— Se eu disser que quero mais, você vai voltar com o cavalo pro riacho?
Houve um lampejo de malícia nos olhos dele.
— Eu jogo o cavalo no riacho se for preciso.
Diablo relinchou como se compreendesse o que o dono tinha acabado de dizer.
— Desculpa amigão.
Lila deixou escapar uma gargalhada franca, um som que se misturou ao trote de Diablo e ao sussurro do vento pelas folhas. A trilha, que costumava parecer longa, se encurtava quando eles estavam juntos, o cansaço físico parecia dissolver-se na leveza de caminhar lado a lado, mesmo quando um ia montado e a outra à sua frente.
Quando a silhueta familiar da fazenda surgiu no final da trilha, o céu já estava inteiramente pintado com as cores do crepúsculo. Lila suspirou e encostou o corpo nas costas dele, permitindo-se o relaxamento que o retorno à casa trazia.
— Que dia, hein? — murmurou, meio para o vento, meio para ele.
Taylor respirou o ar fresco da fazenda, sentindo o cheiro de terra e lenha que lhe era tão intrínseco quanto respirar. Olhou para ela por cima do ombro, com um sorriso que misturava orgulho e satisfação.
— Dia bom tem nome, princesa. E o seu tá no topo da lista.
O elogio veio acompanhado de um beijo demorado, tão suave quanto a curva do pescoço que ele tocou. Lila estremeceu, e o contato lhe aqueceu as pontas dos dedos. Ela não respondeu com palavras, apenas com um sorriso pequeno, cúmplice, que dizia mais do que uma declaração longa. Mas, por dentro, algo nela se aquietou, um pensamento fugaz, quase secreto.
Lila levou a mão até a que envolvia sua cintura e a apertou de leve, como se quisesse guardar aquele toque dentro de si. E, por um instante, pensou na possibilidade que lhe rondava o coração desde o café da manhã: e se realmente houvesse uma nova vida crescendo dentro dela?
A ideia lhe pareceu tão assustadora quanto doce. O vento soprou sobre o rosto dela, e o cheiro de terra e água a fez sorrir. Havia medo, sim, mas também uma alegria calma, silenciosa, como se o universo inteiro conspirasse a favor daquela chance.
Taylor, alheio ao turbilhão que passava dentro dela, seguia firme, com a mão ainda repousando sobre sua cintura, e o polegar fazendo pequenos círculos distraídos sobre a pele.
Logo o som familiar dos galos anunciou o que a memória antecipava: o cheiro de pão saindo do forno, o aroma reconfortante de carne assando, pequenos indícios de lar que se estendiam pela varanda.
— Se Maria não tiver feito jantar, eu choro. — confessou Lila, rindo e esfregando o estômago que já dava sinais audíveis.
— Vai ter comida, sim. Eu sinto cheiro de feijão de longe. — respondeu Taylor, mais sério por um instante, imaginando a panela no fogo. — E se não tiver, a gente improvisa.
— Improvisar como? — ela perguntou, com ar de desafio, piscando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário