Lila saiu com passos firmes em direção ao jardim, os saltos ecoando contra o piso de mármore como marteladas contidas em meio à suavidade ensaiada daquela noite. A postura era ereta, o queixo erguido como se desdenhasse do mundo inteiro, mas por dentro, o coração batia descompassado, dilacerando as paredes do orgulho. A mansão Montgomery continuava ressoando murmúrios e brindes, mas ela precisava escapar. Respirar. Recuperar o controle que havia escorregado por entre os dedos como vinho derramado.
Ao atravessar a porta de vidro, foi recebida pelo aroma doce e etéreo do jardim. Lavanda, jasmim e a brisa noturna envolveram-na como um véu invisível. A escuridão parecia respirar à sua volta, macia e acolhedora, iluminada apenas por discretas luzes embutidas entre arbustos esculpidos e esculturas de mármore. Os saltos de Lila afundavam levemente no gramado ao sair do caminho de pedras, seus passos firmes ecoavam em sua mente como um mantra. Cada flor, cada sombra e cada raio de luar pareciam conspirar com a noite para torná-la mais vulnerável.
Ela atravessou o jardim sem um rumo exato, mas acabou diante da pérgula coberta de glicínias. A estrutura de madeira branca, envolta por flores lilases pendendo em cascata, parecia saída de um conto antigo. A claridade da lua escorria pelas folhas como prata líquida. Lila parou ali, respirando fundo. Passou as mãos pelos braços nus, mesmo sem sentir frio, tentando acalmar o turbilhão que se espalhava pelo peito.
Seus olhos, então, caíram sobre o anel dourado em seu anelar esquerdo. A safira azul no centro captava a luz da lua com um brilho quase místico. Um arrepio percorreu sua espinha ao lembrar do momento em que Taylor tirou a caixinha do bolso da calça jeans, se aproximou de seu pai e, sem hesitar, pediu sua mão em casamento. A voz dele tinha sido firme, grave. Os olhos, cravados nela, faiscavam com uma intensidade que a fez perder o ar.
Por Deus... como ela o desejava. E como se odiava por isso.
Quem ele pensa que é? — pensou, furiosa. Sorrir daquele jeito... como se me conhecesse. Como se me dominasse. Como se soubesse de cada centímetro da minha pele. E o pior… ele sabia.
Estava prestes a voltar quando ouviu passos.
— Fugindo da sua própria festa, princesa? — a voz soou baixa, arrastada, rouca como ameaça e quente como carícia.
Ela se virou num impulso, e lá estava ele, parado na penumbra, como se pertencesse àquela noite. As mãos nos bolsos, o corpo levemente inclinado. O olhar dele a atravessava, não com ódio, nem com ternura, mas com algo que a fazia se sentir exposta, como se ele enxergasse suas rachaduras.
— Está me seguindo agora? — ela disparou, cruzando os braços, tentando manter a postura afiada.
Ele deu um passo à frente. Depois outro. O som das botas contra a pedra era tão deliberado quanto o olhar fixo nela. E antes que ela pudesse recuar, ele segurou seu braço com firmeza. Não havia violência no gesto, apenas certeza. Era como se ele soubesse exatamente o que fazia. E mais: como aquilo a afetava.
— Como ousa? — sussurrou ela, com a voz falhando entre a indignação e o nervosismo. O coração batia como um tambor desgovernado.
Ele a puxou de leve, fazendo o corpo dela colidir com o dele. Foi como bater contra uma parede quente e viva. O perfume dele, terra molhada, couro e algo amadeirado, invadiu seus sentidos, a deixando tonta.
— Cuidado — murmurou ele, com os lábios a centímetros dos dela — você pode acabar gostando do cheiro de curral…

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