Do outro lado da cidade, Lila havia decidido surpreender o noivo. Depois de passar a manhã com a mãe, entre risadas e confissões, tomou a decisão impulsiva: queria vê-lo em ação, naquele mundo de gravatas e contratos que, embora ele negasse, ainda fazia parte da essência dele. Pediu carona até o centro financeiro e, quando desceu diante do prédio espelhado da Remington Miller Global Holdings, sentiu o coração acelerar.
Era mais do que saudade. Era curiosidade. Era ver o outro lado do seu cowboy em ação. Desde que viu ele pela manhã usando terno e gravata que sentiu o corpo todo arrepiar. Por um momento, pensou em como seria provocá-lo num ambiente que não pertencia a ele, será que ele seria capaz de perder aquela pose de executivo e a possuir como um o cowboy no campo? Mordeu os lábios só por imaginar ela sentada na mesa da sua sala e Taylor no meio de suas pernas.
— Lila, pelo amor de Deus, em que você se transformou?
Os saltos finos ecoavam ritmados contra o mármore do saguão elegante, atraindo olhares discretos dos funcionários. O cabelo solto, perfeitamente penteado, caía sobre os ombros, e o corte impecável do terninho realçava sua postura altiva. Todos ali sabiam quem era Lila Montgomery. A herdeira dos Montgomery e a noiva do herdeiro bilionário.
Ao ser direcionada até o andar da diretoria, Lila ajeitou a barra da saia e respirou fundo. Não esperava o que veria.
Lila entrou no andar mais alto do prédio, onde ficava a presidência da Remington Miller Global Holdings. O carpete espesso abafava o som dos saltos, e o ar tinha o perfume leve de lírios frescos, arrumados em um vaso elegante sobre a recepção. Atrás do balcão, a secretária de seu pai ergueu os olhos imediatamente, abrindo um sorriso caloroso ao reconhecê-la.
— Senhorita Montgomery! — exclamou, com simpatia. — Que surpresa boa. Seu pai está em reunião, mas… o senhor Remington está na cafeteria do primeiro andar.
Lila sorriu em resposta, ajeitando a bolsa no ombro.
— Obrigada. Vou encontrá-lo lá, então.
Despediu-se com elegância e caminhou de volta em direção ao elevador. Cada passo parecia acompanhado: os olhares se voltavam para ela, discretos, mas insistentes. Homens e mulheres a seguiam com os olhos, uns curiosos, outros admirados. Afinal, a herdeira Montgomery sempre chamara atenção — não apenas por seu sobrenome, mas por aquela beleza inconfundível, o tipo de presença que preenchia um espaço antes mesmo de alguém perceber.
O elevador apitou, mas Lila, distraída em pensamentos, decidiu seguir pelo corredor lateral, aproveitando para observar melhor a estrutura moderna que refletia poder e tradição em cada detalhe.
Foi então que dobrou a esquina. E congelou.
O tempo pareceu se arrastar, como se cada segundo se esticasse cruelmente diante de seus olhos.
Taylor estava de pé, encostado em uma das mesas de recepção, a postura relaxada. Ria baixo, aquele riso aberto, raro, que fazia o coração dela derreter sempre que era o motivo. Só que, naquele instante, não era. Não era para ela.
Era para a mulher à sua frente.
Uma morena de cabelos castanhos, impecavelmente alisados, caindo em ondas elegantes sobre os ombros. O blazer ajustado moldava a silhueta, o batom vermelho intenso destacava os lábios, e os olhos verdes faiscavam como lâminas afiadas. Não havia dúvida: confiança escorria de cada gesto dela, e o modo como inclinava o corpo para mais perto de Taylor era íntimo demais para o gosto de Lila.
O coração de Lila disparou, descompassado, como se tivesse levado um soco no peito. O ciúme subiu como fogo, abrasador. Sentiu os punhos se fecharem sozinhos, o maxilar rígido, o estômago revirar.
E então, como um raio atravessando sua mente, veio o pensamento:
— Quem é essa mulher?
O gosto amargo da raiva queimava sua garganta. Tentou raciocinar: “Ele não está fazendo nada demais… ele só está conversando.” Mas, cada vez que via a mulher morder de leve o lábio pintado, inclinando-se para falar mais perto, o controle escapava.
Taylor, distraído, gesticulava com as mãos enquanto contava algo dos tempos de faculdade. Sorria. Sorria como sorria para ela. E isso, para Lila, foi a gota d’água.
Lila permaneceu imóvel por alguns segundos, como se seus pés tivessem se enraizado no carpete luxuoso. Os olhos dela queimavam, acompanhando cada detalhe: o sorriso aberto de Taylor, a inclinação calculada da mulher, a maneira como as unhas pintadas de vermelho tamborilavam na pasta que segurava, como se marcassem território sem precisar de palavras.
Respirou fundo, tentando controlar o tremor que ameaçava subir por suas mãos. Mas o orgulho ferido falava mais alto. Endireitou os ombros, ergueu o queixo e avançou com passos firmes. Os saltos ecoaram pelo corredor como um anúncio de guerra.
A primeira a notá-la foi Chloe. Seus olhos verdes faiscaram, e o sorriso que se formou em seus lábios não foi de surpresa — mas de satisfação.
— Ora… — disse, com a voz aveludada, virando-se levemente para encará-la. — Você deve ser a famosa Lila.
Lila parou diante dela, ignorando completamente a mão delicada que a outra estendia como cumprimento.
— Famosa? — repetiu, com um sorriso frio. — Curioso… porque eu não lembro de ouvir o Taylor mencionar você nenhuma vez.
Taylor piscou, confuso, levando alguns segundos para entender que o ar havia mudado drasticamente.
— Lila? — deu um passo em direção a ela, surpreso. — O que você está fazendo aqui? Pensei que fosse ficar com seus pais até o almoço.
— Eu também pensei. — respondeu, com o olhar cravado nos dele. Cada palavra que dizia era carregada de veneno doce. — Mas parece que atrapalhei a sua… reunião extra.

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