Entrar Via

Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 223

Lila Montgomery

Eu odeio chuva.

Não daquele jeito poético e cinematográfico de quem acha bonito ver as gotas escorrendo pela janela e chama isso de “romance”.

Eu odeio de verdade.

O som, o cheiro, o frio que entra pelos ossos, tudo nela me irrita. Mas o que mais odeio é o que a chuva desperta dentro de mim: a impotência, o medo, o vazio. É como se o céu desabasse sobre a terra para lavar cada vestígio de esperança, e eu... ficasse presa ali, entre a dor e o silêncio.

Aquela noite parecia feita para destruir certezas.

Estava sentada na cama, abraçada às pernas, com a testa encostada nos joelhos. A camisola gruda na pele por causa do calor abafado do quarto, e o som das gotas contra a vidraça marcava um compasso irregular com meu coração. Lá fora, o mundo desabava. Aqui dentro, era o meu mundo que ruía.

Taylor tinha saído feito um furacão, sem olhar pra trás, sem dizer palavra. O barulho da caminhonete dele se afastando ainda ecoava na minha cabeça, como um aviso de que algo se partiu entre nós. Fazia horas que ele tinha ido, e a tempestade não dava trégua.

Passei a mão sobre o ventre com delicadeza. Fechei os olhos e imaginei meu bebê ali, como um lembrete de que eu não estava sozinha.

— Ei, meu amor... — murmurei, com a voz embargada. — Pede pro papai voltar? Traz ele pra casa, por favor...

A palma da minha mão deslizava devagar pela barriga ainda discreta, e o gesto era o único consolo que me restava. Lá fora, os trovões rugiam como fera ferida, e cada relâmpago me fazia encolher. Desde criança, tenho pavor de tempestades. A cada estalo, meu corpo se retraía, como se o som pudesse me rasgar por dentro.

Levantei o rosto e respirei fundo. Nenhum som de motor, nenhum sinal dele. Só o som da chuva despencando sem piedade.

Empurrei as cobertas e me obriguei a sair da cama. Minhas pernas tremiam quando toquei o chão frio. Desci as escadas com passos curtos, cruzando os braços sobre o peito, tentando conter o arrepio. A casa parecia imensa e estranha na penumbra. O relógio da parede fazia um som irritante, tic-tac-tic-tac, como se me lembrasse de cada segundo sem ele.

Sentei no sofá e me encolhi, abraçando as próprias pernas. O silêncio era cortado apenas pelo som da chuva e pelos trovões. A cada estalo do céu, meu coração disparava, e eu apertava o ventre, buscando um fio de coragem.

— Vai ficar tudo bem, meu amor. O papai vai voltar... ele tem que voltar. — sussurrei, mais para mim do que para o bebê.

E então, ouvi.

O ronco de um motor rasgando a noite. Os faróis cortaram a escuridão da varanda. Meu coração pulou no peito.

Catarina se levantou num sobressalto, com o rosto tenso, e o olhar procupado. Quando me viu, se aproximou devagar parando ao meu lado.

— Lila… — chamou, com a voz trêmula, quase um sussurro. — ainda está acordada?

Antes de responder, a porta se abriu de repente, batendo contra a parede, e Taylor entrou cambaleando. Ele estava completamente encharcado. A camisa colada ao peito largo, o tecido grudado na pele quente, os cabelos pingavam, deixando rastros de água pelo rosto ruborizado.

O cheiro forte de álcool espalhou-se pela sala, denso, inconfundível, misturando-se ao ar pesado de preocupação que tomou conta do ambiente.

— Taylor… — minha voz saiu num fio, fraca, vacilante.

Ele ergueu os olhos. Havia neles raiva, confusão, tristeza e um brilho quase infantil de quem não sabe se quer chorar ou gritar.

— Você… — murmurou, arrastando as palavras, com a voz rouca, arranhada pela bebida.

Deu um passo em minha direção me fazendo se aproximar preocupada.

— Taylor, você tá... — comecei, mas ele me interrompeu.

— Tão linda... — disse, e a palavra saiu como um suspiro. Estava tão perto que eu pude sentir o calor do corpo dele, mesmo molhado, mesmo frio.

Outro trovão sacudiu o ar. Ele piscou devagar, cambaleando, e antes que eu pudesse reagir, ouvi o som da porta se abrindo de novo.

— Santo Deus, o que é isso agora?! — era Maria, enrolada num casaco, com os olhos arregalados. — Meu Senhor, Taylor! Olha o estado em que você voltou!

Mas Taylor se soltou, com os olhos marejados e o peito arfando.

— Eu amo a Lila, você entende? Eu amo ela como nunca amei ninguém!

O silêncio caiu pesado. Até a chuva pareceu diminuir por um instante.

Tomás, que até então observava da escada, desceu dois degraus e se aproximou devagar.

— Calma, cunhado — disse, num tom firme, porém calmo. — Ninguém aqui tá contra você. A gente só quer te ajudar.

Taylor virou-se para ele, com os olhos turvos, a respiração descompassada.

— Você acha que eu não sei o que é amar, Tomás? — a voz dele era rouca, arrastada. — Eu sei… porque eu amo a Lila de um jeito que me destrói. Eu penso nela o tempo todo. Ela é o ar que eu respiro, o chão que eu piso… — ele riu, sem humor — e o inferno que me consome quando abre a boca pra me contrariar.

Tomás olhou para mim rapidamente, depois voltou o olhar para o cunhado.

— Tá certo, cowboy. Já chega por hoje. Vamos subir, descansar. Amanhã você fala com ela direito.

Maurício o segurou mais firme e o levou escada acima, enquanto ele ainda murmurava coisas confusas sobre mim, o amor e o azar de ser homem. A sala voltou a ficar silenciosa, e eu apenas ouvia o som da chuva lá fora. Catarina tinha subido as escadas com Mauricio, Tomas tinha ido para o quarto e Maria ido até a cozinha. Quando o som dos passos deles se perdeu, sentei-me de novo no sofá.

Acariciei o ventre com cuidado, um pequeno sorriso vencendo o cansaço.

— Viu só, meu amor? — murmurei, encostando a cabeça no encosto do sofá. — O papai é doido… mas ele ama a gente.

Fechei os olhos e sussurrei, baixinho, para aquele pequeno segredo dentro de mim:

— Ele ama nós dois, meu bem. E isso é o que importa.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário