O som do motor da caminhonete cortou o ar da manhã, misturando-se ao canto dos galos e ao farfalhar das árvores que cercavam a varanda. Lila ergueu o rosto imediatamente, os olhos brilhando como se já soubessem quem vinha aí.
— Ele chegou! — exclamou, levantando-se num pulo.
Maria mal teve tempo de se virar, ainda segurando a colher de pau.
— Ave Maria, essa moça tá mais elétrica que gato em telhado quente! — disse, balançando a cabeça, divertida.
Catarina deu uma risada alta, apoiando o cotovelo na mesa.
— Olha o sorrisinho dela, Maria… parece até que vai ver o amor da vida pela primeira vez.
Lila revirou os olhos, mas o rubor nas bochechas entregava tudo.
— Cala a boca, Catarina.
— Eu não disse nada! — respondeu a cunhada, disfarçando o riso.
O barulho de botas ecoou pela varanda e, logo em seguida, a porta se abriu. Taylor surgiu no batente com o sol às costas, o chapéu inclinado e aquele sorriso preguiçoso que fazia qualquer um esquecer a hora.
— Bom dia, minhas damas. — saudou, com a voz rouca e arrastada. — Que cheiro bom é esse?
Lila endireitou-se num salto, mas o movimento só serviu para atrapalhar. A colher escorregou, o prato balançou, e uma parte da “mistura inusitada”, um improvável casamento de queijo, doce de leite e goiabada, quase voou pela mesa.
Maria suspirou alto, resignada.
— Pronto. Agora ele vai ver o crime culinário ao vivo.
Taylor arqueou uma sobrancelha, curioso.
— Crime culinário? — perguntou, rindo. — Agora fiquei interessado.
— Nada disso! — respondeu Lila rápido, empurrando o prato para trás. — É só… um café da manhã diferente.
Maurício entrou logo atrás, gargalhando.
— Diferente é pouco, rapaz. Isso aí parece sobremesa feita no escuro.
Catarina bateu de leve nele com o pano de prato.
— Deixa Lila em paz, Maurício. — disse, sorrindo. — Vai que ela vira chef famosa e a gente queima a língua.
Taylor aproximou-se da mesa, com o olhar cheio de malícia.
— Então é isso que tá escondendo de mim, princesa? — perguntou, inclinando-se por trás dela. — Que mistura é essa?
Lila virou o rosto, manhosa.
— Não é pra você rir, tá? Eu estava com vontade de comer coisas diferentes…
— Diferente mesmo. — murmurou ele, divertido, olhando o prato com curiosidade genuína. — Doce de leite, queijo e goiabada?
— É equilíbrio, cowboy. — respondeu ela, fazendo biquinho. — Doce e salgado juntos.
Taylor segurou o riso, mas o brilho nos olhos o entregava.
— Humm… equilíbrio. Entendi.
Ele se abaixou ligeiro e beijou o pescoço dela, de leve, fazendo-a se arrepiar.
— E se eu quiser provar esse “equilíbrio” aí? — murmurou Taylor, com a voz grave e arrastada, inclinando-se por trás dela, tão perto que o hálito quente roçou a nuca de Lila.
Ela tentou disfarçar o arrepio que percorreu a espinha, empurrando-o de leve com o ombro.
— Nem pensar! — respondeu, manhosa. — É meu.
Ele soltou uma risada rouca, a ponta dos dedos roçando de leve o braço nu dela.
— Ah, é? — provocou, já puxando uma cadeira e se sentando colado, tão próximo que o joelho dele encostou na coxa dela. — Pois eu acho que a gente devia dividir, ué. Casal que come junto… é mais gostoso…
Lila virou o rosto, corando e respondeu fingindo seriedade.
— Dividir é fácil quando não foi você quem inventou a mistura, cowboy.
— Mistura? — ele repetiu, arqueando a sobrancelha e lançando aquele olhar que a fazia esquecer o ar. — Isso aqui é provocação disfarçada de café da manhã.
— Taylor… — sussurrou fingindo repreensão, mas o tom saiu suave demais.
Ele se inclinou um pouco mais, o chapéu quase tocando o cabelo dela.
— Você tá me dizendo pra não provar… mas o jeito que fala “meu” me deixa querendo tomar só pra te ver brava.

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