O silêncio ainda pairava sobre o riacho, pesado, denso, vibrando como se o ar estivesse carregado de eletricidade. Lila, já com a roupa no corpo, ainda sentia cada batida do coração como um soco no peito. O corpo ainda reagia à presença dele, e, por mais que tentasse se recompor, cada detalhe denunciava o que se passava por dentro.
Ao fundo, as risadas de Catarina e Maurício foram diminuindo. Os dois, completamente alheios à tensão que existia ali, saíram da água lado a lado. As roupas molhadas colavam ao corpo de Catarina, que ainda trocava piadas com Maurício, rindo alto. Ele passou um braço possessivo ao redor da cintura dela, e os dois caminharam lentamente até o cavalo de Catarina, parando perto de onde a sela estava apoiada.
Lila acompanhou o movimento com o canto dos olhos, tentando desviar a atenção de Taylor. Tentou, mas não conseguiu.
Porque ele não parava de olhá-la.
Taylor estava encostado em uma das pedras próximas à margem, com os ombros largos relaxados de forma enganosa e os braços cruzados sobre o peito. Mas os olhos estavam cravados nela. Azuis, intensos, escuros de desejo contido. Um olhar que parecia devorar cada detalhe, cada respingo de água, cada curva da pele ainda úmida.
Nenhum dos dois se movia, mas parecia que tudo acontecia dentro daquele espaço invisível que os separava.
Taylor passou a língua pelos lábios, um gesto rápido, quase imperceptível, e, num tom rouco, baixo, como se só ela pudesse ouvir, disse:
— Parece que vamos ter que dividir o Diablo…
Lila piscou, surpresa pela provocação inesperada, e ergueu o olhar para encontrá-lo. Ele inclinou levemente a cabeça, ergueu o queixo e um sorriso preguiçoso brincou nos cantos da boca.
— Tudo bem pra você, princesa? — completou, com a voz carregada de uma calma que soava perigosa, quase desafiadora.
A pergunta pairou entre eles, mas o que havia ali não era apenas sobre o cavalo. Não era sobre Diablo, era sobre eles.
O tom de Taylor, o jeito como a olhava, o sorriso lento… tudo nele gritava que aquela provocação tinha um significado escondido.
Lila sentiu o estômago revirar, o coração acelerar. Tentou desviar o olhar, mas não conseguiu. Ele era um ímã. Engoliu em seco e respondeu, num sussurro quase inaudível, com a voz falhando levemente:
— Eu… acho que posso lidar com isso.
Taylor ergueu uma sobrancelha, um sorriso lento curvando os lábios, aquele tipo de sorriso que misturava deboche, desejo e provocação. Ele deu dois passos à frente, até ficar próximo o bastante para que Lila sentisse o calor que vinha dele. Os olhos dele não deixavam os dela.
— Vamos ver se consegue mesmo… — murmurou, baixo, num tom que arrepiou cada centímetro da pele dela.
Diablo relinchou suavemente, impaciente, batendo os cascos no chão. Taylor então quebrou o contato visual por um instante, só o suficiente para montar no cavalo. Mas, em vez de tomar as rédeas, olhou para Lila e fez um gesto com a cabeça, chamando-a.
— Sobe.
Lila hesitou por um segundo, respirando fundo, antes de caminhar até Diablo e subir na sela com um movimento rápido, ajeitando-se na frente. Quando seus dedos tocaram o couro das rédeas, percebeu que as mãos tremiam e odiava isso.

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