A noite pousou mansa sobre a fazenda, e a casa parecia respirar em silêncio depois das risadas na cozinha. O cheiro de pão fresco ainda rondava as paredes, misturado ao perfume discreto de lavanda que Maria insistia em colocar nos difusores. No corredor, os passos de Taylor e Lila denunciavam pressa e cumplicidade. Havia neles um rastro de riso contido, de olhares que não se explicam, de uma fome que não cabia nos pratos recém-esvaziados.
Ao fecharem a porta do quarto, o mundo se resumiu a dois: a madeira polida do assoalho rangendo baixo, a janela entreaberta deixando entrar o vento morno do fim de tarde que se fazia noite, e o reflexo dos dois no espelho do guarda-roupa, com os cabelo ainda úmidos do “batismo” no riacho e a pele sensível ao toque.
— Acha que eu não percebi? — ele perguntou, com a voz grave, baixa, preguiçosa. Um desafio embalado por ternura.
— Percebi o quê, cowboy? — Lila ergueu o queixo, atrevida, mas os olhos brilharam com a mesma claridade do riacho.
— Que você passou o jantar inteiro fingindo que só tinha fome de feijão.
Ela mordeu o lábio inferior, mas não respondeu. Era um jogo, e os dois sabiam.
Taylor se aproximou com passos lentos, o peito quase tocando o dela. O calor que saía do corpo dele parecia deslocar o ar. No espelho, a imagem duplicada dos dois dizia o que os lábios ainda guardavam. Ele passou a ponta dos dedos pelo colarinho da camisa que ela usava e puxou o tecido apenas o suficiente para sentir a pele sob o algodão. O gesto foi pequeno, mas carregado de intenção.
— Eu disse que ia provocar. — murmurou, como uma promessa. — Você disse que aguentava.
— Eu disse que queria mais, não que aguentava. — Lila sorriu de canto, jogando o cabelo para trás. — Aprenda a ouvir, Remington.
O nome da família na boca dela tinha gosto de vitória. Taylor inclinou a cabeça, como quem concede um ponto no jogo, sem perder a partida. Pegou-a pela mão e a conduziu até a porta ao lado a da suíte. O banheiro se abriu como um cenário preparado para uma confissão.
Lila entrou primeiro, quase dançando no próprio atrevimento. Tocou a borda da bancada, deslizou a mão pela superfície lisa como quem mede a temperatura do ambiente. Quando se virou, encontrou Taylor encostado na ombreira, com os braços cruzados, e aquele sorriso de quem vai derrubar o mundo com as próprias mãos e, depois, refazê-lo com cuidado.
— Vai me olhar assim por quanto tempo? — perguntou ela, provocando.
— Até você ficar sem ar. — Ele descruzou os braços e avançou. — Ou até pedir pra eu fazer alguma coisa.
O desafio ficou suspenso no ar, e foi Lila que tomou as rédeas. Aproximou-se dois passos e enfiou as mãos na barra da camisa larga que trazia o cheiro dele, elevando-a devagar, como quem desvela um segredo para o próprio espelho. Taylor acompanhou o gesto com os olhos, milímetro a milímetro, sem intervir, a não ser para conter a própria respiração.
— Não toca. — Lila disse, de repente, com um brilho travesso. — Ainda não.
— “Ainda não”, é? — Ele riu baixo. — Você está aprendendo comigo.
Ela levantou mais a camisa, expondo a pele que a luz mansa acariciava sem pudor. Parou antes de se libertar totalmente, segurando o tecido acima do abdome, numa pose que era desafio e rendição ao mesmo tempo. Taylor aproximou os dedos, sem encostar. Rodeou o contorno do tecido com as costas da mão, riscando o ar a milímetros da pele. O corpo dela respondeu se arrepiando e um suspiro escapou de seus lábios que ela não conseguiu conter.
— Você disse “não toca”, princesa. Eu tô obedecendo. — A voz dele tinha uma alegria perigosa. — Por enquanto.
Girou-a com firmeza, posicionando-a de frente para o espelho. Os olhos de Lila encontraram os próprios olhos e, por trás, os de Taylor. Ele pousou as mãos nos ombros dela, pesadas e, ainda assim, cuidadosas. O peso bom de quem sabe o que faz. Falou baixo, tão perto que a vibração da voz ressoou pela espinha dela:
— Quero que você me olhe enquanto eu ensino meu jeito preferido de fazer você perder as forças.

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