O portão da fazenda apareceu no horizonte como uma lembrança viva: as cercas brancas se estendiam em linhas perfeitas, os ipês em flor tingindo o caminho de amarelo, e o som distante dos cascos de cavalo batendo contra a terra. O sol do meio-dia brilhava alto, espalhando um calor dourado sobre os campos, fazendo o capim brilhar como ouro líquido.
Lila respirou fundo.
Aquele ar tinha cheiro de terra, vento, e algo que misturava saudade com nervosismo. O coração dela batia mais rápido a cada metro que o carro avançava.
Catarina dirigia cantarolando, com os óculos de sol escorregando no nariz e o cabelo preso num coque desarrumado que parecia desafiá-la a cada curva da estrada.
— Eu ainda tô indignada — começou, de repente, com aquele tom dramático que só ela tinha. — Como é que esse bebê ainda não deu um sinalzinho se vai ser mocinho ou mocinha? — olhou para o ventre de Lila, como se o bebê fosse responder. — Já falei pra ele… — apontou com o dedo — ou pra ela, né… que a tia Catarina precisa se planejar emocionalmente e financeiramente para gastar com as roupinhas certas!
Lila riu, sentindo o rosto esquentar.
— Catarina, ainda falta um tempão pra isso…
— Tempão? — repetiu a cunhada, arqueando uma sobrancelha. — Pra mim, “tempão” é tipo… dois dias. Você tem ideia do tormento que é não saber se compro um body com laço ou uma botinha de couro? — ela soltou um suspiro teatral. — Eu já tenho o carrinho salvo no site, Lila. O carrinho!
— Você é completamente maluca. — Lila tentou conter a risada, mas falhou.
— Errado. Eu sou antecipada, o que é completamente diferente. — rebateu Catarina, virando-se de relance para ela com um sorriso maroto e um brilho travesso nos olhos. — E olha, se for menina, vai aprender comigo todos os truques necessários para conseguir tudo o que quiser do pai dela.
Lila arqueou as sobrancelhas, rindo e um pouco desconfiada.
— Truques? Que tipo de truques, Catarina?
A cunhada deu uma risadinha maliciosa.
— Ah, Lila… aqueles infalíveis. Carinha de anjo, voz doce, aquele olhar pidão que desmonta qualquer macho Remington. — Fez uma pausa para dar ênfase. — Funcionava todas as vezes que eu queria algo do meu irmão quando era mais nova.
Lila cobriu o rosto, rindo alto.
— Você tá me dizendo que manipulava o Taylor?
— Manipulava? — fingiu-se ofendida. — Eu chamo de estratégia afetiva avançada. — Catarina piscou com orgulho. — Uma piscadinha aqui, um “por favorzinho, maninho…” ali… e pronto! boneca nova, brinco, passeio, o que eu quisesse!
Lila ria sem parar, o rosto completamente vermelho.
— Você é um perigo, Catarina.
— Eu prefiro o termo mentora. — Ela ajeitou o cabelo, triunfante. — Essa menina vai nascer com uma professora de charme e diplomacia do lado. Que Deus ajude o Taylor, porque ele vai ser passado pra trás em todas.
Lila levou a mão ao rosto, vermelha.
— Catarina! — reclamou entre risos. — Você vai traumatizar a criança!
— Trauma nada, vai crescer com estilo — disse, ajeitando o cabelo. — E se for menino… ah, meu irmão que se prepare. Eu vou encher o moleque de brilho, franjinha e camisa de cowboy.

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