O sol da manhã derramava tons dourados sobre os campos, pintando o cenário da fazenda com uma luz suave e morna. O vento trazia o perfume fresco do capim cortado, do couro engraxado e do feno seco, e, ao longe, o som dos cascos batendo contra a terra e dos cavalos relinchando criava uma música viva, típica das manhãs no rancho.
Lila e Catarina caminhavam lado a lado pelo caminho de terra que levava até os estábulos. Lila ajeitava os cabelos loiros, ainda um pouco úmidos do banho, e ajustava a blusa folgada na cintura, tentando acompanhar os passos decididos da cunhada, que parecia pertencer àquele ambiente.
— Eu ainda não acredito que você me convenceu a fazer isso… — Lila resmungou, mexendo nas mangas da blusa enquanto olhava em volta.
Catarina, à frente, olhou por cima do ombro com um sorriso malicioso.
— Para, Montgomery… — disse, revirando os olhos. — Você precisava sair um pouco do quarto. Uma boa cavalgada vai te fazer bem. Além disso… — estreitou o olhar, provocando — é ótimo pra circular o sangue.
Lila mordeu o lábio, o rubor subindo às bochechas no mesmo instante.
— Você é insuportável, sabia?
— E ainda assim, irresistível. — Catarina piscou, divertindo-se com a reação da cunhada.
Quando chegaram aos estábulos, o cheiro forte de madeira, couro e terra úmida envolveu Lila por completo. O ambiente estava movimentado, com os peões indo e vindo, ajustando selas, limpando cascos e organizando as baias. Os cavalos estavam inquietos, alguns resfolegando, outros batendo os cascos no chão, como se sentissem a aproximação da manhã quente.
Um dos trabalhadores, Charles, apareceu carregando uma sela, com o chapéu de palha sombreando parte do rosto suado.
— Bom dia, dona Catarina! Bom dia, patroa. — cumprimentou, limpando as mãos na calça antes de apoiar a sela sobre um suporte. — O patrão e o Maurício já saíram, viu?
Catarina assentiu, ajeitando o cabelo preso.
— Eu sei, Charles. Eles foram pra cidade. — respondeu, com naturalidade. — Quero que sele dois cavalos pra nós. O dia está lindo e vamos até o riacho.
— Sim, senhora. — disse ele, já analisando os animais disponíveis. — Posso preparar o Trovoada e o Relâmpago para vocês.
Lila, que mexia nos punhos da blusa, ergueu os olhos rapidamente.
— Não precisa, Charles. — disse, com a voz baixa, mas decidida. — Pode selar o Diablo pra mim.
O peão levantou as sobrancelhas, surpreso, e desviou o olhar para Catarina, como se pedisse autorização.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Catarina soltou uma risadinha.
— Não se preocupe, Charles. — respondeu, com um sorriso divertido. — O Diablo gosta da Lila.
O homem assentiu, embora um pouco relutante, e caminhou até a baia onde estava o imponente garanhão negro.
Assim que Charles se aproximou, Diablo ergueu a cabeça e relinchou alto, as orelhas se mexendo atentas, os músculos tensionando sob o pelo brilhante. O som ecoou pelo estábulo, chamando atenção de todos. Lila, instintivamente, começou a caminhar na direção dele.
Quando ela deu os primeiros passos, Diablo voltou a relinchar, ainda mais alto, e bateu os cascos com força no chão de terra, ansioso, como se estivesse chamando apenas por ela.
Lila parou por um instante, surpresa com a intensidade da reação, mas seus pés continuaram andando, quase como se uma força invisível a atraísse até o animal.
Catarina, que vinha logo atrás, arqueou as sobrancelhas e cruzou os braços, observando tudo com uma expressão incrédula.
— Não acredito… — murmurou, um sorriso divertido surgindo no canto dos lábios. — Esse cavalo tá chamando você?
Lila se aproximou devagar, estendendo a mão com cuidado. Diablo, enorme e imponente, inclinou a cabeça até encostar o focinho no braço dela, bufando de leve, quase como se suspirasse de alívio.
— Oi, grandão… — Lila sussurrou, passando os dedos pelos pelos macios, o coração acelerado com aquela conexão inesperada. — Senti sua falta também.
Diablo resfolegou, quase como se entendesse, e balançou a cauda, satisfeito com o carinho.

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