A varanda ainda estava tomada pelo aroma de café e pão de queijo, com risadas, provocações e as avós afiando a língua sem piedade. Mas, no meio da algazarra, Maurício pigarreou, desviando os olhos para Taylor.
— Ei, cowboy… que tal dar uma volta comigo? — perguntou, meio sem jeito.
Taylor arqueou a sobrancelha, curioso.
— Uma volta? Agora? — ele riu, cutucando o ombro do cunhado. — Vai me sequestrar pra fugir da vovó?
Maurício sorriu sem graça.
— Se você continuar provocando, eu até penso nisso. Mas é sério. Preciso conversar contigo.
Taylor, ainda rindo, levantou-se e ajeitou o chapéu na cabeça.
— Tá certo. Vamos, então.
Os dois desceram os degraus do alpendre e seguiram pelo caminho que levava ao pasto, sob a luz dourada do entardecer. O som das vozes animadas da varanda ia ficando distante, substituído pelo canto dos grilos e pelo farfalhar leve das árvores ao redor.
Depois de alguns minutos em silêncio, Maurício respirou fundo, enfiou a mão no bolso da calça jeans e tirou um pequeno estojinho de veludo já gasto pelo tempo. Abriu-o com cuidado, revelando um anel dourado, simples, mas delicado, com uma pedra clara e discreta no centro. O sol poente fazia a joia brilhar de forma suave.
Taylor parou, observando com atenção. Seus olhos, normalmente cheios de sarcasmo e malícia, suavizaram-se num brilho orgulhoso.
— Esse aí… — murmurou. — É bonito, Maurício.
Maurício passou o polegar sobre a pedra, como se acariciasse uma memória.
— Foi da minha mãe. A única lembrança que eu tenho do meu pai. Ele deu a ela pouco antes de… bem, antes de nos deixar. — a voz saiu embargada, mas firme. — Eu guardei esse anel a vida inteira. Nunca pensei que fosse ter coragem de usá-lo para algo tão importante.
Taylor sorriu de canto, balançando a cabeça devagar, claramente tocado pelo gesto.
— Você é um homem de sorte, Maurício. Não pelo anel, mas por saber o valor que ele carrega.
Maurício ergueu os olhos, nervoso, e perguntou em tom baixo:
— É simples… mas tem um significado. Você acha que a Catarina…?
Antes que ele terminasse a frase, Taylor largou o chapéu para trás e pousou as mãos firmes sobre os ombros do cunhado, obrigando-o a encarar seus olhos azuis.
— Maurício, escuta aqui. — disse, num tom grave, mas carregado de carinho. — Minha irmã te ama mais do que tudo. Ela só quer ficar ao seu lado. Não importa se o anel é de diamantes, de ouro puro ou uma pedra tirada do rio. Para ela, o que importa é você.
Maurício piscou rápido, tentando disfarçar a emoção. O sorriso foi brotando devagar em seu rosto, sincero e aliviado.
— Eu precisava ouvir isso…

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