme do Sr. Pedro ressoou:
— Cesar, entre aqui.
Na geração do pai de Cesar, a família Soares era composta por um casal de irmãos. Cesar era o filho do meio de Lília Baptista, que também tivera Narciso Soares, o primogênito que entrou para a política, e Isabela Soares, a caçula, criada pela mãe como uma princesa mimada e arrogante.
Quando o pai de Isabela e Cesar faleceu devido a uma doença, Cesar tinha apenas dezessete anos. Ainda assim, concluiu seu mestrado em Computação em Cambridge em dois anos. Ao retornar ao país, arrancou o controle do Grupo Solvra das mãos do antigo sócio de seu pai. Com o lema "a evolução tecnológica não espera ninguém", exterminou todas as linhas de negócios ineficientes bancadas pela diretoria. Ele injetou o caixa da empresa em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia fotovoltaica e armazenamento de energia. Derrubou os acordos com o capital estrangeiro e fechou parcerias com as mentes mais brilhantes do país para fabricar microchips locais. Criou a Aliança de Compartilhamento de Processamento de Dados, estraçalhando o monopólio das gigantes tech em Inteligência Artificial.
O Sr. Pedro sabia bem que os prejuízos do Grupo Solvra haviam sido fruto de conluio interno com estrangeiros para sugar os ativos da empresa. Por causa disso, quando Cesar assumiu, encontrou uma muralha de inimigos. Chegaram até a tentar sequestrá-lo e eliminá-lo em segredo.

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