O ar na varanda parecia denso, quase sólido. O som dos cascos dos cavalos ao longe, o farfalhar das folhas e até o zumbido distante das cigarras pareciam cessar quando Taylor deu o primeiro passo na direção deles. O sol da tarde riscava o horizonte, banhando o cenário com uma luz dourada que acentuava cada traço de tensão no ar.
Ele estava com o torso nu, o suor ainda brilhando sobre a pele, resultado da manhã de trabalho no pasto. As mangas da camisa, pendurada displicentemente no ombro, deixavam à mostra os músculos firmes, e o olhar queimava.
Catarina percebeu o impacto imediato. Lila, por um segundo, pareceu prender a respiração. Leo, ao contrário, sorriu. Um sorriso lento, estudado, o tipo que provoca só por existir.
Taylor parou diante deles.
— Sejam bem-vindos à fazenda Sun Valley. — disse, com a voz controlada, mas carregada daquela firmeza cortante que só os homens acostumados ao comando sabiam ter.
Tomás foi o primeiro a quebrar o gelo, estendendo a mão com o habitual bom humor.
— E aí, cowboy… já conseguiu domar a megera da minha irmã? — provocou, rindo, como se não tivesse percebido o incêndio prestes a começar.
Taylor apertou a mão dele com firmeza, com o olhar firme e o sorriso apenas no canto da boca.
— A gente chega a um acordo de vez em quando. — respondeu, lançando um rápido olhar cúmplice para Lila, que desviou o rosto imediatamente, corando.
Leo, sempre atento, percebeu o gesto e fez questão de entrar na dança. Ainda segurando o braço de Lila, estendeu a mão livre para Taylor, com um sorriso largo, e o olhar frio.
— Prazer em revê-lo, Taylor. Finalmente o herdeiro mais cobiçado dos Estados Unidos mostra o seu território.
O aperto de mãos que se seguiu não foi um cumprimento, foi um duelo silencioso. Os dedos se encontraram, a pressão aumentou, e por um instante ninguém respirou.
— O prazer é todo meu, Léo. — respondeu Taylor, com a voz grave, carregada de veneno escondido sob a polidez.
Tomás, alheio à tensão, interveio, tentando aliviar o clima.
— Cara, o lugar é incrível. Obrigado por receber a gente.
Taylor soltou um leve sorriso.
— A fazenda está sempre de portas abertas pra você, Tomás. — disse, sincero, mas sem conseguir tirar os olhos do outro homem.
Leo cruzou os braços, com o corpo relaxado demais para quem estava em território alheio.
— Interessante… — murmurou, com um meio sorriso debochado. — Então é assim que o dono da fazenda recebe as visitas? Sem camisa? Ou é parte do charme local?
Catarina levou a mão à boca para esconder o riso. Maurício disfarçou o sorriso com uma tosse. Lila, por outro lado, ficou sem saber o que fazer com as mãos.
— Taylor… talvez… talvez você queira colocar uma camisa? — balbuciou, envergonhada.
Mas o cowboy nem piscou. O olhar continuava preso em Leo.
— Ah, não precisa se preocupar. — respondeu, com ironia afiada. — Aqui o clima costuma esquentar rápido. Eu só me adaptei. — E o meio sorriso que se formou em seus lábios deixava claro: aquilo não era brincadeira. Era provocação.
Leo inclinou o corpo um pouco à frente o encarando intensamente.
— Hm… faz sentido. — respondeu, num tom calculado. — Mas cuidado pra não acabar pegando um resfriado, cowboy. Seria uma pena ver o dono da casa de cama logo na chegada dos convidados.
Taylor ergueu o queixo, mantendo sua expressão inabalável.
— Não se preocupe, eu sou resistente. — disse, com a calma cortante de quem ameaça sorrindo. — Já lidei com cavalos mais difíceis… e visitas mais inconvenientes.
Catarina tossiu alto, tentando conter a gargalhada. Maurício pigarreou, como se procurasse um buraco para se esconder.
Mas Leo não riu. Ele apenas estreitou o olhar, avaliando Taylor de cima a baixo, como quem mede território e dono. O sorriso que voltou aos lábios dele era leve demais para ser sincero.

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