Lila ficou ali por longos segundos, parada no meio do jardim, como se o mundo ao redor tivesse congelado. O vestido colado ao corpo subia e descia com a respiração acelerada, os lábios ainda úmidos do beijo que Taylor lhe dera ardiam com uma mistura absurda de raiva e... desejo.
O ar parecia pesado demais para ser respirado com naturalidade, como se o oxigênio estivesse impregnado com o cheiro dele : couro, terra molhada e algo amadeirado que a deixava tonta. Tudo nela parecia envolto por aquela presença, como se ele tivesse deixado seu perfume gravado em sua pele, sua boca, sua memória.
Ela deu um passo para trás, cambaleante, apoiando-se na coluna da pérgula coberta de glicínias. A flor exalava um perfume suave, doce e delicado, o oposto exato do que acabara de acontecer com ela. Aquilo não tinha nada de delicado. Taylor a beijou como se a possuísse. Como se soubesse exatamente como atingi-la onde ela era mais vulnerável. Como se dissesse, sem palavras: "Você é minha, mesmo que lute contra isso."
E o pior? Ela tinha deixado.
— Idiota... — sussurrou, sem saber se falava dele ou de si mesma. Talvez dos dois.
As mãos tremiam. O coração batia tão rápido que parecia tentar fugir do próprio peito. Seu corpo ainda respondia ao toque dele como se implorasse por mais. Sentia a pele onde os dedos dele haviam tocado como se queimasse em brasas. O gosto dos lábios dele permanecia quente e intenso, como se fosse uma droga forte demais para ser esquecida com um gole de vinho ou uma noite de sono.
Ela virou-se, começou a andar de um lado para o outro, seus saltos afundando levemente no gramado úmido. A frustração se espalhava pelo corpo em forma de tensão. Os dedos se cerravam em punhos, esmagando as laterais do vestido de cetim.
— Aquele... — ela mordeu o lábio inferior com força, impedindo que a palavra "desgraçado" escapasse alto demais. — Como ele ousa?
Fechou os olhos, tentando recuperar o controle que havia perdido desde que os olhos dele encontraram os seus naquela noite. A imagem dele se aproximando, o sorriso torto, malicioso, o olhar que parecia atravessá-la até o âmago. O modo como ele a puxou com naturalidade, sem hesitação. Com certeza. Com autoridade. Como se tivesse direito àquele beijo. E ela... ela correspondeu.
Ela cedeu como uma tola. Como uma garota boba.
Mas não era só raiva. Não. Era algo mais profundo. Uma vontade obscena de reviver aquele instante. De puxá-lo de volta, de provocar, de testá-lo. De arrancar aquele maldito chapéu de cowboy da cabeça dele e ver até onde o beijo poderia ir. Até onde ela poderia ir. A respiração saiu entrecortada, e uma risada nervosa escapou por entre os lábios inchados.
— Eu preciso de ar... — murmurou, embora já estivesse do lado de fora.
Tentou se afastar da pérgula, mas seus pensamentos a arrastavam de volta. E então seus olhos pousaram no anel dourado em sua mão esquerda. A safira azul no centro parecia brilhar sob a luz suave da lua. Um símbolo de tradição, de família, de compromisso. Mas para ela, era mais que isso. Era uma lembrança viva do momento em que Taylor, com aquele maldito sorriso provocador, tirou a caixa do bolso e pediu sua mão ao seu pai.
Lila podia ver a cena claramente em sua mente. O modo como ele caminhou até o patriarca da família Montgomery, confiante como sempre, tirando a pequena caixa de veludo azul do bolso da calça jeans com a tranquilidade de quem sela um acordo. O olhar direto, firme. O tom de voz profundo, educado, mas inegavelmente seu. E depois... depois, quando virou-se para ela, com aquele olhar que parecia prometer tormenta e prazer em doses iguais... todo o seu corpo se arrepiou. Cada centímetro dela reagiu como se ele tivesse tocado sua pele nua diante de todos.
Por Deus... como ela o desejava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário