O jantar se desenrolava com a pompa esperada de uma noite entre duas famílias poderosas. A mesa de madeira clara, retangular, com doze lugares, estendia-se no centro do salão principal da ala leste da mansão Montgomery, ladeada por grandes janelas de vidro fosco que refletiam a luz morna dos lustres de cristal. O ambiente era moderno, mas carregava o peso do velho costume, do ritual, da etiqueta, da conveniência disfarçada de celebração.
Isabella Montgomery, mãe da noiva, havia caprichado em cada detalhe. Os pratos de porcelana fina, as taças de cristal Baccarat, os talheres dourados descansando sobre jogos americanos de linho bordado. Arranjos florais minimalistas decoravam o centro da mesa, tudo em tons neutros e dourados envelhecidos. Nada desafiava o bom gosto. Tudo estava perfeitamente... frio.
Exceto por Lila.
A herdeira Montgomery vestia um vestido vinho de cetim pesado, decote discreto, costas nuas, e os cabelos loiros presos em um coque baixo impecável, e os brincos de esmeralda herdados da avó. Ela estava belíssima e furiosa. Por trás da maquiagem impecável, os olhos azuis faiscavam a cada olhar trocado com Taylor Remington Miller, o homem sentado bem à sua frente.
Taylor, por sua vez, parecia ter saído de uma propaganda de alguma grife de alfaiataria rural. A camisa branca de linho com os botões superiores abertos, revelava o tom bronzeado de sua pele. As mangas arregaçadas expunham os antebraços fortes, marcados não por academia, mas por trabalho de verdade, aquele que envolve suor, rédeas e terra. Os cabelos loiros estavam levemente despenteados, e havia um traço de provocação contida nos olhos azuis escuros que não passava despercebido a ninguém, muito menos a Lila.
A mesa estava completa. Fiorella e Magnólia, as avós, sentavam-se lado a lado, observando tudo com olhos atentos e encantados, como duas velhas matriarcas que testemunhavam a consumação de um plano antigo. Tomás, o irmão mais velho de Lila, observava curioso os dois noivos. Amanda e Catarina, sentadas próximas de Taylor, trocavam olhares constantes, Catarina estava adorando a troca de olhares entre a cunhada e o irmão, já Amanda, se sentia nauseada, ver o homem que sempre amou ficando noivo de uma garota completamente diferente dele era difícil. Todos ali, absolutamente todos, encaravam os dois protagonistas, que se bicavam como se estivessem prestes a iniciar uma guerra fria.
O clima entre eles era insustentável desde o aperto de mãos na entrada. Cada palavra trocada vinha com veneno e desejo não admitido. As famílias conversavam sobre investimentos em vinícolas, a nova empreitada da Remington Miller Global no exterior, as últimas reformas no haras... mas no centro da mesa, entre Lila e Taylor, havia outra conversa em curso. Uma conversa silenciosa, feita de sarcasmo, ironia, desprezo e algo que queimava como brasa sob camadas de gelo.
— Então, senhor Remington — disse Lila com um sorriso educado, girando o vinho em sua taça com elegância estudada — é verdade que você acorda antes do nascer do sol para "conversar" com seus cavalos?
O tom era de pura provocação. Seus olhos o fitaram com aquele brilho cortante de quem sabe exatamente onde machucar.
Taylor levou a taça aos lábios, sorveu um gole com calma e sorriu de lado.
— Às vezes, é a única companhia que escuta sem interromper ou julgar. Talvez você devesse experimentar. Pode ser revigorante.
Ela soltou um risinho.
— Prefiro yoga ao nascer do sol. E livros. Muitos livros.
— Claro — ele assentiu, apoiando o cotovelo na mesa. — Atividades que não exijam sujar as mãos. Muito típico.
O silêncio que se seguiu foi preenchido por um brinde da senhora Montgomery, numa tentativa desesperada de dissipar o atrito crescente. As taças tilintaram, mas mesmo o cristal parecia frágil demais para cortar a tensão elétrica que se adensava como uma tempestade prestes a cair.
A cada prato servido, o incômodo entre os dois aumentava. Os olhos de Lila escapavam involuntariamente para os movimentos de Taylor, a forma como ele apoiava o talher, a firmeza ao cortar o medalhão de cordeiro, o modo como limpava o canto da boca com o guardanapo dobrado. Havia algo animalesco em sua contenção. Uma força prestes a se libertar. E aquilo a enfurecia. E... a estremecia.
Durante a sobremesa, Lila não resistiu. Estava cansada de máscaras e cansada de fugir.

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