A noite estava densa, quase sem vento, e o ar parecia pesado demais para um lugar tão amplo. As luzes da varanda tremeluziam, refletindo o brilho pálido da lua nas ripas do assoalho. A porta ainda oscilava levemente depois do impacto que Taylor deixou ao sair, como se o próprio ar se recusasse a aceitar o que tinha acontecido.
Leo já atravessava o gramado quando Tomás o alcançou.
— Espera aí! — gritou, com a voz cortando a escuridão.
Leo parou, mas não virou. Ficou ali, parado, com o corpo rígido, os ombros duros, respirando fundo. Tomás se aproximou devagar, o barulho dos passos sobre o cascalho soava alto demais para o silêncio da fazenda.
— Você não vai sair assim, fingindo que nada aconteceu — disse Tomás, ofegante. — Acha que pode jogar uma bomba no meio da mesa e ir embora como se fosse o dono da razão?
Leo virou-se devagar, e o olhar dele refletia uma mistura de culpa e orgulho ferido.
— O que você quer que eu diga, Tomás? Que eu tô arrependido? Que não devia ter falado? — deu uma risada curta, sem humor. — Talvez. Mas eu não suportava mais guardar o que sentia para mim, a Lila precisava saber que tinha uma opção se quisesse.
— Mas você acha que fazer isso da maneira que fez é certo? — Tomás cruzou os braços, encarando o amigo. — Você acha que entrar na casa do cara, provocar o tempo inteiro e ainda jogar na cara da minha irmã que “adoraria repetir” foi o jeito certo?
Leo piscou devagar, a respiração pesada.
— Eu perdi o controle. — Admitiu, mas a voz dele tremia de raiva. — Mas também não vou fingir que não sinto nada, Tomás. Eu amo a Lila.
Tomás fechou os olhos por um instante, tentando controlar o impulso de gritar.
— Você acha que isso justifica o que fez? — perguntou, mais baixo agora, quase num sussurro. — Amar não dá direito de ferir os outros, Leo. Amar não é isso.
Leo deu um passo à frente.
— Eu precisava tentar… queria que a Lila soubesse e quem sabe…
— Quem sabe? Cara a Lila sempre teve uma queda pelo Taylor. Nunca ouviu falar que o amor e o ódio andam de mãos dadas? Sempre estranhei esse “rancor” todo que ela tinha.
— Mas eu precisava tentar.
— Tentar? Leo, a Lila nunca olhou para você dessa forma. Já conversamos antes e você sempre soube da verdade.
— Eu sei. — Leo respondeu, sem hesitar. — Mas, Taylor é um grosso. E você sabe disso.
Tomás estreitou o olhar.
— Ele é impulsivo, sim. Mas ele ama a Lila, porra! — gritou, finalmente subindo o tom de voz. — E o que eles têm é de verdade. Você viu. Você só não quer admitir porque está preso a algo que nunca aconteceu.
Leo respirou fundo, com as mãos fechadas em punhos.
— O que eu sinto pela Lila é real, Tomás, e você sabe disso. — respondeu, e a dor crua na voz dele cortou o ar. —Eu sempre amei a Lila, mas fui covarde demais para admitir o que sentia. — Ele baixou o olhar, e a voz embargou. — Mas fui covarde, talvez se tivesse declarado os meus sentimentos as coisas poderiam ter sido diferentes.
Tomás suspirou, passando as mãos pelos cabelos, inquieto.
— Leo, a Lila sempre te amou. — Léo levantou o rosto encarando o amigo nos olhos. — mas o amor que ela sempre sentiu ´por você é o mesmo que ela sente por mim. — Leo suspirou fundo. — Ela tá feliz, Leo. Ela escolheu o Taylor.
— Escolheu porque foi obrigada! — Leo gritou, com a voz rachando de raiva e desespero.
— Não, Léo. Escolheu porque ela sempre o amou. — retrucou Tomás. — E não podemos lutar contra o que sentimos.
Leo o encarou por um longo tempo, com os olhos marejados.
— Cara, eles agora vão construir uma família e tenho certeza que voce quer continuar na vida da minha irmã.
Léo passou a mão pelos cabelos, andando em círculos.
— Eu senti inveja, Tomás. A forma que ela olha para ele, como seus olhos brilham… eu tenho inveja dele.
Tomás o observou em silêncio por um instante.
— Então finalmente entendeu. — disse, em voz baixa. — Eles se amam cara.
Leo levantou o olhar, o semblante endurecido.

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