Do lado de fora, a noite começava a cair devagar, como uma cortina puxada por mãos invisíveis. O céu, ainda com restinhos de ouro queimando no horizonte, tornava-se um pano espesso de azul profundo. O ar trazia o cheiro de terra úmida, de feno e de raiva contida. A fazenda, antes cheia de vozes e risadas durante o jantar, agora mergulhava num silêncio denso, quebrado apenas pelo som distante de passos apressados e pelo estalar seco de uma porta sendo violentamente aberta.
A caminhonete de Taylor esperava no pátio, reluzindo sob a luz pálida da lua. Ele estava como um touro impaciente, farejando o perigo antes da briga. Ele deu um salto, entrando na caminhonete, com o rosto marcado por um misto de fúria e frustração, o maxilar travado, as mãos tremendo. Não de medo, mas de tudo o que ele tentava conter. Quando a porta bateu, o som ecoou como um trovão no coração da fazenda.
O motor rugiu alto, rasgando o silêncio. O barulho foi tão forte que as galinhas do galinheiro se agitaram, e um cavalo relinchou ao longe, como se sentisse a fúria que pairava no ar. Taylor girou a chave e pisou no acelerador como quem precisava provar algo, talvez a si mesmo. O som dos pneus sobre o cascalho foi o prenúncio da tempestade que se formava dentro dele.
— Taylor! — a voz de Maurício soou, distante, quase engolida pelo rugido do motor. Ele correu, sentindo o coração disparar dentro do peito, sabia que o cunhado estava fora de si, e o medo de deixá-lo sozinho o moveu mais do que qualquer raciocínio. A caminhonete já se movia, cuspindo cascalho e poeira pelo caminho, quando Maurício se lançou num impulso desesperado.
O salto foi cego, instintivo. O corpo dele bateu contra a caçamba com força, o impacto reverberou pelo metal como um trovão surdo, prendendo a respiração por um segundo, sentindo o corpo reclamar, mas segurou firme nas bordas da carroceria antes que a força da arrancada o jogasse para fora.
— Tá maluco, cara?! — gritou, com o vento arrancando as palavras de sua boca.
Lá na frente, Taylor não respondeu.
O volante estava firme entre as mãos, o aperto ao volante era tanto, que deixava os nós dos seus dedos brancos. Taylor dirigia como se quisesse arrancar da estrada cada lembrança, cada palavra dita na mesa do jantar, cada olhar que o feriu. Os faróis cortavam o escuro que descia rápido, iluminando trechos de estrada e poeira suspensa.
O vento chicoteava o rosto de Maurício, bagunçando seus cabelos, o seu corpo vibrava com cada solavanco. A estrada interna da fazenda, cercada de eucaliptos e cercas de arame, passava num borrão. O som do motor era ensurdecedor, um rugido que se misturava ao bater descompassado no coração dele.
— Taylor, para com isso! — tentou de novo, mas o som se perdeu no vento.
O cunhado parecia não ouvir. Parecia ter entrado num transe, encarava o horizonte com o olhar fixo e a respiração pesada.
Dentro da cabine, Taylor sentia o sangue pulsar nos ouvidos. Cada palavra de Leo ainda ecoava como uma faca cravada no peito. O orgulho ferido, ver Lila tentando defender Léo, a dor de sentir-se julgado... tudo se misturava. Ele queria gritar, socar o volante, quebrar alguma coisa, mas tudo o que fez foi pisar mais fundo no acelerador.
A caminhonete saltou em um buraco, e Maurício quase perdeu o equilíbrio.
— Pelo amor de Deus, para essa porcaria! — berrou, agora com raiva e medo na mesma medida.
Nada. Taylor só apertou os olhos, mantendo a mandíbula rígida, e os dentes cerrados.
Por um instante, a estrada pareceu se abrir diante deles. As árvores altas balançavam, o som das folhas lembrava um sussurro de advertência. Maurício, encolhido na caçamba, olhou o céu escuro, a ausência de estrelas denunciava a tempestade que estava por vir.
O tempo parecia ter parado ali, entre o ronco do motor e o desespero no peito dos dois.
Então, finalmente, Taylor diminuiu. O pé ainda pressionava o acelerador, mas o impulso inicial cedia lugar ao cansaço. Ele respirou fundo, sentindo os ombros tremerem. O carro começou a perder velocidade até parar na beira de um campo aberto, onde o cheiro de mato fresco misturava-se ao diesel e à poeira.
Maurício pulou da caçamba, sentindo o coração acelerado, e se aproximou pela janela.
— Que diabos deu em você? Quer se matar, é isso? — gritou, ofegante.
Taylor não respondeu de imediato. Ficou ali, com as mãos ainda no volante, olhando o nada à frente. A respiração dele era pesada, e o silêncio que se seguiu foi mais forte que qualquer palavra.

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