A porta bateu com tanta força que o som reverberou pelas paredes da sala, fazendo até os talheres vibrarem sobre a mesa. O silêncio que veio em seguida foi ensurdecedor. Catarina, com o coração acelerado, virou-se para Maurício e murmurou, sem precisar erguer a voz.
— Vai atrás dele.
Maurício assentiu, empurrando a cadeira para trás e saindo quase em disparada. O som de seus passos apressados ecoaram até a varanda, seguido pelo barulho da caminhonete ligando. Lá fora, a noite foi cortada pelo ronco do motor e pelo grito abafado dos pneus na estrada de terra.
Dentro da sala, o ar parecia pesado demais para respirar. Lila, imóvel por alguns segundos, sentou-se lentamente. O rosto dela estava pálido, os olhos marejados, os lábios trêmulos. Quando as lágrimas começaram a cair, não vieram em silêncio, eram soluços profundos, descompassados, daqueles que vêm do fundo do peito.
Catarina não hesitou. Atravessou a mesa, contornando as cadeiras, e se abaixou ao lado da cunhada. Envolveu-a num abraço firme, protetor, sem dizer nada no início. Apenas ficou ali, oferecendo calor e abrigo enquanto Lila desabava, o rosto escondido entre as mãos.
— Calma… — murmurou Catarina, alisando-lhe os cabelos. — Ele só precisa esfriar a cabeça. Você sabe como ele é, Lila. Vai voltar, como sempre volta.
Lila balançou a cabeça, ainda chorando.
— Eu não queria…
— Eu sei, meu amor. — Catarina apertou-a um pouco mais. — Mas ele te ama. Só não sabe lidar quando sente medo de te perder.
Maria, que assistia tudo em silêncio da cabeceira, levou as mãos à boca, com o semblante tenso. Tomás observava a cena sem dizer nada, mas o olhar fixo em Leo denunciava que o silêncio dele tinha prazo curto.
Leo, por sua vez, permanecia sentado, imóvel, com o rosto tenso e o olhar perdido no ponto em que Taylor estava há instantes. A provocação que disse ainda pendia no ar como uma lâmina, e ele sabia que tinha ido longe demais.
Catarina se ergueu devagar, mantendo uma das mãos sobre o ombro de Lila. O olhar dela, antes sereno, agora queimava com indignação.
— Olha aqui, Leo — começou, com a voz firme, grave. — Fique sabendo que meu irmão e a Lila se amam de verdade.
Leo piscou, surpreso com o tom de voz de Catarina , mas ela não parou por aí.
— Esse contrato de casamento que todo mundo gosta de mencionar nunca passou de um papel sem valor. Mas o que eles sentem um pelo outro é real. — Ela deu um passo à frente, com o olhar faiscando. — E se você acha que vai conseguir mudar alguma coisa agindo feito um idiota, está muito enganado.
Leo franziu o cenho, tentando manter a compostura.
— Catarina, eu…
— Cala a boca! — ela cortou, sem elevar a voz, mas com uma autoridade que silenciou até o vento. — E outra coisa… já que você gosta tanto de abrir feridas, deixa eu te contar algo que talvez faça você pensar duas vezes antes de se meter na vida dos outros. — Catarina inspirou fundo, e as palavras saíram lentas e pesadas. — Lila está esperando um filho do Taylor!
O ar saiu do corpo de Leo como um soco. Os olhos dele se arregalaram, a expressão de surpresa foi quase infantil.
— O quê? — murmurou, com a voz rouca.

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