O silêncio que tomou conta do bar depois da declaração de Taylor parecia congelar o ar por um instante. As conversas diminuíram, os olhares se voltaram para a mesa, e até o som alto da música sertaneja parecia distante para Lila.
O braço dele continuava firme em sua cintura, o corpo colado ao dela, e o calor que vinha dele era quase insuportável. O ponto do pescoço onde os lábios dele haviam tocado ainda queimava, e sua respiração estava descompassada, o coração batendo forte, como se fosse explodir.
Amanda, sentada na ponta da mesa, apertava o copo de cerveja com tanta força que os dedos ficaram brancos. O sorriso que brincava nos lábios era falso, um disfarce mal feito para o incômodo que queimava por dentro.
A garçonete Tatiana voltou à mesa com as cervejas e caipirinhas. Os olhos dela pousaram diretamente em Taylor, mas, dessa vez, não ousou se aproximar demais nem fazer insinuações. Mesmo assim, Lila notou, e o desconforto veio como uma pontada no estômago.
Amanda também percebeu e cruzou os braços, balançando o pé no salto, e o olhar pesado cravado no casal. O ego dela queimava, mas o orgulho a mantinha calada… por enquanto.
Enquanto isso, Lila lutava para controlar o corpo. Sentia o braço de Taylor pesado sobre sua cintura, o calor que vinha dele, o perfume amadeirado misturado ao suor e ao couro. Cada detalhe parecia conspirar contra ela.
Quando pegou o copo de caipirinha, as mãos trêmulas a denunciaram. Taylor percebeu. Abaixou os olhos, observando o gesto, e depois ergueu o olhar para ela com um sorriso lento, provocador.
— Nervosa? — perguntou, com o tom rouco, só para ela.
— Não. — respondeu rápido demais, desviando o olhar.
Ele riu baixo, um som profundo que arrepiou a nuca dela.
— Você é péssima em mentir, Lila.
Catarina, que acompanhava a cena, sorriu balançando a cabeça. Sabia que aquela tensão entre os dois só estava começando.
Catarina se levantou e disse:
— Lila vamos comigo no banheiro?
Lila concordou com a cabeça e se levantou da cadeira. Vários homens cochichavam, riam baixo, e um deles, mais ousado, chegou a assobiar discretamente, encarando Lila e Taylor percebeu.
A transformação foi imediata. O maxilar se contraiu, e os olhos azuis, antes tranquilos, escureceram de um jeito perigoso. Ele largou o copo devagar, como se fosse deliberado, e virou o rosto na direção do homem que parou de assobiar na mesma hora.
O clima ficou denso.
Ninguém queria arrumar confusão com Taylor Remington naquele bar.
Lila, sem olhar para ele, sentiu a mão de Taylor apertar discretamente sua cintura. Um gesto silencioso. Uma promessa implícita de proteção… ou posse. Talvez os dois. Ela desviou o olhar para ele e ele disse:
— Não demora.
Ela respirou fundo e saiu caminhando ao lado da cunhada, contendo um sorriso que ameaçava escapar.
O bar estava cheio, o som da música sertaneja vibrava pelas paredes de madeira, mas Lila mal conseguia prestar atenção. Caminhava ao lado de Catarina, atravessando a multidão até os fundos do bar, onde ficava o banheiro feminino. O piso rangia sob os saltos, e o calor do ambiente fazia o ar parecer mais pesado.
Quando entraram no banheiro, a porta bateu atrás delas, abafando o som da banda. O espaço era pequeno, com um grande espelho manchado na parede e um balcão estreito com duas pias de cerâmica. Um leve cheiro de perfume barato misturado a álcool e sabonete líquido impregnava o ar.
Catarina parou em frente ao espelho, apoiou as mãos na pia e lançou um olhar travesso para a cunhada.
— Hoje você vai atacar o meu irmão. — disse, sem rodeios, com os olhos brilhando de malícia.
Lila arregalou os olhos, quase engasgando com a própria saliva.
— Co-como é que é?! — perguntou, com a voz mais alta do que queria. Olhou para a porta, certificando-se de que ninguém tinha ouvido. — Catarina, você ficou louca?!
Catarina riu, balançando os ombros, se divertindo com o pânico estampado no rosto da loira.

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