Maurício permaneceu em silêncio por alguns segundos, as palavras de Taylor ecoavam como marteladas firmes dentro de sua mente. Cada sílaba tinha sido um golpe contra o medo que ele vinha alimentando havia meses, talvez anos. O nervosismo ainda latejava em seu peito, como um cavalo bravo relinchando dentro da sela, mas agora havia algo diferente, uma pontada de coragem, uma fagulha que queimava devagar, mas que estava ali, insistente.
Taylor, percebendo o peso do momento, deu um leve empurrão no ombro do cunhado, voltando ao tom provocador que usava como escudo para não se deixar abalar demais pela seriedade.
— Além disso, você viu a cara da Catarina? — disse, com aquele meio sorriso carregado de malícia. — Aquela mulher já disse “sim” umas mil vezes sem nem perceber. Só tá esperando você ter coragem de fazer a pergunta.
Maurício não pôde evitar sorrir de canto, balançando a cabeça devagar. O coração ainda batia descompassado, mas aquela frase tinha entrado fundo.
— Você fala como se fosse fácil. — retrucou, a voz embargada, mas com um tom de rendição.
Taylor, porém, não vacilou. Endireitou o corpo, os olhos azuis faiscando sob a luz dourada do entardecer, e respondeu com firmeza:
— Não é. — disse, num tom grave que carregava experiência. — Mas vale a pena.
O amigo respirou fundo, com os olhos marejados sem que ele quisesse admitir. O medo e a dúvida ainda estavam ali, mas agora se misturavam com uma decisão que começava a ganhar forma. Pela primeira vez naquela noite, parecia que ele aceitava o inevitável: ou teria coragem, ou passaria a vida se arrependendo.
Taylor ajeitou o chapéu na cabeça com um movimento lento e calculado, e piscou para ele com cumplicidade.
— Então, vai ficar aqui se escondendo ou vai começar a planejar como surpreender a Catarina?
Maurício riu nervoso, passando a mão pela nuca, como quem não sabia se ria ou chorava. E, num sussurro carregado de verdade, admitiu:
— Talvez esteja na hora de parar de enrolar.
Taylor sorriu satisfeito, aquela satisfação de quem vê um plano começando a dar certo, e antes de começar a caminhar de volta para a casa, lançou a provocação final:
— Boa sorte, parceiro. Mas se demorar demais… a vovó mesma marca a data.
Os dois riram, mas Maurício sabia que, por trás da brincadeira, havia mais verdade do que ele gostaria de admitir.
Assim que voltaram a pisar nos degraus do alpendre, a cena parecia congelada no tempo, como se nada tivesse mudado: as duas avós, Magnólia e Fiorella, ainda em suas cadeiras de balanço, com os olhos brilhando de malícia e a língua afiada como sempre; Maria correndo de um lado para o outro com a bandeja de café e pão de queijo, alimentando a todos como se fosse uma tropa inteira de peões; e Lila, ainda corada, tentando desesperadamente se misturar na conversa para não ser provocada novamente.
Catarina estava rindo de algo que Magnólia acabara de dizer, os olhos iluminados pelo humor e pelo carinho que sempre transbordavam dela. Mas, assim que viu Maurício ao lado de Taylor, o sorriso desapareceu em frações de segundo. O olhar se estreitou, desconfiado.
— Ué… e vocês dois sumiram pra onde? — perguntou, arqueando as sobrancelhas, como quem já pressentia que havia algo por trás daquele silêncio conspiratório.

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