O corredor parecia se alongar infinitamente, cada passo ecoando como um compasso ritmado que anunciava sua chegada. Taylor caminhava decidido, sem pressa, mas com uma firmeza que denunciava a posse silenciosa que carregava nos braços. Atrás deles, as risadas da família ressoavam como um coro distante, misturando-se com o ranger suave do assoalho antigo e o aroma de madeira encerada que impregnava a casa. Mas nada daquilo o afetava; ele atravessava aquele trecho como se só existisse ela e o peso doce que carregava junto ao peito.
Lila estava aninhada em seus braços, os cabelos desarrumados roçando o queixo dele. Tentava esconder o rosto corado contra o peito largo, mas o sorriso manhoso que brincava nos cantos dos lábios a entregava. Era um sorriso que dizia sem palavras o quanto ela adorava aquela cena, aquele gesto, aquele homem. Era como um segredo partilhado só entre os dois.
— Eles estavam rindo de mim… — murmurou baixinho, a voz abafada pelo tecido da camisa dele, um som quase tímido, quase criança.
— Não. — ele corrigiu, firme, a voz grave como um trovão contido. Ao mesmo tempo, inclinou-se ligeiro para beijar-lhe a testa, um toque quente e possessivo que fez os ombros dela relaxarem. — Estavam rindo de mim.
— Por quê? — ela insistiu, erguendo um pouco o rosto, o olhar curioso escondendo o rubor.
Ele sorriu de canto, aquele sorriso insolente e sem constrangimento que só ele sabia dar. — Porque eles sabem que eu fui laçado. — disse, sem perder o tom calmo. — E eu não quero me soltar nunca mais.
As palavras bateram dentro dela como uma onda quente. O coração de Lila disparou, acelerado, e ela sentiu a respiração falhar por um instante. Quando ele empurrou a porta do quarto com o ombro, o clique suave soou como um sinal de que, dali em diante, o mundo era só deles. Ele a deitou com cuidado sobre a cama, os lençóis macios engolindo o corpo pequeno dela. Lila suspirou fundo, mergulhando no conforto daquelas cobertas.
— Melhor? — ele perguntou, ajeitando o travesseiro dela com uma delicadeza que contrastava com as mãos grandes e calejadas.
— Melhor agora que você tá aqui. — ela confessou, esticando a mão para puxá-lo pela camisa, o toque insistente nos dedos pequenos. — Não me deixa.
Taylor sentou-se ao lado dela, o colchão cedendo sob seu peso. Passou os dedos devagar pelos fios de cabelo bagunçado dela, desenhando carícias distraídas.
— Eu não vou a lugar nenhum, princesa. — disse baixo, mas com uma certeza que fez o estômago dela se apertar de calor.
Ela abriu um sorriso preguiçoso, um brilho maroto no olhar. — Sabe o que eu quero?
— Hm? — ele arqueou uma sobrancelha, divertido.
— Que você deite de conchinha comigo até eu dormir. — pediu, quase num sussurro, a voz carregada de ternura.
Por um instante, Taylor ficou em silêncio. O canto da boca subiu devagar, formando aquele sorriso provocador que fazia os joelhos dela tremerem.
— Princesa… se eu deitar de conchinha com você, vou querer fazer outra coisa.
Lila arregalou os olhos, o rubor tomando-lhe o rosto inteiro, mas logo o empurrou de leve no peito, rindo com um misto de nervosismo e diversão.
— Taylor, seu tarado!
Ele inclinou-se, aproximando os lábios do ouvido dela, a voz descendo alguns tons até ficar grave e baixa, um roçar quente que arrepiava cada pelinho de sua nuca.
— Ah, vai dizer que você não quer que eu cuide de você desse jeito também?
Ela mordeu o lábio, tentando disfarçar o calor que subia.
— Eu… eu quero que você cuide de mim como meu enfermeiro particular. Nada de malícia. — respondeu, tentando soar firme, mas saindo frágil demais para convencer.
Taylor riu baixo, um som rouco, e beijou o ombro dela com carinho.
— Difícil prometer isso, princesa. Você toda dengosa desse jeito é a maior tentação que existe.
Ela o abraçou pelo pescoço, os braços finos apertando-o num gesto fingidamente indignado.
— Eu não acredito que você consegue ser tão romântico e tarado ao mesmo tempo.
— Isso se chama ser um cowboy completo. — ele rebateu, com humor debochado, roubando um beijo rápido da boca dela. — Agora decide: quer conchinha inocente ou conchinha perigosa?
— Conchinha inocente… — ela respondeu, mas logo sussurrou contra os lábios dele, num tom que fazia promessas. — Pelo menos por enquanto.

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