O caminho de terra que levava ao riacho parecia um convite à calmaria. A trilha sinuosa, ladeada por árvores altas, flores silvestres e campos que se estendiam até onde a vista alcançava, recebia os primeiros raios quentes do sol da manhã. O vento balançava as folhas com suavidade, trazendo o perfume doce das acácias misturado ao cheiro fresco de terra molhada.
O som ritmado dos cascos contra o solo batido criava uma melodia quase hipnótica, e por alguns instantes tudo pareceu tranquilo demais, até mesmo para Catarina.
Diablo, sob o comando de Lila, avançava com passos firmes, obedecendo cada toque sutil da rédea, como se reconhecesse nela alguém que conhecia há muito tempo. Trovoada, o robusto cavalo de Mauricio, seguia logo ao lado, altivo, elegante, imponente.
Por alguns minutos, as duas cavalgaram em silêncio confortável, absorvendo o cenário. Mas quem conhecia Catarina sabia que isso não duraria muito. Ela virou o rosto devagar, os olhos azuis faiscando com malícia, e quebrou o silêncio com um tom provocador, quase inocente demais para não carregar segundas intenções:
— Então… — começou, o sorriso perigoso se formando no canto da boca. — Vai querer fingir que eu não percebi, Montgomery?
Lila, que estava com os olhos fixos na trilha, desviou o olhar, tentando manter o controle da respiração. Ajustou as rédeas, fingindo indiferença, mas o rubor crescendo em suas bochechas a denunciava sem piedade.
— Não sei do que você tá falando, Catarina. — murmurou, tentando soar neutra.
Catarina inclinou-se levemente na sela, arqueando uma sobrancelha com diversão:
— Ah, não sabe? — provocou, a voz carregada de sarcasmo. — Pois eu sei exatamente por que você tá com essa cara de quem foi pega no flagra. — fez uma pausa dramática e abaixou a voz, como se dividisse um segredo proibido. — E o seu jeitinho desconfortável na cela só confirma… meu irmão te deixou dolorida, não foi, princesa?
Lila travou as rédeas com força e fechou os olhos por um instante, sentindo o rosto arder. O corpo inteiro pareceu reagir, denunciando o que ela não queria admitir.
— Catarina! — sussurrou, lançando-lhe um olhar indignado. — Fala baixo, pelo amor de Deus!
Catarina gargalhou, o som leve se misturando à brisa, ecoando pelo campo aberto.
— Relaxa, ninguém tá ouvindo. — respondeu, piscando. — Mas tudo bem… eu vou te poupar… por enquanto.
Lila bufou, mas um sorriso involuntário escapou no canto dos lábios. Tentou manter o foco na trilha, forçando a mente a ignorar a provocação, mas o coração continuava disparado.
Por alguns minutos, o silêncio voltou a reinar, mas era um silêncio denso, carregado de pensamentos. Lila sentiu a garganta secar antes de criar coragem para perguntar o que vinha remoendo há dias. A voz saiu baixa, hesitante:
— Cata… posso te perguntar uma coisa?
Catarina a olhou de lado, percebendo a súbita seriedade no tom da cunhada, e assentiu devagar.
— Claro, pode perguntar.
Lila mordeu o lábio inferior, lutando contra a insegurança, mas acabou soltando de uma vez:
— A Amanda… e o Taylor… eles… já tiveram alguma coisa?
O som dos cascos pareceu ecoar mais forte, preenchendo o silêncio que se seguiu. Catarina endireitou as costas na sela, respirando fundo, e desviou o olhar para o horizonte, onde os campos se encontravam com o céu. Quando falou, a voz saiu firme, sem hesitar:
— Não. — disse, com convicção. — Nunca.
Lila ainda a encarava, tentando ler cada traço de seu rosto. Mas Catarina suspirou, ajustando as rédeas com calma, e continuou:
— Mas… — fez uma pausa, olhando para a trilha à frente. — A Amanda sempre amou o meu irmão. Desde que a gente era adolescente.
O coração de Lila apertou. O ar pareceu mais pesado, como se o vento tivesse perdido a suavidade de antes.
— Sempre? — perguntou baixinho, quase num sussurro.
Catarina assentiu, lançando um olhar rápido para Lila antes de voltar os olhos para o caminho:
— Sempre. As nossas famílias sempre foram próximas. Amanda sempre teve essa paixão escondida pelo Taylor. Só que… — Catarina virou o rosto, encarando-a diretamente, a expressão firme — ele nunca olhou pra ela desse jeito.
Lila baixou os olhos, sentindo o peito subir e descer com a respiração descompassada.
— Então ele nunca… sentiu nada por ela? — perguntou, com a voz baixa, receosa, como se tivesse medo da resposta.
Catarina balançou a cabeça devagar, um sorriso pequeno surgindo em seus lábios.
— Nunca, Lila. — disse, com uma convicção que confortava. — O Taylor sempre foi complicado com sentimentos. Ele gosta de ter o controle de tudo, e você sabe disso melhor do que eu. Mas tem uma coisa que eu posso te garantir… — fez uma pausa dramática, os olhos brilhando com sinceridade — o jeito que ele olha pra você… ele nunca olhou pra mais ninguém.
As palavras ecoaram na mente de Lila. Um calor inesperado subiu pelo peito, misturando alívio e nervosismo. Tentou disfarçar, mas um sorriso tímido escapou, traindo seus sentimentos.
— Deve ser horrível amar alguém e não ser correspondido.
Catarina suspirou fundo, meneando a cabeça em concordância.

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