Na sala de jantar, o ambiente era puro aconchego rural: o cheiro de feijão recém-temperado misturava-se ao aroma da carne de panela cozida lentamente, mergulhada num molho grosso com batatas douradas e cebolas quase desmanchando. Sobre a mesa, Maria havia caprichado: milho verde cozido na manteiga, saladas coloridas com alface, tomate e cebola roxa, e, no centro, sua famosa torta de frango, especialidade que fazia qualquer convidado pedir bis. O pão de milho recém-saído do forno exalava aquele perfume irresistível que parecia abraçar quem entrasse.
Lila, de short jeans curto, camisa branca de botões amarrada na cintura e um par de botas de couro gastas pelo uso, sentou-se ao lado do irmão. O visual, simples e despretensioso, contrastava com o brilho natural que ela carregava, o cabelo solto caía em ondas até os ombros, com alguns fios rebeldes moldados pelo vento da estrada, e um toque dourado do sol fazia sua pele parecer ainda mais quente.
Leo, naturalmente, tomou o lugar ao lado dela, o que pareceu agradar demais ao próprio. Taylor, por sua vez, ocupou o assento em frente, uma posição perfeita para observar cada sorriso, cada olhar, e, no fundo, cada golpe no orgulho que o fazia apertar o copo de cerveja até os dedos ficarem brancos.
Tomás, animado como sempre, tentou manter o clima descontraído, servindo-se de feijão e batatas.
— Sério, vocês não têm noção do caos que foi esse meu último relacionamento. — começou ele, gesticulando. — A mulher tinha o dom de transformar um bom dia em uma guerra civil.
Lila riu, balançando a cabeça.
— Ah, Tomás, você sempre exagera.
— Exagero? — ele ergueu o garfo, teatral. — Pergunta pro Leo! Ele foi o terapeuta oficial durante meses!
Leo ergueu a taça, divertido.
— E posso garantir que foi um trabalho de tempo integral. Até pensei em cobrar honorários.
— Cobrar? — Lila entrou na brincadeira, rindo. — Você devia ter cobrado em silêncio. Seria o serviço mais valioso do mundo.
A mesa explodiu em risadas. Catarina quase cuspiu o suco, e Maurício, tentando disfarçar, abaixou a cabeça para esconder o sorriso. Taylor, no entanto, manteve-se imóvel. Os olhos dele estavam fixos em Lila e na forma como ela ria. Aquela risada clara, despretensiosa, mas que fazia o sangue dele ferver de um jeito que nem queria admitir.
Leo se recostou na cadeira, sorrindo para ela.
— E você, Lila? Ainda é tão mandona quanto antes?
— Mandona? — fingiu indignação. — Eu prefiro o termo “determinada”.
— Ah, claro. Determinada a deixar todo mundo de cabelo em pé. — respondeu ele, rindo.
— Isso é calúnia! — rebateu ela, dando um leve empurrão no braço dele.
Taylor sentiu o músculo do maxilar travar. A colher bateu no prato com mais força do que ele pretendia.
— Então é verdade o que diziam. — continuou Leo, com um olhar provocante. — Você ainda conquista todos à sua volta com esse sorriso.
Lila desviou o olhar, rindo sem graça.
— Você continua o mesmo, Leo. Charmoso e encrenqueiro.
— Só com quem vale a pena. — ele respondeu baixo, sem esconder o tom insinuante.
Tomás, alheio à guerra silenciosa que se travava diante dele, cortava a torta de frango com entusiasmo.
— Maria, minha filha, essa torta é divina.
— É a especialidade da casa. — respondeu Maria, do balcão, orgulhosa. — Receita de família.
Leo pegou um pedaço generoso e olhou para Lila.
— Lembra quando você tentou fazer torta e quase incendiou a cozinha da sua mãe?
Lila gargalhou alto, cobrindo o rosto.
— Aquilo foi um acidente!
— Acidente? — Leo arqueou a sobrancelha, rindo. — Você colocou papel manteiga no forno, Lila!
— Eu tinha treze anos! — rebateu ela, ainda rindo. — E quem foi que disse que dava para “pré-assar” o recheio no micro-ondas com papel alumínio?

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