O café da manhã ainda estava acontecendo, mas Lila mal conseguia engolir um pedaço de bolo. A cada garfada, o olhar de Catarina parecia pesar sobre ela como se fosse capaz de ler todos os segredos guardados da noite anterior.
Ela tentava manter a compostura, mas o calor no rosto a entregava. Os dedos dela mexiam nervosamente na borda da xícara de café, e, mesmo sem olhar, Lila sentia o sorriso maroto da cunhada brilhando como uma lâmina afiada.
Quando Maria saiu da cozinha para levar uma bandeja de frutas até o alpendre, Catarina não perdeu tempo. Com um movimento rápido, segurou o braço de Lila e sussurrou, quase inaudível:
— Vem cá, princesa Montgomery… — o tom dela carregava travessura, os olhos faiscando de malícia. — Agora a gente vai conversar. Sem plateia.
— Cata… o quê?! — Lila tentou resistir, mas foi inútil.
Catarina puxou a cunhada com firmeza, praticamente arrastando-a pelos corredores da casa, ignorando os protestos abafados de Lila. O piso de madeira rangia sob os passos apressados das duas, e o sol que entrava pelas janelas abertas iluminava partículas de poeira no ar, deixando a cena com um toque quase cinematográfico.
Quando chegaram à varanda, a brisa fresca da manhã bateu no rosto delas, carregando o cheiro do campo misturado ao perfume doce das flores do jardim. A madeira do assoalho ainda estava levemente úmida pelo orvalho, e o som dos pássaros preenchia o ambiente com um fundo leve e acolhedor.
Catarina jogou Lila no banco de madeira, sentando-se ao lado dela com um ar de predadora paciente.
— Agora, sim — disse, cruzando as pernas com elegância. — Vamos conversar…
Lila respirou fundo, tentando se recompor. Mexeu no cabelo úmido, ajeitou a blusa folgada e tentou parecer indiferente. Não funcionou.
Catarina apoiou o cotovelo no joelho, o queixo descansando na palma da mão, e a observou de cima a baixo, o sorriso no canto dos lábios quase cruel de tão provocador.
— Então… — começou, com um tom arrastado, como quem saboreia cada sílaba. — Vai fingir que nada aconteceu?
Lila engoliu em seco, os dedos brincando com a barra da blusa. Tentou olhar para o jardim, para as flores, para o céu… qualquer lugar, menos para os olhos faiscantes da cunhada.
— Eu… não sei do que você tá falando, Catarina — respondeu, com uma inocência ensaiada, mas a voz soou fraca demais para convencer alguém.
Catarina ergueu uma sobrancelha, soltando uma risadinha debochada, antes de se recostar no banco e cruzar os braços.
— Não sabe? Hm… interessante. — fingiu refletir por um segundo, o sorriso crescendo. — Porque… curiosamente… os corredores da casa ainda estão ecoando, Montgomery. Aposto que até os cavalos lá no estábulo sabem o que aconteceu no seu quarto hoje de manhã.
— Cata! — Lila exclamou, com os olhos arregalados, cobrindo o rosto com as mãos. — Cala a boca, pelo amor de Deus!
Catarina gargalhou alto, inclinando o corpo para o lado, quase caindo do banco de tanto rir.
— Não adianta se esconder, minha querida… — disse, limpando uma lágrima de riso do canto do olho, enquanto inclinava o corpo para frente, com um olhar malicioso. — Eu conheço esse seu sorrisinho satisfeito… e esse jeitinho de andar lento, como se tivesse passado a madrugada… digamos… ocupada.
Lila suspirou, mantendo o rosto escondido, e resmungou com a voz abafada:
— Você é impossível.
— E você… — Catarina segurou o queixo da cunhada com dois dedos, forçando-a a encarar o olhar zombeteiro. — é uma péssima mentirosa, cunhadinha.
Lila soltou o ar com força, tentando não sorrir, mas os lábios teimaram em curvar.
— Vai… fala logo — Catarina insistiu, estreitando os olhos com um brilho divertido. — Como foi? Espero que meu irmão tenha sido cuidadoso.
Lila arregalou os olhos, chocada, e bateu no braço da cunhada, rindo nervosa:
— Eu não vou falar sobre isso! — respondeu, balançando a cabeça, tentando escapar do assunto.
— Vai, sim. — Catarina piscou, o sorriso crescendo. — Porque eu sei que você quer contar. Só tô te dando a desculpa perfeita.

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