O jantar naquela noite parecia um peso que ninguém conseguia erguer. A mesa estava posta com todo o capricho de Maria, que tentava disfarçar a tensão enchendo cada espaço vazio com algum cuidado. Ela trouxe uma travessa de arroz soltinho, feijão fresco ainda fumegante, uma carne de panela que exalava um cheiro reconfortante, mandioca cozida com manteiga derretida por cima e salada de folhas temperadas com limão. Ao lado, uma cesta de pães de queijo quentinhos, recém-saídos do forno, perfumava o ambiente, e no centro repousava um prato de doce de leite caseiro, preparado por ela ainda naquela manhã, como se a doçura pudesse adoçar uma noite amarga.
Mas nada parecia quebrar o silêncio que reinava.
Catarina estava sentada ao lado de Maurício, com a cabeça encostada no seu ombro. Taylor tinha mandado um dos seus peões percorrer a fazenda atrás de Amanda e isso de uma certa forma a tranquilizava. Mas jamais iria admitir que ainda estava magoada com Amanda por ter ocultado algo tão sério. Ela sempre soube do seu amor platônico pelo irmão, sempre desconfiou que ela estava por trás do afastamento das garotas de Taylor na faculdade. No início, achava graça, acreditava que era apenas um amor infantil e que com um tempo isso iria passar, mas agora, sabendo que ela e o irmão haviam dormido juntos, toda essa obsessão fazia sentido. Catarina conhecia Amanda muito bem, e sabia que ela jamais se rendia e no fundo, acreditava que ela não aceitaria assim tão fácil.
Desviou os olhos para o irmão e sorriu ao ver a maneira doce e cuidadosa que ele olhava para Lila. Taylor sempre foi um homem reservado e discreto. Ela já tinha tido milhares de mulheres, mas nunca passou de apenas uma noite. Mas, os olhos azuis do irmão brilhavam diferente quando ele olhava para ela. Não iria deixar que esse brilho se apagasse e estava disposta a tudo para proteger esse amor dos dois.
Maurício, percebendo o olhar intenso da namorada, apertou sua mão por baixo da mesa e sussurrou:
— Não se preocupe minha princesa, estamos juntos nessa.
Catarina sorriu e se aproximou do namorado beijando seus lábios e sussurrou:
— Dorme aqui hoje?
Mauricio sorriu e levantou a mão tocando o rosto delicado de Catarina e disse:
— Claro.
Lila, parecia distante. A cabeça baixa, os olhos fixos no prato quase intocado. Com o garfo, ela apenas empurrava pequenos pedaços de carne de um lado para o outro, sem vontade de comer. Cada movimento era automático, desprovido de atenção.
Taylor a observava em silêncio. O garfo dele repousava ao lado do prato, esquecido. Seus olhos azuis estavam cravados nela, atentos a cada sombra que surgia no rosto delicado de Lila. Ele sentia a dor dela como se fosse sua própria, e o coração apertava de um jeito quase insuportável. Mais do que fome, ele tinha a necessidade urgente de fazê-la acreditar que ele a amava e nada mais importava.
Taylor se aproximou de Lila afastando uma mecha de seu cabelo que acabava de cair em seu rosto. Lila levantou o rosto o encarando com intensidade. Ele sorriu e disse:
— Vamos para o nosso quarto?
Lila assentiu e se levantou. Taylor a acompanhou deixando Mauricio e Catarina sozinhos na mesa.
Quando chegaram na frente da porta do quarto, Taylor abriu devagar e Lila entrou primeiro. Quando a porta foi fechada, Lila levou suspirou fundo e disse com os olhos marejados:
— Eu não queria tudo isso, Taylor… — murmurou, quase num sussurro. — Parece que eu estou sempre sendo culpada por coisas que nunca fiz.
Ele se aproximou, envolvendo o rosto dela entre as mãos calejadas. Acariciou sua pele com cuidado, como se cada traço fosse frágil demais para ser tocado.
— Você não tem culpa de nada, princesa. — disse, com a voz firme, grave. — Na verdade, ninguém tem culpa. Quando eu a vi saindo do celeiro correndo, eu fiquei preocupado. Por isso fui atrás dela.
Lila assentiu, um gesto mínimo, quase imperceptível. O peito dela subiu e desceu devagar, como se respirasse por parcelas.
— A Amanda disse que dormiu com você. — afirmou, sem rodeios. — E que você não lembrava. E que mentiu depois.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário