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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 164

Lila deu um passo à frente, apontando o dedo para o peito de Taylor, como se o mínimo vacilo pudesse virar confissão. A luz morna do fim de tarde entrava pela janela da sala e desenhava faixas douradas sobre o assoalho de madeira, iluminando o cenário que, em segundos, prometia virar um pequeno tribunal doméstico. Catarina, no limiar entre a varanda e a sala, cruzou os braços com pose de juíza e franziu as sobrancelhas, claramente se divertindo mais do que deveria. O perfume de café recém-passado vinha da cozinha como uma pontuação irônica para a tensão que se acumulava no ar.

— Nem pensa em abrir essa boca, Remington! — Lila sibilou, sem mover um músculo além do indicador que cutucou o peito dele uma, duas vezes, para selar a ameaça.

— O que aconteceu “no carro”? — Catarina repetiu, um sorriso mal disfarçado crescendo nos lábios. — Vamos, confessa. Em nome da ciência.

— Ciência? — Taylor ergueu uma sobrancelha, teatral. — Acho que foi mais… prática de campo.

Lila girou o pescoço tão rápido que até o brinco tilintou.

— Taylor!

Foi quando Maria apareceu no batente da cozinha, usando um avental florido, segurando uma colher de pau numa mão e o pano de prato pendurado no ombro como uma toga. Os olhos, sempre afetuosos, brilharam com uma curiosidade que ela nem tentou esconder.

— No carro? — ela repetiu, confusa.

Lila fechou os olhos por um segundo, pedindo força aos santos e a qualquer outra entidade que aceitasse casos de humilhação pública.

— Não foi nada… — começou, sem convicção.

— Santa Nossa Senhora da Conceição! — Maria se benzeu, largando a colher sobre o fogão e encostando as mãos nas bochechas, dramática. — Vocês dois não têm vergonha, não? Imagina se alguém vê!

— Alguém viu. — murmurou Taylor, num fio de ironia que só Lila percebeu. O canto da boca dele subiu num sorriso perigosamente satisfeito. — E não foi “alguém” qualquer.

— Taylor! — Lila repetiu, agora num tom que misturava súplica e ameaça.

Catarina mordeu o lábio para não rir, falhando miseravelmente em seguida. Deu dois passos para dentro, batendo palmas baixinho como quem chama o elenco para o palco.

— Vamos, vamos, estamos entre família. — Ela fez um gesto teatral para o sofá. — Podem se sentar e relatar os fatos. Minuto a minuto, se possível.

— Não vai ter relato nenhum! — Lila rebateu, arregalando os olhos. — Eu já passei vergonha demais por hoje.

Taylor aproveitou o momento para livrar-se da última formalidade do dia: tirou o relógio e o pousou sobre o aparador, apoiando um ombro na parede com o corpo inteiro irradiando aquele desleixo charmoso que fazia Lila ranger os dentes. Ele falava com a calma de quem tem todo o tempo do mundo, mas os olhos, azuis e intensos, observavam Lila como se a conhecessem em camadas, como se soubessem exatamente até onde ela suportaria, e desejassem testar a borda.

— Ah, pequena… — ele começou, baixinho, só para ela. — Se você não contar, eu conto.

— Nem ouse! — Lila avançou um passo, e o indicador voltou a perfurar o peitoral dele, agora sem dó. — Eu juro que te mato.

— Mais um crime passional pra lenda da família — Catarina comentou, além de contente. — Maria, pega a pipoca.

— Pipoca eu não tenho, mas tenho bolo de fubá — Maria respondeu, já desaparecendo na cozinha. — E café. Que é pra acalmar os nervos, embora eu duvide que adiante.

Lila respirou fundo, tentando reorganizar o caos dentro dela. A vergonha pelo flagrante, a raiva por Chloe, o desejo ainda pulsando teimoso embaixo da pele, e aquele perfume de Taylor, madeira e sol, que insistia em puxá-la para perto quando ela queria empurrá-lo para longe.

O problema de Taylor Remington é que o corpo dele parece ter assinatura em braile na pele dela: bastava a proximidade para acender memórias recentes, e as pernas, traidoras, já ficavam um pouco moles.

— Foi rápido? — Catarina perguntou, sem qualquer filtro. — Foi demorado?

— Cata! — Lila quase engasgou. — Eu não vou responder isso.

Taylor baixou o queixo, com os olhos semicerrados num riso que vinha tanto da boca quanto do peito.

— Só posso dizer uma coisa… — A voz saiu muito grave, vibrando no espaço pequeno entre eles. — Não foi nada rápido.

— Ave Maria! — Maria reapareceu com a bandeja, colocou o bolo sobre a mesa e, antes de se benzer outra vez, deixou escapar uma gargalhada cristalina. — Vocês dois não tem juizo.

Catarina bateu palmas, cúmplice até a última célula.

— Eu sabia! Eu sabia! — Ela apontou para Lila como quem revela um segredo há muito suspeitado. — Vocês dois são dois pervertidos.

Lila, ruborizada até as orelhas, desviou o rosto. Desejou poder desaparecer dentro da própria blusa, ou virar uma laranjeira do quintal. Qualquer coisa menos uma mulher exposta diante da arquibancada familiar. Mas, quando o hálito quente de Taylor roçou o ouvido dela, cada célula esqueceu a plateia.

— E se você continuar me provocando desse jeito, pequena… — ele murmurou, grave, com a voz entrando nela como um arrepio — vai ter sessão dois, aqui mesmo.

O mundo suspendeu por um piscar de olhos. Lila não tinha certeza se era raiva, vergonha ou o outro sentimento que subiu primeiro. O fato é que ela fechou os olhos, tragou em seco e respondeu da única forma que sabia quando estava prestes a perder o controle: explodindo.

— Taylor Remington! — O nome inteiro, pontudo, atravessou a sala. Ela o encarou, com os olhos faiscantes, e as mãos na cintura como pequenas adagas. — Você é um idiota!

Ele não recuou. Não pediu desculpas. Apenas ergueu a sobrancelha com a mais imperceptível das vitórias, como se acabasse de marcar o ponto decisivo de um jogo que só eles entendiam.

Lila o olhou por um tempo que, medido em segundos, foi curto, mas que, medido em coisas que importam, valeu por todo o caminho de volta da cidade. Havia raiva? Havia. Ciúme? Muito. Vergonha? Absoluta. Mas também havia aquele fio tenso que ligava a boca dela ao peito dele, atravessando o ar, invisível, teimoso. E Lila sabia, como se já tivesse escrito com a própria mão, que aquele fio não se romperia por causa de uma Chloe qualquer.

— Uma última coisa… — ela disse, pousando a xícara e o tom de sua voz mudando. — Se eu voltar a ver aquela menina rondando você como mosca em doce, Remington, eu juro que…

— Que me mata? — ele completou, inclinado, o sorriso mais suave agora, quase terno.

— Que mato os dois. — ela retrucou, mas o brilho nos olhos a entregava.

Taylor aproximou-se um meio passo, o suficiente para que o perfume de sol dele voltasse a embriagá-la. O canto da boca ergueu-se, num risco de promessa e provocação.

— Então melhor eu me comportar. — disse, e o “melhor” veio revestido de tudo o que ele não pretendia cumprir.

Maria ergueu o pano de prato como bandeira branca.

— Chega, chega, agora tratem de tomar o café antes que ele esfrie. — E sorriu, cúmplice.

Catarina riu alto, e Lila, enfim, deixou escapar um riso também, meio desigual, meio rendido. A raiva não tinha ido embora, mas aprendeu a dividir espaço com a alegria e com o desejo, que morava na casa há tempos e não pretendia se mudar.

Taylor piscou devagar, como quem agradece sem palavras. E Lila, que conhecia cada sílaba muda dele, entendeu.

— Idiota. — repetiu, só para selar a cena.

— O seu idiota. — ele corrigiu, com insolência doce.

— Nem um pingo.

— Um oceano.

— Convencido.

— Todo seu.

Lila sorriu e começou a degustar o bolo de fubá, não podia negar ela amava esse ogro, pervertido e apenas seu.

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