O sol já estava alto, iluminando o pátio da fazenda, e o cheiro de café passado na hora misturava-se ao aroma irresistível de bolo de fubá recém-assado. Maria, como sempre, tinha acordado cedo e transformado a cozinha no centro da casa. O ambiente era acolhedor: o chão de madeira rangia levemente, a mesa grande estava posta com geléias caseiras, frutas frescas, cestos de pães, queijo derretendo na tábua e uma jarra de suco de laranja ainda suada de tão gelada.
Lila entrou no cômodo ao lado de Taylor, com os cabelos ainda úmidos do banho, presos de qualquer jeito, e o rosto levemente corado, não apenas pelo calor, mas por motivos que todos ali pareciam desconfiar. Vestia uma blusa branca solta, caída em um dos ombros, e um short jeans curto demais para o olhar atento da família Remington.
Assim que entrou, Catarina, sentada à mesa, ergueu os olhos devagar, e um sorriso lento e malicioso surgiu no canto dos lábios. Ela se recostou na cadeira, cruzando as pernas com calma, deixando bem claro que estava prestes a provocar.
— Bom dia, cunhadinha… — disse, arrastando as palavras de propósito, enquanto tomava um gole do café quente. — Dormiu bem?
Lila parou por um segundo, sentindo o olhar da cunhada cravado nela, e tentou manter a compostura. Puxou uma cadeira com calma, mas o rosto começava a ficar vermelho.
— D-dormi… — respondeu, mexendo distraidamente no cabelo ainda úmido. — E você?
Catarina apoiou o cotovelo na mesa, inclinando o corpo para frente, com um brilho travesso no olhar.
— Eu dormi bem… — disse, deixando a frase em suspense por alguns segundos, antes de completar, com uma piscadela provocante: — Mas tenho certeza que não tão bem quanto você, Lila Montgomery.
O ar pareceu pesar por um instante. Lila engasgou com a própria saliva, tossindo de leve, e Maria, que estava virando os pães de queijo no forno, soltou uma risadinha abafada, tentando disfarçar.
— Oxente, mulher… tá engasgando com o quê? — provocou Maria, virando-se para encarar Lila com um sorriso maroto. — Não fez nada demais pra tá assim, fez?
— M-Maria! — Lila arregalou os olhos, levando as mãos ao rosto, e Catarina riu baixo, aproveitando cada segundo da cena.
Mas quem não parecia achar graça nenhuma era Amanda. Sentada do outro lado da mesa, ela tamborilava os dedos na borda do copo de café, com o olhar distante e os lábios comprimidos. Desde o momento em que Lila e Taylor entraram juntos, o clima entre as duas estava tenso, e o desconforto crescia a cada risadinha de Catarina.
De repente, Amanda largou a xícara com força na mesa, fazendo o som ecoar pelo ambiente, e empurrou a cadeira com um movimento brusco.
— Com licença, já terminei o meu café. — murmurou, com a voz baixa e cortante, antes de se levantar e sair da cozinha com passos firmes, os saltos ecoando pelo corredor.
O silêncio se instalou por um segundo. Maria ergueu as sobrancelhas, Catarina mordeu o lábio para conter o riso, e Lila simplesmente afundou ainda mais na cadeira.
Foi então que Taylor, que estava pegando um copo de suco, ergueu uma sobrancelha, confuso, e comentou com o sotaque carregado e o tom despreocupado:
— Uai… que bicho mordeu ela?
Ele fez a pergunta no mesmo instante em que se aproximou devagar por trás da cadeira onde Lila estava sentada. Em vez de ficar de pé, Taylor se abaixou, alinhando o corpo ao dela, e passou o braço firme ao redor da cintura da noiva, envolvendo-a com aquele calor familiar que fazia o coração de Lila disparar.
Com o rosto colado à altura do ombro dela, ele inclinou levemente a cabeça, deixando os lábios perigosamente próximos da pele úmida e sensível do pescoço dela. Sem nenhuma pressa e sem se importar com quem estava olhando, Taylor depositou um beijo lento e profundo na curva do pescoço de Lila, a barba levemente áspera roçava na pele delicada, causando um arrepio imediato que percorreu todo o corpo dela.
Lila soltou um suspiro trêmulo, e seus dedos apertaram discretamente a borda da mesa, tentando manter a compostura diante dos olhares curiosos. Mas era impossível disfarçar o rubor que subiu pelo rosto, deixando suas bochechas em chamas.
Taylor, percebendo a reação dela, sorriu contra a pele do pescoço e murmurou baixo, quase num sussurro rouco que só ela pôde ouvir:
— Você fica linda assim, corada desse jeito, princesa…
O coração de Lila acelerou ainda mais, e o corpo dela inteiro parecia responder ao toque dele, enquanto Catarina, do outro lado da mesa, observava tudo com um sorrisinho malicioso estampado no rosto.
— Taylor! — ela sussurrou, tirando os braços dele ao redor da sua cintura e olhando discretamente para Catarina, que, claro, estava mordendo o lábio para segurar o riso.
— Porque a Amanda tá mal humorada? Será que a noite com o cowboy no bar não foi boa?

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