Lá fora, o sol já começava a romper entre as nuvens, banhando a praça com um brilho dourado. As risadas das crianças se espalhavam pelo ar como uma melodia leve, e Taylor ainda observava a cena com aquele sorriso distraído quando algo chamou sua atenção.
Uma menininha de uns cinco anos vinha correndo na direção da venda, os cabelos loiros presos num rabo de cavalo desalinhado, o vestidinho florido balançando a cada passo. Os olhos, de um verde tão claro que lembravam as folhas novas na primavera, brilhavam de alegria pura.
— Tio Taylooor!
Taylor mal teve tempo de reagir. De repente, um pequeno foguete de doçura se lançou contra ele, e ele se abaixou de imediato, pegando-a no colo com facilidade, girando uma volta no ar antes de abraçá-la com firmeza.
— Ora, se não é a minha mocinha preferida. — Disse, pegando-a no colo. — Cê cresceu mais rápido que pasto em época de chuva!
A menina agarrou o pescoço dele com os bracinhos finos.
— Mamãe diz isso o tempo todo. — respondeu, ofegante de empolgação. — Eu vi a caminhonete e vim correndo!
Maurício, encostado no carro, observava a cena com um sorriso divertido.
— Rapaz… você tem fã-clube até entre as crianças.
— E dos bons, viu? — respondeu Taylor, ajeitando o chapéu e dando um beijinho na bochecha da menina. — Essa aqui é a Estelinha, filha da Clara, lá da mercearia.
A menina, toda orgulhosa, acenou para Maurício.
— Oi, moço!
— Oi, princesa. — respondeu ele, encantado. — Você gosta muito do tio Taylor, né?
— Gosto sim! — disse ela, sorrindo. — Ele me deu um cavalinho quando eu era pequenininha!
Taylor riu, lembrando.
— Era um cavalinho de madeira, lembra? — disse, fingindo espanto. — E você pintou ele todinho de rosa e purpurina!
— Ficou lindo! — garantiu ela, cruzando os bracinhos e franzindo o nariz, fingindo bravura.
— Quando vai me deixar montar em Diablo?
— Diablo é um cavalo mal humorado. Ele só deixa eu montar nele, pode montar no Trovoada, se quiser.
—Oba, tio Taylor!
O silêncio se espalhou por um instante, e alguns dos presentes assentiram discretamente. Na frente da mercearia, uma mulher de cabelos castanhos, a mãe da menina, observava a cena com olhos marejados. Era Clara, a moça da mercearia da esquina. Alguns anos antes, ela tinha passado por maus bocados, o marido a deixou grávida, sem casa nem recursos. Foi Taylor quem ajudou: arrumou abrigo, trouxe comida, e chamou o médico da fazenda quando a menina nasceu fraca.
A pequena apertou o pescoço dele com força.
— Eu disse pra mamãe que você é um herói.
Taylor deu uma risada leve, emocionada.
— Herói nada, docinho. Só fiz o que qualquer amigo faria.
Mas os olhos dele brilhavam de um jeito diferente, profundo. Ele afagou os cabelos da menina e a devolveu para os braços da mãe, que se aproximou em silêncio.
— Obrigada, Taylor — disse Clara, com voz baixa. — Se não fosse você, eu…
— Shh — interrompeu ele, pousando a mão no ombro dela. — O que importa é que vocês tão bem. E essa mocinha aqui vai dar trabalho pros rapazes quando crescer, viu?
A menininha sorriu, envergonhada, e escondeu o rosto no colo da mãe, se despediu e sairam. O povo acompanhou a cena com olhares ternos. Maurício, do outro lado, observava em silêncio, um sorriso se desenhando.
— Tá vendo, parceiro? — murmurou ele, quando Taylor voltou pro balcão. — O jeito que seus olhos brilharam agora… Nem quando você fala da Lila eles brilham tanto.
Taylor franziu a testa, mas não conseguiu esconder o sorriso.
— Não sei se tô preparado. — respondeu, num tom sereno. — Mas sei que, se um dia acontecer, esse filho vai ter o melhor de nós dois. — Virou-se para Maurício e completou, rindo: — Quer dizer, o melhor dela e o que sobrar de mim.
O cunhado gargalhou, batendo de leve no ombro dele.
— Tá vendo só? Até pra ser pai você já arrumou desculpa pra parecer modesto.
Taylor piscou, rindo junto.
— Não é modéstia, parceiro. É só que eu conheço a mulher que tenho. Se um dia ela me der um filho… bom, aí o mundo que se prepare. Vai nascer teimoso, com gênio difícil e com aquele olhar que faz a gente perder o rumo.
— Igual ao pai, então. — provocou Maurício.
— Pior. — respondeu Taylor, divertido. — Porque se puxar pra ela, vai ser impossível dizer “não”.
O silêncio que veio depois foi leve, confortável, cheio de significado. Lá fora, o sol atravessava as nuvens, iluminando o rosto de Taylor com um brilho quente. Ele sorriu outra vez, mais largo agora, com o olhar distante.
— Sabe, Maurício… eu nunca pensei que ia querer isso. — confessou, com um meio sorriso. — Mas agora… não sei. Acho que um pedacinho da gente correndo por aí não seria nada mau.
Maurício assentiu, com o olhar suave.
— É, cowboy… parece que o amor te fez sonhar alto.
Taylor riu, ajeitando o chapéu e piscando.
— Pode ser. Mas se for sonho, espero que nunca acabe.
E ficou ali, por mais alguns segundos, olhando para a praça com o coração leve, o sorriso sincero, e aquela sensação doce de que, talvez, o destino ainda guardasse mais uma bênção no caminho dele e de Lila.
E talvez esse sonho já esteja bem próximo de se tornar realidade…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário