O carro seguiu por mais alguns quilômetros, embalado pelo som suave do motor e pelo chiado do vento atravessando as frestas das janelas. O sol já estava mais alto, tingindo os campos de tons dourados, e o cheiro de terra úmida entrava pela janela entreaberta. Catarina cantarolava alguma música antiga no rádio, batucando o volante com os dedos, enquanto Lila mantinha o olhar distante, pensativa.
— Você tá com essa cara de quem tá planejando fugir pro México, Lila. — Catarina comentou, rindo. — O que foi agora? Tá arrependida de me deixar dirigir?
— Talvez um pouco. — Lila respondeu, sem conter um sorriso. — Eu vi sua última manobra, sabia? Acho que aquele caminhoneiro ainda tá tentando entender se foi ultrapassado ou atropelado.
— Ai, que drama! — Catarina colocou a mão no peito, fingindo indignação. — Sou uma excelente motorista, herdei isso do meu irmão.
— O mesmo irmão que já capotou uma caminhonete tentando desviar de uma vaca? — Lila arqueou uma sobrancelha.
— Isso foi azar! — retrucou Catarina, ofendida. — E pra sua informação, ele desviou com sucesso. A vaca sobreviveu e vive feliz até hoje, lá no pasto.
As duas caíram na risada, e por alguns segundos o clima leve dissipou a tensão que pairava no ar desde cedo.
— Tá, chega de vacas e desastres. — Catarina endireitou o corpo no banco. — Vamos fazer um pit stop. Quero café, e você precisa comer alguma coisa, mamãe. — Ela piscou, com um sorriso provocador. — Afinal, está comendo por dois.
— Catarina… — Lila revirou os olhos, mas um leve rubor subiu-lhe ao rosto. — Você é impossível.
— E você é previsível — respondeu a cunhada, já estacionando o carro ao lado de uma padaria de beira de estrada, com uma plaquinha escrita à mão: “Pães e Sonhos desde 1978”.
O sino da porta tilintou quando entraram, e o aroma delicioso de pão quentinho, café recém-passado e manteiga derretendo no ar fez Lila fechar os olhos por um instante, como se quisesse guardar aquele cheiro dentro de si. O ambiente era acolhedor, com mesas de madeira polida, cortinas floridas e uma vitrine cheia de doces caseiros.
— Se um dia eu sumir, pode me procurar num lugar assim. — disse Catarina, olhando em volta. — Vou abrir uma padaria só pra comer bolo no café da manhã e fingir que é “degustação técnica”.
— E engordar dez quilos por semana. — provocou Lila.
— Felicidade pesa, Lila. — respondeu Catarina, rindo. — E se pesar demais, eu compro uma balança que mente.
Enquanto se acomodavam, Catarina fez o pedido com a confiança de quem já dominava aquele ritual: dois cappuccinos e uma cesta de pães. E, enquanto esperavam, ela não perdeu a oportunidade de continuar com as provocações.
— Sabe o que eu tava pensando? — começou, apoiando o queixo nas mãos, num tom falso de inocência.
— Lá vem bomba. — Lila suspirou. — Fala logo.

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