Freya Nunes percebeu o quanto Cesar Soares era direto. Isso era muito raro, e trazia uma autenticidade que parecia não combinar com sua posição.
Como quando o avô ligou, e ele disse, sem mudar a expressão, que não queria filhos e que eles usariam proteção.
Ela havia visto muitos aristocratas brincarem com as pessoas, usando os outros para alcançar seus próprios interesses. Viviam abusando do poder e sempre carregavam uma máscara.
Por isso, a honestidade que Cesar Soares demonstrava para ela era algo tão valioso.
...
Depois de uma noite inteira, o escândalo de plágio da Verve explodiu de vez. Os trending topics nas redes sociais só falavam disso. Blogueiros de moda e internautas detonavam a marca sem parar. O prestígio da Verve estava na lama, e a página oficial já havia sido engolida por xingamentos.
Freya Nunes correu para a empresa logo de manhã.
Não havia repórteres escondidos no estacionamento subterrâneo.
Ela olhou ao redor e apertou o passo para entrar no elevador.
De repente, um barulho surdo ecoou atrás dela. Uma garrafa atingiu sua omoplata com violência. A força do impacto fez Freya Nunes cambalear para a frente.
— Na próxima, não vai ser só uma garrafa de água!
— Freya Nunes, é melhor você não sair de casa!
Freya Nunes apertou os punhos.
— Quem mandou você aqui?
O sujeito ajustou a máscara preta no rosto. Não parecia nem um pouco intimidado. Apontou o dedo na direção dela.
— E isso é da sua conta?
— Quem você pensa que é?
Depois de cuspir as palavras, ele entrou numa van sem placa.
O carro arrancou, deixando uma nuvem de fumaça.
Lá em cima, a recepção da Verve estava um caos. Em pleno século vinte e um, ainda tinha gente atirando ovos e repolhos na parede.
Freya Nunes puxou as gravações de segurança e entregou à polícia.
Cecília Rodrigues pediu ajuda a Víctor Rodrigues. Em pouco tempo, descobriram quem tinha vandalizado o andar na noite anterior. Eram só uns adolescentes do ensino médio. Menores de idade, bateram o pé dizendo que odiavam a Verve por plágio e que só queriam "fazer justiça com as próprias mãos".
A polícia só deu uma bronca. Os pais pagaram uma multa minúscula e o caso foi arquivado.
À tarde, Isador Nunes apareceu na Verve procurando por Freya Nunes.
Isador Nunes entrou desfilando no escritório. Fechou a porta de propósito e puxou a cadeira na frente da mesa, folgada.
— Irmãzinha, você está aguentando o tranco?

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