Se Cesar Soares realmente tivesse algum problema naquele sentido, seria melhor falar abertamente. Assim, Freya Nunes não precisaria se preocupar com a intimidade conjugal no futuro e até se sentiria mais aliviada.
Ela poderia ajudá-lo a manter as aparências. Para falar a verdade, ela também não estava a fim de fazer aquilo.
Mas ela precisava ter cuidado com as palavras, para não ferir o orgulho do homem.
O olhar de Cesar Soares ficou cortante.
— Venha aqui.
Os traços de seu rosto endureceram. O olhar perfurante dele a atingiu como uma fera à espreita focando em sua presa, carregado de uma força avassaladora.
Era como se ele pudesse enxergar através de todos os disfarces de Freya Nunes. O couro cabeludo dela formigou de medo, e ela nem ousava encará-lo.
Ela se aproximou, hesitante.
Cesar Soares subitamente esticou a mão e agarrou o pulso dela.
Os pés de Freya Nunes escorregaram, e o corpo inteiro dela caiu no colo de Cesar Soares. Os braços fortes do homem seguraram a cintura dela, girando-a levemente e a pressionando para baixo. Os quadris de Freya Nunes pousaram firmemente sobre as pernas dele.
O cheiro frio e marcante de cedro invadiu o ar.
Freya Nunes piscou, atordoada. Seu coração disparou, e suas mãos se agarraram instintivamente aos ombros dele.
Ele se inclinou, aproximando-se, e a respiração quente dele roçou os lábios dela.
— Sra. Soares, eu não me rebaixo a me aproveitar de alguém em estado de vulnerabilidade.
O rosto de Freya Nunes expressava tensão e constrangimento. Seus dedos apertavam o tecido macio sob suas palmas.
— Esse tipo de coisa precisa acontecer com ambas as partes conscientes. Os dois precisam estar imersos e com vontade para que seja bom.
O olhar de Cesar Soares estava fixo nos lábios vermelhos e cheios de Freya Nunes. Talvez pelo fato de ela estar sentada em seu colo, uma chama repentina se acendeu em seus olhos.
— Para os prazeres da carne fluírem, não pode faltar nem o desejo nem a entrega.
Freya Nunes parecia estar sentada sobre alfinetes. Sem coragem para se mover, ela se arrependeu amargamente da sua impulsividade.
Ela não conseguiu soltar as perguntas.
Que se dane se ele tinha algum problema ou não.
Agora ela já não queria mais saber. Só queria levantar e fugir dali.
Freya Nunes assumiu uma postura dócil.
— Eu já entendi.
Cesar Soares observou o leve tom rosado na pele clara de Freya Nunes. Os lábios dele se aproximaram lentamente, e os cílios dela tremeram de leve. A força com que os dedos dela apertavam os ombros dele era como as garras de um gato atiçando o fogo.
As respirações se misturaram.
A respiração de Freya Nunes ficou pesada. O perfume dele tocava silenciosamente as cordas do seu coração.
De repente, o toque estridente de um celular cortou o clima.
O som dissipou instantaneamente as fagulhas no ar.
O coração de Freya Nunes relaxou. Ela sacudiu o braço de Cesar Soares de leve, alertando com bondade:
— O seu celular está tocando.
Cesar Soares mascarou os pensamentos impuros que vagavam por seus olhos.
Ele afrouxou o aperto ao redor de Freya Nunes.
Ela se levantou depressa, caminhando apressada para longe.
Cesar Soares atendeu a chamada. Seus olhos escuros estavam focados na figura de Freya Nunes parada em frente à penteadeira. O vermelho nas orelhas da garota chamava tanta atenção que ele não pôde evitar admirá-la por mais tempo.
O Sr. Pedro perguntou do outro lado:

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