Assim que James e Gabriel se afastaram, o ar pareceu rarefeito dentro da caminhonete. O coração de Lila ainda martelava descompassado, como se quisesse pular do peito e escapar da cena vergonhosa que acabava de protagonizar. Ela deixou escapar um suspiro trêmulo, quase um soluço preso, e se jogou contra o banco do carona, cobrindo o rosto com ambas as mãos.
— Meu Deus… — murmurou com a voz abafada atrás dos dedos, sentindo o corpo inteiro em chamas pelo constrangimento. — Eu nunca mais vou conseguir olhar pro meu pai. Nunca mais, Taylor!
O silêncio de um segundo foi quebrado por uma gargalhada abafada. Taylor, ao invés de se sentir culpado ou preocupado, parecia se divertir com o caos. Com movimentos relaxados, continuou dirigindo como se nada demais tivesse acontecido. Seus olhos azuis faiscavam de satisfação, refletindo um brilho atrevido que só aumentava a raiva e a vergonha de Lila cada vez mais.
— Ah, princesa… relaxa. — A voz grave saiu carregada de um deboche carinhoso. — Não é como se eles não soubessem que a gente se ama.
Lila arregalou os olhos, tirando as mãos do rosto num gesto brusco. O rubor intenso do seu rosto denunciava seu estado.
— Amor?! — repetiu, a indignação tremendo na voz. — Você me fez transar no estacionamento, dentro do carro, e ainda me fez passar a maior vergonha da minha vida!
Taylor deu de ombros, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. O sorriso lento e safado se formou em seus lábios, e a mão livre escorregou até repousar na coxa dela. Acariciou-a com a ponta dos dedos, em movimentos circulares que a deixaram ainda mais desconcertada.
— E você gemeu tão alto que até os cavalos lá da fazenda devem ter escutado. — completou, rindo baixinho.
— Taylor! — ela quase gritou, dando um tapa no braço dele, mas o gesto soou mais como um carinho nervoso do que uma agressão. A boca dela tremia entre um sorriso involuntário e um resmungo indignado.
Ele virou a direção, guiando pela estrada rumo de volta a fazenda. Depois de uns segundos, Taylor se inclinou um pouco, aproximando-se do ouvido dela.
— Quer saber? Eu tô até orgulhoso. Se ainda restava alguma dúvida de que você é minha, hoje você deixou isso claro até pros nossos pais.
Lila bufou, virando o rosto para a janela e cruzando os braços sobre o peito. Mas a pele dela ainda formigava, denunciando o quanto aquelas palavras mexiam com ela.
— Eu devia te matar. — disse com um fio de voz, sem encarar.
Taylor mordeu o lábio inferior, rindo do atrevimento dela, e devolveu:
— Pode até tentar, princesa… mas antes vai ter que sobreviver a mais uma noite comigo. E da próxima vez, sem testemunhas.
O silêncio tomou conta por alguns segundos. O único som era o ronco do motor e o bater do coração dela, que insistia em correr. Quando percebeu, um sorriso teimoso já tinha nascido em seus lábios, mesmo contra a própria vontade.
— Não pense que eu me esqueci de sua amiguinha. — ela disparou de repente, quebrando a falsa calma.
Taylor piscou, confuso.
— Amiguinha?
— Chloe. — respondeu, seca. — Você realmente acha certo a maneira que ela olhava pra você?
Ele soltou o ar, quase rindo.
— Lila, eu e a Chloe nunca tivemos nada.
— Não tiveram porque você nunca quis. — rebateu de pronto, com os olhos faiscando.

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