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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 222

Taylor Remington Miller

As luzes da cidade começaram a despontar à frente, tremeluzindo como brasas distantes no horizonte. O som do motor da caminhonete se misturava ao zunido do vento, e, por um instante, aquele ronco constante pareceu ser o único elo entre o que eu sentia e o mundo ao redor.

O Horse & Barrel apareceu à direita, o velho letreiro de neon piscando em vermelho e dourado. Era um bar de madeira escura, impregnado de cheiro de cerveja, fumaça e lembranças que ninguém queria lembrar.

Eu e Maurício descemos da caminhonete e entramos.

O ambiente era morno, abafado, e o som de uma música lenta saía de um rádio velho no canto, misturado às conversas arrastadas dos clientes. O chão rangia sob as botas, e o ar tinha gosto de álcool e passado.

A garçonete nos reconheceu de longe e, sem dizer uma palavra, trouxe duas cervejas geladas. O som das garrafas batendo na mesa fez um eco leve, quase musical. Ela apoiou uma das mãos na cintura e sorriu. Um sorriso meio debochado, meio provocante, daqueles que só quem trabalha a vida inteira entre bêbados e desilusões aprende a usar.

— Olha só quem apareceu... — disse ela, arqueando uma sobrancelha. — Faz tempo que vocês não dão as caras por aqui. Achei que tinham virado santos.

Maurício riu.

— A gente tentou, mas o céu não quis aceitar.

Ela deu uma risadinha curta, inclinando-se ligeiramente sobre a mesa.

— E você, cowboy? — perguntou, com os olhos brincando entre nós dois. — Tá com cara de quem precisa mais de um psicólogo do que de cerveja.

— Ele precisa é de juízo. — respondeu Maurício, lançando um olhar de canto pra mim.

A garçonete piscou.

— Juízo eu não sirvo, mas cerveja, sim. Querem deixar a conta aberta?

— Pode deixar. — disse Maurício. — E traz uma rodada de amendoim, vai que ajuda o humor dele.

Ela se voltou para mim, com o mesmo sorriso sugestivo.

— A coisa parece séria.

Mas eu não reagi. Nem levantei o olhar. Só fiquei ali, fixo no copo, observando a espuma descer e se desfazer como o resto da minha paciência. O barulho do rádio, as vozes, o riso dela, tudo parecia vir de um lugar distante.

Maurício, percebendo o clima, interveio com leveza:

— Ignora, Stephany. Hoje ele está pagando promessa.

Ela soltou um risinho divertido, apoiando o cotovelo na mesa.

— Promessa ou castigo?

— Um pouco dos dois. — respondeu ele, dando de ombros.

A garçonete balançou a cabeça, brincalhona.

— Bom, se precisar de companhia pra esquecer o motivo da promessa, você sabe onde me achar. — disse, lançando-me um último olhar.

Maurício ergueu a mão e fez um gesto brincalhão.

— Tá dispensada, Stephany. Ele hoje tá em modo “homem das cavernas”.

Ela deu uma risada alta, sincera, e saiu rebolando entre as mesas, levando o som dos saltos pelo chão de madeira gasto.

Maurício se virou pra mim, cruzando os braços.

— Bebe, cowboy. Bebe e depois fala, antes que essa raiva te engasgue de vez.

A primeira desceu amarga, como tudo que eu engolia desde que saí de casa.

A segunda foi mais fácil.

Na terceira, o calor do álcool começou a se espalhar, dissolvendo aos poucos o peso que carregava no peito.

— Sabe o que eu acho? — disse Maurício, apoiando o cotovelo na mesa e me observando com aquele olhar que misturava raiva e compaixão.

— Que eu sou um idiota.

— Também. — Ele soltou uma risada curta. — Mas o que eu ia dizer é que você é apenas temperamental.

Olhei pra ele, girando-o entre meus dedos. Levantei a cabeça e olhei para Stephany que sorriu e caminhou até mim.

— O que deseja cowboy?

— Traz um uísque.

— Quer começar forte, cowboy?

— Só quis ser simpática.

— Simpatia é bom — ele rebateu, educado, mas firme —, mas hoje não é o dia.

A mulher olhou pra mim mais uma vez, como quem tenta medir o estrago, e saiu, balançando o quadril devagar. Maurício riu baixo.

— Você ainda chama atenção até quando tá desabando, impressionante.

— Não quero ninguém. — respondi, rouco. — Só queria que ela…

— Eu sei. — interrompeu, suavizando o tom. — Mas beber até cair não vai fazer a Lila aparecer aqui.

Fiquei quieto.

As vozes ao redor pareciam mais distantes, como se o bar tivesse se transformado num grande eco. O rosto de Lila voltava entre as luzes, cada piscada de néon trazia um pedaço dela.

Perdi a conta de quanto já tinha bebido. Cada dose deixava o corpo mais mole e a mente mais turva. A culpa, no entanto, permanecia nítida. Eu tinha magoado a minha mulher, por causa de um ciúme idiota.

Quando percebi, estava rindo alto de algo que nem lembrava. Maurício me olhava com aquele ar resignado de quem já sabia o final.

— Já chega. — ele repetiu, mais duro. — Vamos embora.

Tentei argumentar, mas o corpo não respondeu. Levantei com esforço, sentindo o chão se mover sob os pés. O bar parecia girar devagar, as luzes piscavam mais fortes, e a música estava alta demais.

— Bora, campeão. — disse Maurício, segurando meu braço antes que eu caísse. — Antes que resolva cantar no balcão.

Saímos e o ar frio da rua bateu no rosto, mas não ajudou muito. A cabeça girava, o mundo oscilava. Cambaleei até a caminhonete, tropeçando no meio-fio.

— Eu tô bem. — murmurei, rindo sem motivo.

— Tá nada. — respondeu Maurício, abrindo a porta. — Anda logo, antes que eu tenha que te carregar.

— Eu só… — tentei dizer, mas a voz falhou. — Eu só queria que ela soubesse que eu…

— Ela sabe, cara. — cortou ele, calmo. — Agora cala a boca e dorme.

Sentei no banco, deixei a cabeça cair contra o encosto. O mundo girava devagar. A última coisa que lembro foi o som do motor ligando e o farol cortando a estrada de volta.

O cheiro de chuva vinha pelo vento, e o gosto de arrependimento queimava mais do que a cerveja. Eu dormi ali, no banco do carona, com a certeza amarga de que tinha perdido a cabeça e quase o amor da minha vida por não conseguir controlar os meus nervos.

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