O corpo de Lila enrijeceu antes mesmo de virar. O coração acelerou de um jeito estranho, como se o ar ao redor tivesse ficado denso demais para respirar. Catarina, ao seu lado, também silenciou, o riso se esvaindo dos lábios até restar apenas uma linha tensa.
A voz que ecoou atrás delas era inconfundível, uma voz doce, porém carregada de veneno.
— Que prazer revê-las...
Lila se virou devagar, e o tempo pareceu parar.
Ali estava ela. Amanda.
Os cabelos castanhos caíam em ondas perfeitamente arrumadas, o vestido caro abraçava o corpo com uma elegância estudada, e o perfume forte se espalhava pelo ar, doce demais, quase sufocante. O sorriso nos lábios dela era afiado, porém não escondia rancor, exibia, como um troféu.
O som das conversas da padaria pareceu sumir, abafado pela tensão que se instalava. Amanda deu um passo à frente, com os saltos estalando no chão de madeira como uma ameaça calculada. Os olhos dela, frios e ressentidos, varreram Lila da cabeça aos pés, parando de propósito na mão que ela mantinha instintivamente sobre o ventre.
Foi então que a voz dela veio, debochada e ácida:
— Eu não imaginava que você seria capaz de usar o velho truque da barriga, Lila.
Lila piscou, confusa por um segundo.
— O quê? — murmurou, a voz falhando.
Amanda deu um pequeno sorriso de canto, a encarando desdém.
— Ora, por favor. — Ela inclinou a cabeça, fingindo inocência. — Engravidar para segurar um homem… é um clássico, não é?
Catarina endireitou-se na cadeira imediatamente, o olhar se tornando uma flecha.
— Amanda, cuidado com o que fala. — advertiu, com a voz baixa, mas gelada.
Mas Amanda ignorou.
Deu mais um passo à frente, com os olhos cravados em Lila como lâminas e continuou:
— Logo você… — continuou, com o tom escorrendo veneno. — Uma garota mimada, que odiava o campo e sonhava em morar em Paris… E agora… — fez uma pausa dramática, com o sorriso se alargando — olha só pra você. Fazendo o papel de esposa perfeita e, quem sabe, de mãezinha dedicada. Que farsa comovente.
Lila sentiu o sangue pulsar nos ouvidos. O corpo inteiro ficou tenso, e o ar pareceu ficar preso dentro do peito. Ela não sabia se queria gritar ou rir da crueldade absurda daquelas palavras.
Catarina levantou de súbito, fazendo o banco ranger alto. A expressão leve e brincalhona de minutos atrás havia desaparecido, em seu lugar, surgiu um olhar duro, protetor, quase feroz. Ela se colocou à frente da cunhada, com o corpo ligeiramente inclinado para frente, como se instintivamente estivesse pronta para impedir Amanda de se aproximar mais.
— O que você quer, Amanda? — perguntou, com a voz firme, fria, sem qualquer traço de doçura.
Amanda ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços, fingindo ofensa.

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