Maria se virou e por um momento se lembrou da cena de logo cedo e corou.
Pensando em mudar de assunto, Lila se levantou e foi até a geladeira, abriu a porta e começou a remexer nas prateleiras.
— Pronto. Agora vocês vão ver o que é talento criativo. — anunciou, triunfante.
Catarina arregalou os olhos ao vê-la tirar um pote de goiabada, um restinho de maionese caseira e um pedaço de queijo coalho.
— Peraí… você não vai misturar isso tudo, vai? — perguntou, já fazendo cara de nojo.
— Claro que vou! — respondeu Lila, animada. — É o doce da goiaba, a cremosidade da maionese e o sal do queijo. É um trio de respeito!
Maria quase deixou a colher cair de novo.
— Misericórdia, menina! Isso é sobremesa ou feitiçaria?
Lila ignorou as críticas e começou a montar a “obra de arte” num prato. Passou uma camada generosa de maionese, colocou cubinhos de queijo coalho e cobriu tudo com goiabada derretida. Catarina olhava a cena horrorizada.
— Lila! Isso parece uma experiência científica, não uma sobremesa!
Lila deu uma garfada, provou e fechou os olhos com prazer.
— Hummm… perfeito. Doce, salgado e cremoso. É tipo… um casamento de sabores!
— Casamento de sabores? — repetiu Catarina, incrédula. — Se isso for casamento, eu peço o divórcio agora.
Maria, por outro lado, a observava com o cenho franzido e um ar pensativo.
— Hmmm… comer mistura estranha assim, de repente… — murmurou, meio para si mesma. — Será que essa moça tá…?
Catarina se virou para ela.
— Tá o quê?
Maria baixou a voz, conspiratória.
— Grávida…
Lila tossiu tão forte que quase engasgou com o pedaço de queijo.
— O quê?! — exclamou, engasgada entre o riso e o susto. — Maria, pelo amor de Deus!
Catarina arregalou os olhos, depois caiu na gargalhada.
— Ai, meu Deus do céu, não! Agora tudo faz sentido! O apetite, as misturas, o tesão exagerado … A fazenda vai ter um herdeirinho cowboy!
Lila arregalou os olhos, engasgada entre o susto e o riso nervoso.
— O quê?! — tossiu, batendo no peito. — Maria, pelo amor de Deus, não fala uma coisa dessas assim, de repente!
Maria deu um passo pra trás, dramática, com a colher ainda erguida como se fosse uma varinha mágica.
— Ué, eu só disse o que pensei! Mulher que começa a misturar goiabada com maionese e queijo coalho tá com o paladar bagunçado. É isso, minha filha, é o primeiro sinal de bênção no ventre!
— Bênção?! — repetiu Lila, quase sem voz, entre o espanto e o riso nervoso.
Catarina, que até então ria da confusão, parou de repente. O sorriso travesso deu lugar a uma expressão mais curiosa, com os olhos se estreitando em observação.
— Olha… pra falar a verdade, eu já estava desconfiada.
Lila se virou para ela, confusa.
— Desconfiada? De quê?
Catarina cruzou os braços, inclinando o corpo para frente com aquele olhar de irmã mais velha que sabia mais do que dizia.
— Ué, Lila… você anda com um brilho diferente. Vive rindo à toa, suspirando, comendo o tempo todo, devorando o meu irmão com os olhos… — Lila corou. — Não me engana, não. Isso é sintoma clássico.
Lila ficou imóvel por um instante, com o garfo parado no ar.
O coração, antes leve e brincalhão, de repente pareceu bater mais forte, como se tentasse confirmar o que elas diziam.
— Vocês são malucas… — murmurou, tentando rir, mas a voz saiu fraca.
Maria se aproximou devagar, com o olhar marejado.
— Maluca, não. Experiente. Eu já vi esse olhar antes, menina. — disse, com a voz tremendo de emoção. — É o mesmo brilho que eu vi no rosto da minha irmã quando descobriu que estava esperando o primeiro filho.
Lila baixou o olhar para o prato à sua frente. De repente, a goiabada, a maionese e o queijo perderam importância. Um nó se formou em sua garganta. Ela levou a mão ao ventre, num gesto quase inconsciente, e um sorriso delicado começou a se formar em seus lábios.
— Não… — murmurou, a voz embargada. — Não pode ser…

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