O sol ainda mal havia tocado o horizonte quando o canto dos galos ecoou pelo vale, quebrando o silêncio preguiçoso da fazenda. O ar fresco da manhã entrava pela janela entreaberta, trazendo consigo o perfume da terra úmida, o som distante dos cavalos no estábulo e o farfalhar das árvores embaladas pela brisa. Era o tipo de manhã que Taylor Remington amava e, ainda assim, ele não conseguia desviar os olhos do que havia de mais bonito naquele quarto.
Lila.
Ela dormia de lado, envolta no lençol de algodão, usando apenas uma das camisas dele, uma azul-clara, larga o suficiente para deixar à mostra um ombro e parte da coxa. Os botões do meio estavam abertos, e o tecido, amarrotado, guardava o perfume misturado dos dois. O cabelo dela se espalhava pelo travesseiro como fios de mel, e cada respiração suave parecia sincronizar o ar do quarto.
Taylor sorriu, encantado.
O tipo de sorriso que um homem só dá quando a vida, por algum milagre, parece exatamente no lugar certo.
Ficou ali por longos minutos, só observando. O peito subindo e descendo devagar, os lábios dela ligeiramente entreabertos, a pele dourada pela luz nascente. Aquilo era poesia, mesmo que ele nunca admitisse em voz alta.
Mas o cowboy nunca foi bom em apenas olhar.
Com um movimento silencioso, ele se inclinou sobre ela, apoiando uma das mãos na cabeceira e a outra na cintura dela, sentindo o calor que vinha da pele sob a camisa dele. A barba por fazer roçou o ombro nu de Lila, e o toque fez a respiração dela mudar. Ela se remexeu no travesseiro, sonolenta, murmurando algo que soou como um protesto preguiçoso.
— Taylor… — sussurrou, sem abrir os olhos, com a voz arrastada pelo sono. — Ainda tá cedo...
Ele sorriu contra a pele dela, depositando um beijo ali, depois outro, subindo até a curva do pescoço.
— Cedo pra quê? — murmurou, com a voz rouca e baixa, encostando os lábios na orelha dela. — Pra te amar?
Lila riu, sonolenta, virando um pouco o rosto.
— Você devia ter nascido poeta, não vaqueiro.
— Poeta? — Ele mordeu de leve o lóbulo da orelha dela, provocando um arrepio. — Poeta dorme até tarde. Cowboy apaixonado não dorme quando tem um anjo desses do lado.
Ela riu, tentando esconder o sorriso no travesseiro.
— Cowboy convencido.
— Cowboy completamente rendido. — corrigiu ele, com um sorriso torto.
Ela finalmente abriu os olhos. A luz suave da manhã fazia brilhar os tons mel dos cabelos dele, e o sorriso preguiçoso que ele exibia a fez suspirar.
— Você é impossível, Taylor Remington.
— E você me ama assim mesmo. — respondeu, encostando os lábios no canto da boca dela.
O beijo começou manso, quase tímido, mas logo ganhou intensidade. Lila entreabriu os lábios e o puxou pela nuca, rindo entre beijos e suspiros. Taylor se deitou parcialmente sobre ela, o peso do corpo equilibrado, o toque firme e cuidadoso. O quarto, antes silencioso, agora se enchia de risadas abafadas e respirações entrecortadas.
— Cowboy… — Lila murmurou, rindo entre um beijo e outro. — A gente vai se atrasar, e eu preciso ir à cidade com a Catarina.
— Cidade? — ele perguntou, ainda com os lábios perigosamente perto do pescoço dela. — E o que vocês vão aprontar dessa vez, hein?
Ela tentou escapar do abraço, mas Taylor a segurou pela cintura, o sorriso malicioso denunciando que a curiosidade dele tinha um quê de provocação.
— Nada demais. — respondeu Lila, desviando o olhar com falsa inocência. — Coisas de mulher.
— Coisas de mulher? — repetiu ele, encostando o queixo no ombro dela e deslizando a mão pelas costas, lento. — Isso soa suspeito, princesa.
— E você soa inconveniente, cowboy. — disse, tentando disfarçar o riso.
Taylor riu baixo, a voz grave roçando a pele dela como um arrepio.
Lila começou a desabotoar a camisa dele com calma, um botão de cada vez. O tecido cedeu, revelando a pele dourada pela luz da manhã. Quando o último botão se abriu, ela deixou a camisa escorregar pelos ombros, o algodão deslizou até cair aos pés como uma confissão silenciosa.
Taylor a observava em completo silêncio, o tipo de silêncio que só um homem fascinado consegue manter. O olhar dele deslizava preguiçoso, admirando cada detalhe, o desenho das costas, a curva da cintura, o jeito como o sol se insinuava pela janela e desenhava dourado sobre a pele dela.
— Vai continuar olhando ou pretende ajudar? — perguntou ela, sem encará-lo, inclinando-se sobre a cômoda à procura de algo.
— Tô ajudando, ué. Apreciando a vista é parte do serviço. — respondeu ele, com aquele tom rouco e divertido que fazia o sangue dela ferver.
Lila bufou, mas não conteve o riso. Pegou um short jeans curto, um daqueles que pareciam feitos sob medida para testar a paciência dele, e o vestiu com um movimento rápido. Em seguida, abriu a gaveta e escolheu uma camisa de botões branca, amarrando as pontas acima do umbigo.
Taylor se ajeitou na cama, com os cotovelos apoiados nos joelhos, acompanhando cada gesto com um meio sorriso.
— Eu juro, princesa… se você for assim pra cidade, vai causar acidente.
Ela se virou, ajeitando o cabelo, e lançou-lhe um olhar provocante.
— Então é melhor você ficar por aqui e cuidar da fazenda. — respondeu, pegando as botas encostadas no canto. — Antes que seja você o responsável pelos acidentes.
Taylor riu, passando a mão pelos cabelos.
— Cowboy perverso, lembra? Não prometo nada.
Lila apenas sorriu, balançando a cabeça enquanto saía do quarto, e ele ficou ali, preguiçoso e fascinado, sabendo que nenhuma manhã seria monótona com ela por perto. Enquanto a porta se fechava, Taylor soltou uma risada baixa, encostando a cabeça no travesseiro.
Sabia que Lila escondia alguma coisa e sabia, também, que descobrir seria a parte mais divertida do dia.

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