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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 139

O som ritmado dos cascos de Trovoada ecoava pelo terreiro da fazenda como um prenúncio inevitável. Era um compasso grave, profundo, que parecia trazer em cada batida a antecipação de algo que não podia mais ser contido. O cavalo, com o pelo castanho escuro já úmido de suor, brilhava sob a luz prateada da lua que se erguia alta no céu límpido. O vento, vindo do campo aberto, trazia consigo o cheiro da terra revolvida, da madeira úmida e de flores noturnas que exalavam perfumes discretos. Havia uma densidade no ar, quase sufocante, como se a noite guardasse segredos pesados demais para serem revelados de uma vez.

Maurício puxou as rédeas com firmeza, deixando que Trovoada diminuísse o ritmo aos poucos. Seu coração ainda estava acelerado, martelando contra o peito com a mesma força de quem testemunhou algo que não queria ver. A imagem de Amanda fugindo lhe atravessava a mente repetidas vezes: o rosto manchado de lágrimas, a respiração descompassada, os olhos turvos de alguém que não corria apenas da situação, mas de si mesma. Ele não precisou de explicações. Conhecia Amanda o bastante para saber que a dor dela tinha nome, e esse nome era Taylor. Tentara alertar o amigo, dissera-lhe mais de uma vez que Amanda nutria sentimentos fortes demais para serem ignorados, mas Taylor nunca quis acreditar. Agora, todos pagavam o preço dessa teimosia.

Ao se aproximar do portão lateral da casa grande, Maurício desmontou lentamente. Passou a mão pelos cabelos úmidos de suor, um gesto quase automático, mas que denunciava a inquietação que lhe consumia por dentro. Ele não queria entrar. Não queria encarar Catarina, com seu olhar perspicaz que lia a alma de qualquer um em segundos. Não queria ver Lila, com aquela fragilidade que o deixava desarmado. E, ainda assim, a responsabilidade o empurrava para frente, como se seus pés soubessem o caminho mesmo contra a sua vontade.

Foi então que parou no primeiro degrau da varanda.

A cena diante de seus olhos o fez prender a respiração. As luzes vindas do interior da casa iluminavam suavemente a varanda, espalhando clarões dourados que projetavam sombras longas no assoalho de madeira polida. No banco grande de madeira, aquele mesmo que tantas vezes servia para conversas animadas e risadas nas manhãs de domingo, estavam Catarina e Lila. Mas não havia sorrisos, nem provocações. Catarina, sempre tão afiada, com piadas na ponta da língua, agora estava séria, abraçando a cunhada como quem protege um pássaro ferido.

Lila estava aninhada contra ela, os cabelos loiros desalinhados caindo em ondas soltas sobre os ombros, o rosto parcialmente escondido, mas ainda visível o suficiente para que Maurício percebesse o brilho das lágrimas que haviam deixado marcas recentes. Sua respiração era trêmula, irregular, como se tivesse chorado até esgotar as forças. Catarina mantinha a mão firme nas costas dela, num gesto silencioso que dizia mais do que qualquer palavra: eu não vou deixar ninguém te ferir aqui.

O coração de Maurício se apertou com força. Não era comum ver Catarina daquele jeito, despida da ironia, completamente entregue ao papel de protetora. E ver Lila tão quebrada despertava nele algo perigoso, um instinto que ele sabia não ter direito de sentir. Porque não era seu lugar. Não era sua função. Mas quando os olhos dela, azuis e turvos de lágrimas, se ergueram e encontraram os dele, o tempo pareceu parar. Não havia raiva, nem súplica, nem reprovação. Apenas dor. Uma dor crua, aberta, que atravessou as barreiras que ele tentava erguer dentro de si.

Maurício desviou o olhar rápido, como se aquele contato tivesse o poder de arrancar dele algo que jamais poderia ser revelado.

Foi Catarina quem quebrou o silêncio.

— Onde está o Taylor? — perguntou, com a voz firme, ainda que baixa, mas carregada de tensão.

Maurício respirou fundo, sentindo o peso da pergunta e, ao mesmo tempo, a dificuldade de respondê-la. O nó em sua garganta parecia apertar cada palavra antes mesmo que pudesse pronunciá-la. Ele desviou o olhar, primeiro para o chão de madeira da varanda, depois para as mãos, como se nelas pudesse encontrar a resposta.

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