O sol da manhã atravessava as cortinas finas do quarto como fios de ouro, espalhando reflexos suaves pelas paredes claras. A luz se misturava ao ar morno e trazia uma sensação de tranquilidade quase mágica, como se o mundo inteiro tivesse parado só para guardar aquele instante. O silêncio que reinava no cômodo, era um silêncio preguiçoso, sereno, típico das primeiras horas do dia, quando a vida parece despertar devagar e tudo convida a permanecer imóvel, como se qualquer movimento pudesse quebrar o encanto.
Lila foi a primeira a abrir os olhos. Piscou algumas vezes, como quem não acredita na realidade diante de si. Demorou alguns segundos até se situar, não por confusão, mas porque a sensação era boa demais para ser real. Lembrou das coisas que Taylor havia dito e sentiu o coração acelerar. “Por Deus, ela sempre o amou e agora saber que esse sentimento sempre foi recíproco só tornava tudo maravilhoso.”
O corpo dela ainda guardava vestígios da noite passada: músculos relaxados, pele aquecida, um leve cansaço prazeroso. Corou ao sentir uma fisgada na sua intimidade, era normal do jeito que ela e Taylor transaram ontem e de como ele foi… intenso, seria anormal se ela não sentisse nada. Sentiu o corpo esquentar com as lembranças da noite anterior e tudo só piorava com a maneira que o corpo de Taylor estava agarrado ao seu.
Virou-se devagar, com a intenção de não acordá-lo. Taylor estava ali, deitado de lado, o rosto parcialmente coberto por alguns fios rebeldes do cabelo loiro que caíam sobre a testa. O peito largo subia e descia de forma compassada, denunciando um sono pesado e profundo. As linhas do rosto, geralmente marcadas pela dureza, agora estavam suaves, relaxadas, quase infantis. Sem o chapéu, sem o olhar penetrante, sem o ar de cowboy invencível, ele parecia apenas um homem em paz.
Aquilo arrancou dela um sorriso inesperado, doce e quase infantil, como se tivesse descoberto um segredo precioso.
— Meu Deus… — murmurou baixinho, deixando escapar um tom irônico, mas sentindo o coração acelerar sem controle. — O que você está fazendo comigo, Remington?
Os olhos dela desceram pelo corpo dele, coberto apenas por um lençol fino que mal cumpria nada. Um dos ombros musculosos estava exposto, e a cada respiração lenta e profunda o tecido deslizava um pouco mais, revelando a pele bronzeada pelo sol da fazenda, o contorno definido do abdômen, a curva insinuante da cintura. O lençol parecia conspirar contra ela, revelando demais e escondendo de menos. Lila sentiu o rosto esquentar, mordeu o lábio e quase riu sozinha.
— Olha só no que a minha vida se transformou… — sussurrou consigo mesma, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — A garota que jurava nunca se render a um cowboy agora está aqui, deitada do lado de um… e sem conseguir parar de olhar pra ele.
Por um instante, pensou em levantar, vestir-se e ir até a cozinha. Imaginou Maria já de pé, mexendo em panelas, preparando café fresco, pão de queijo quentinho e talvez até um bolo cheiroso. E Catarina, claro, rondando pela mesa, pronta para soltar algum comentário provocador sobre ela e Taylor. Mas… não conseguiu. O corpo se recusava a se afastar. Era como se houvesse uma força invisível, irresistível, prendendo-a àquele peito largo.
Sem resistir, inclinou-se mais um pouco e deixou os dedos deslizarem com delicadeza pelos fios loiros que caíam sobre a testa dele. Acariciou devagar, quase em reverência, como se aquele gesto fosse uma oração silenciosa. Um sorriso suave surgiu em seus lábios, e ela nem percebeu quando o braço dele se moveu.
De repente, a cintura dela foi envolvida com firmeza e o corpo puxado de volta contra ele num único movimento.
— Aonde pensa que vai, senhorita Montgomery? — a voz rouca dele quebrou o silêncio. Era arrastada pelo sono, mas ainda assim carregava um tom divertido, possessivo.
Lila arfou, surpresa, e caiu de volta contra o peito dele, rindo.
— AHH! — exclamou, entre risos. — Taylor, você estava dormindo!
Ele abriu os olhos devagar, revelando o azul turvo, ainda preguiçoso, mas de uma intensidade capaz de roubar-lhe o ar. O sorriso despontou em seus lábios antes da resposta:
— Eu posso estar dormindo… mas sempre sei quando a minha princesa tenta escapar da cama.
— Eu não estava tentando escapar! — protestou, divertida, cutucando o peito dele com o dedo indicador. — Só pensei em… sei lá… tomar café.
— Café? — ele repetiu, fingindo indignação. — Então você ia me trocar por café, Lila?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário