A estrada de volta à fazenda se estendia dourada sob o sol do final da manhã. O carro cortava o caminho sinuoso como uma flecha preguiçosa, enquanto os campos ao redor dançavam sob o vento. O cheiro de mato recém-cortado entrava pelas janelas abertas, misturado ao perfume leve de lavanda que Lila usava.
Ela mantinha as mãos sobre a barriga de forma instintiva, como se já protegesse o pequeno segredo que fazia o coração dela bater em outro ritmo. Catarina, ao volante, parecia mais empolgada que a própria cunhada, falava sem parar, ria alto, e de tempos em tempos cutucava Lila no braço só pra provocar.
— Tá, mas e se for menino? — perguntou Catarina, com um sorriso travesso. — Vai se chamar o quê? Cowboyzinho Remington?
Lila riu, jogando a cabeça contra o encosto do banco.
— Sei lá! Taylor Júnior é muito clichê, né?
— Clichê nada, é tradição, minha querida! — respondeu Catarina, teatral. — Taylor Júnior soa até sexy. Tipo nome de cantor de country que arrasta multidões e destrói corações.
— Ah, por favor. — Lila retrucou, revirando os olhos. — Já basta o original pra me dar dor de cabeça.
— Dor de cabeça? — Catarina arqueou uma sobrancelha, maliciosa. — Você quis dizer dor nas pernas, né, cunhada?
— Catarina! — exclamo, fingindo indignação, mas já rindo antes de terminar a frase. — Você é impossível!
— Sou realista — responde, sem tirar os olhos da estrada. — Esqueceu que somos irmãos? E outro detalhe, cunhadinha: as paredes têm ouvidos… e vocês não são exatamente discretos.
— O quê?! — Lila quase engasga, virando-se para ela, com os olhos arregalados. — Catarina, você não vai começar com isso…
A outra dá uma risada alta, sacudindo a cabeça.
— Começar? Querida, eu moro no mesmo terreno! Às vezes acho que o gado para de mugir só pra ouvir o que acontece no quarto do meu irmão.
— Você é insuportável! — protesto, cobrindo o rosto com as mãos. — E exagerada!
— Exagerada? — Catarina finge ofensa. — Amorzinho, quando a casa inteira treme às três da manhã, isso não é exagero. É terremoto nível Remington!
— Catarina! — grito, já rindo, tentando disfarçar o rubor que me sobe ao rosto.
Ela gargalha e me lança um olhar divertido.
— Ah, vai… não adianta se fazer de santa. Todo mundo percebe o jeito que o Taylor te olha. Parece que vai te devorar viva cada vez que você entra num cômodo.
— Você é doente — digo entre risadas. — E devia prestar mais atenção na estrada do que na minha vida pessoal!
— Eu consigo fazer as duas coisas — responde ela, jogando o cabelo pro lado com teatralidade. — E quer saber? Eu até admiro vocês. Vocês têm aquela energia de casal que vive em filme. Um misto de paixão, brigas, reconciliação explosiva… e paredes abaladas.
— Para! — peço, rindo tanto que quase choro. — Você fala como se espionasse a gente!
— Espionar, não. — Ela fala sorrindo ladino. — Ouvir por acidente? Talvez. Mas, sinceramente, quando meu irmão começa com aquele “vem aqui, minha princesa”… — ela imita a voz grave de Taylor, debochada — até eu fico sem graça.
Eu rio e bato de leve no braço dela.
— Você é o demônio!
— O anjo da verdade — responde, satisfeita. — Mas confessa, Lila, deve ser bom ter um homem que olha pra você daquele jeito. Como se o mundo inteiro desaparecesse.

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