Amanda ficou imóvel por alguns segundos.
O rosto dela, outrora arrogante, agora era uma máscara quebrada. Os olhos estavam marejados, e o maxilar trêmulo.
Ela abriu a boca para responder, mas nenhuma palavra saiu. O olhar dela vacilou, entre raiva, vergonha e dor. Catarina, ao lado de Lila, manteve-se ereta, com os braços cruzados, firme como uma muralha.
Lila então concluiu, com o tom cortante, porém sereno:
— E quanto a mim… — disse Lila, dando um passo à frente, com o tom da voz firme e gélido, e o olhar fixo em Amanda. — Pode me chamar do que quiser. Mimada, forasteira, oportunista… escolha o nome que te ajude a dormir à noite. Eu não me escondo atrás de aparências nem de mentiras convenientes.
Amanda arqueou uma sobrancelha, com o sorriso escorregando em algo próximo da tensão. Lila manteve-se imóvel, mas sua voz cresceu, nítida, carregada de força.
— Mas saiba de uma coisa — continuou, e cada palavra foi dita com uma calma perigosa. — Taylor não precisou de álcool para dormir comigo. Não foi uma noite perdida, nem um erro apagado pela culpa. Ele estava sóbrio. Lúcido. E me quis.
Ela fez uma breve pausa, e o silêncio entre as duas vibrou no ar.
— Ele fez amor comigo porque escolheu estar comigo. Porque me desejava. E garanto que lembra de cada segundo no dia seguinte e não se arrepende de nenhum deles.
O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Amanda apenas os observou por um instante, com o rosto trêmulo, e os olhos marejados. Depois deu um passo para trás, com o queixo erguido em um gesto de falsa dignidade.
Amanda permaneceu parada, com o rosto rígido, e os olhos marejados apesar do esforço para parecer altiva. Por um instante, a máscara de superioridade rachou e por trás dela, o que restava era dor. O orgulho ferido tremia nas mãos dela, que se fecharam em punhos ao lado do corpo.
Atrás de Lila, Catarina se manteve imóvel, com os braços cruzados e o queixo erguido, transmitindo apoio silencioso. O orgulho e a admiração nos olhos dela eram visíveis, mas ela não disse uma palavra, apenas observou, firme, enquanto Lila falava tudo.
Amanda engoliu em seco, tentando recompor o tom. Deu um passo para trás, com a voz falhando antes de encontrar um fio de veneno para se segurar.
— Vocês duas merecem o mesmo destino — murmurou, amarga. — A desilusão.
Fez uma pausa curta, com os olhos marejados, e o queixo erguido num gesto de falsa dignidade. O perfume forte e enjoativo dela tomou o ar quando se virou, e saiu caminhando.
Sem olhar para trás, Amanda saiu da padaria, deixando atrás de si o cheiro doce demais e o gosto amargo daquilo que um dia foi amizade.
O silêncio que ficou depois era pesado, quase sufocante. O som da chuva batendo no telhado da padaria era a única coisa que preenchia o espaço entre as duas. Catarina continuava imóvel, com os olhos fixos na porta por onde Amanda havia saído. O corpo dela parecia rígido, como se a dor tivesse enraizado em cada músculo.
Lila riu, sem humor, tentando dissipar a tensão que ainda pairava no ar.
— Eu juro… — murmurou, entre exaustão e tristeza. — Jamais imaginei que isso fosse acontecer.
Lila observou a cunhada em silêncio por alguns segundos. Havia algo profundamente humano e desarmado em Catarina naquele instante, a mulher forte e espirituosa, sempre pronta com uma piada, agora parecia pequena, ferida.
Com um gesto suave, Lila tocou o braço dela.
— Ei… — disse baixinho. — Não é sua culpa, Cat.
Catarina a olhou de lado e sorriu, cansada, mas terna.
— Talvez. Mas dói ver o que sobrou da minha melhor amiga.
As duas ficaram em silêncio por um instante. Lá fora, a chuva começava a cair fina sobre a estrada, lavando o dia e, talvez, o que ainda restava do passado.
— Ela só está tentando ferir porque já foi ferida.

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