Taylor Remington Miller
Saí da casa como se ela tivesse me cuspido.
A porta bateu atrás de mim com um estrondo seco, ecoando pela varanda como o som de uma sentença. Eu não olhei para trás. Se olhasse, voltava. E voltar significava encarar o olhar dela, aquele misto de dor e decepção que corta mais fundo do que qualquer faca.
Desci os degraus, o ar da noite batendo no rosto, frio, áspero, e ainda assim não o bastante pra apagar o fogo dentro de mim. O vento cheirava a poeira e a raiva.
Entrei na caminhonete com um tranco, sentindo o coração martelar dentro do peito como se quisesse rasgar a pele. Bati a porta com força, o estrondo reverberou na noite quieta, atravessando o ar pesado e denso. O motor rugiu quando girei a chave, um som grave, áspero, que parecia traduzir tudo o que fervia dentro de mim.
Foi então que ouvi a voz de Maurício, cortando o breu lá de fora:
— Taylor! Espera aí, porra!
Mas eu não esperei. Fingir que não tinha escutado era mais fácil do que encarar o que me esperava se olhasse para trás. A raiva queimava, o sangue latejava, e qualquer palavra que saísse da minha boca naquele momento seria mais uma faísca num incêndio que já estava fora de controle.
Acelerei. O barulho dos pneus mordendo a terra encharcada abafou tudo por um instante, até que, de repente, senti o peso balançar na traseira da caminhonete. Olhei rapidamente pelo retrovisor e vi, entre o pó e a penumbra, Maurício se jogando na carroceria, agarrando-se firme ao ferro.
Suspirei, irritado, mas uma parte de mim ficou aliviada por ele não ter desistido. Ainda assim, não diminui a velocidade. Só apertei mais o volante, e o barulho do motor roncou alto, e deixei que a estrada engolisse tudo o que eu não queria sentir.
Sei que não deveria ter perdido a cabeça. Sei que fui estupido com Lila, mas não consegui controlar a minha raiva quando vi aquele mauricinho fazendo insinuações.
“Adoraria repetir.”
Aquela frase me perseguia.
Maldita provocação.
Ele disse aquilo olhando pra mim, sabendo exatamente o que fazia. Sabendo que ia me tirar do eixo. E conseguiu.
O cascalho voava e o volante vibrava nas minhas mãos. Podia ouvir Maurício implorando por alguma coisa, mas na verdade não conseguia compreender nada, nem queria. O coração batia tão forte que eu ouvia no ouvido. Respirei fundo, tentando achar um ritmo, mas não deu.
Eu só sabia acelerar.
— A caminhonete saltou em um buraco, e pude ver pelo retrovisor Maurício quase perder o equilíbrio.
— Pelo amor de Deus, para essa porcaria!
Não diminuí. Ele aguentava, sempre aguentava.
O vento entrou pela janela entreaberta, frio, cortante. A estrada parecia interminável. Cada curva, me trazia uma lembrança. Cada lembrança, uma ferida nova.
O rosto da Lila me vinha à mente o tempo todo, os olhos marejados, a voz tremendo e o som de duas lágrimas quando eu saí. E ver que ela chorava por minha causa me deixava puto comigo. No fundo, eu não estava bravo com o Leo, estava puto comigo mesmo, porque me deixei levar por suas provocações e por ter caído na armadilha mais velha do mundo: o ciúme!
O volante ainda tremia sob minhas mãos. A caminhonete tinha parado no acostamento, mas o motor roncava como se também estivesse furioso. Senti o peito arder, o sangue pulsando nas têmporas, e antes que eu conseguisse respirar direito, a voz de Maurício cortou o ar.
— Que diabos deu em você? Quer se matar, é isso?
Ele estava ofegante, suando, com o rosto vermelho, não sei se de raiva ou do susto. Eu só consegui encarar o nada à frente, o reflexo da lua no capô.

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