O coração de Freya Nunes deu um salto. Seus dedos brancos e delicados se apoiaram no peito firme dele, e suas pálpebras tremeram de leve.
— E-Eu não ia fugir.
No momento em que seus olhos se encontraram, parecia que a única coisa no mundo era o som dos seus batimentos cardíacos.
Cesar Soares fixou os olhos no rubor encantador do rosto dela. A ponta de seus dedos deslizou pelo lóbulo da orelha vermelha. Seu pomo de adão subiu e desceu, e seu olhar escureceu incontrolavelmente.
Freya não conseguiu suportar aquele olhar ardente e predador, mas também não teve coragem de se soltar dos braços dele. E o capitalista nunca foi de perder tempo com palavras inúteis.
Ela umedeceu os lábios secos, agindo por instinto.
— Então, você é...
Ela nem teve tempo de terminar a frase.
Ele segurou seu maxilar com precisão. Lábios e dentes se encontraram, o calor se misturou e os movimentos foram tão lentos que chegavam a ser uma tortura.
O peito de Freya se apertou. Ela agarrou com força a camisa cinza dele e, em pânico, fechou os olhos.
Uma mistura de doçura e dominação. O beijo dele foi rápido e pesado, aprofundando-se com muito mais ferocidade e agressividade que nas vezes anteriores.
A temperatura no ambiente subiu.
Seus corações batiam loucamente, quase sufocando a ambos.
A voz do mordomo Kauan soou:
— Senhor, senhora, o diretor Isaque chegou.
Freya Nunes abriu os olhos e o empurrou de leve, tentando acabar com aquilo.
O rosto incrivelmente belo dele estava a centímetros de distância. Linhas fortes, traços perfeitos, nariz reto, cílios longos. Aquela feição normalmente fria estava agora coberta por uma suavidade inusitada, e até sua respiração exalava um calor fervente.
Ele estava totalmente concentrado em beijá-la.
O coração de Freya errou uma batida, e ela fechou os olhos de novo, nervosa.
Cesar Soares segurou a mão de Freya que o empurrava e, recuperando a razão, encerrou o beijo.
Ele a olhou de cima, encarando os lábios avermelhados e brilhantes dela, sentindo algo adormecido despertar dentro de si.
Freya não queria discutir sobre o beijo e, cheia de vergonha, mudou de assunto.
— Tem visita.
A voz dela saiu baixinha e suave, como um gatinho.
Cesar recuou lentamente um passo, mas não afrouxou o aperto na cintura dela. Sua voz saiu rouca.
— Ele veio procurar você.
Freya viu fogo e autocontrole nos olhos dele. Ela continuava achando que estava enxergando coisas demais; afinal, tinham acabado de se beijar, suas pernas ainda estavam bambas. Um pouco de reação era super natural.
— Então vamos descer.

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